quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

ESPAÇO DOS POETAS por Manuel Bandeira


O Bicho
Poeta: Manuel Bandeira.

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.


Rio, 27 de dezembro de 1947

Fonte: www.astormentas.com/

ESPAÇO DOS POETAS por Zé da Luz

Ai se sesse...

http://deinhagirassol.blogspot.com/
Poeta: Zé da Luz

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse;
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém,
Se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?
...Tarvez qui nós dois ficasse,
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse.
Por:(Zé da Luz).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

A FLOR DA MINHA FLOR


POEMA: A FLOR DA MINHA FLOR
POETA: EDNALDO LUIZ DOS SANTOS.
Tem a pele limpa e bem corada
Onde o vento torneia-a suavemente
Trazendo-me o aroma do cálice vegetal
Formando uma bruma esparsa e briosa.
Teus olhos esverdeados como as matas
Que alegram a visão de um contemplador
Na mais lírica sinfonia desta beleza
No teu olhar uma magia se esconde
Na malícia de fisgar a sua presa
Olha firme, penetrando certa retina,
Buscando no indivíduo a sua essencialidade.
Tua voz tão carente e melodiosa
Se expressa no balbucio da razão
Soa nos ouvidos como uma “canção de ninar”
E adormece a fera mais feroz da natureza.
Fico no tosco da mais plena ingenuidade
Quando admiro o teu andar de rainha
Não precisa do tapete da luxúria
Pois preserva a raiz da simplicidade
Respeita os defeitos e as qualidades dos seres
Procurando sorrir com o coração
Protege com esmero os grandes amigos
Com um afeto tão imenso e indispensável
Assim como protege uma pequena flor
Retirada do meio dos lírios campestres
Demonstrando seu caráter romancista
Pois quem zela de um fragmento vegetal
Tem um brio que expressa sentimento
Guardando ainda nas páginas de um livro
A relíquia bem-amada da minha flor.



Por: Ednaldo Luiz dos Santos.
Feito Dia: 06/ 01/ 2005.

Vai e Vem na Humanidade


REFLEXÃO: VAI E VEM NA HUMANIDADE
AUTOR: EDNALDO LUIZ DOS SANTOS.

Tudo que vai pode voltar. Esta é a lei da existência. Podemos ir, mas podemos voltar, fazendo um processo de vai-e-vem.
Olhamos para o Sol. Temos a falsa impressão de que ele passa num movimento contínuo e adormece num certo espaço de tempo, vindo a surgir em seguida, produzindo a alvorada celestial que nutre às espécies vivas da Terra. Aí, descobriram que não era o Sol que ia e vinha, e sim o próprio Planeta Terra...
Um amor se encontra “enterrado”, “trancado” dentro de um “baú”, morto, pode renascer em um dado momento da nossa história, assim como a Fênix. Só não sei quando! Mas ele volta, com mais força, mais resistente.
Tudo que foi pode vir-a-ser de outra forma, mas com os mesmos átomos carbonizados naturalmente, porque somos uma matéria evolutiva. Hoje temos amor e amanhã nos odiamos, podemos odiar cegamente, mas em pouco tempo podemos amar loucamente. É a vida do vice-versa que circunda a humanidade e lança-a em um ciclo
vegetativo de vai-e-vem.
Caminhamos numa trilha e voltamos por ela ou por outro meio, mas voltamos. A chuva vai, mais volta. A doença vai e volta mais potente. A água que tomamos, nós a eliminamos, mas ela volta de novo pra gente com mais energia. Tudo volta...! Nem tudo! Se perdermos uma mão ela não voltará mais para nós, mas adquirimos uma dupla ação energética na outra mão, como se nós não tivéssemos perdido a dita mão extraída. Isso é um milagre dado pelo cérebro.
Um dia passa e a noite vem, depois vai e o dia vem. Mas já pensou se um dia o Sol desaparecesse de nossa galáxia? Se isso ocorrer, nós morreríamos, mas poderíamos renascer novamente. Será? As partículas de carbono estão na essência de um todo, pai de todos os elementos que compõe o corpo único. Assim, tudo é possível. Não podemos viver sem o Sol, mas se o Sol morrer nós poderá nascer de novo sendo nutridos por outra fonte de luz.
Por mais enorme que seja o labirinto, podemos entrar nele e sair (vivo ou morto), por mais difíceis que sejam os obstáculos. Igual um aventureiro, que entrou num labirinto, matou um Minotauro e saiu dos enlaces dos corredores segurando um fio de linha que ele havia marcado antes de entrar lá.
Um astro medonho e assassino pode se chocar contra a Terra e destruir tudo. Mas a Terra pode se dividir em dois planetas e em cada um deles a vida pode existir de novo. Será que um ser vivo pode ficar extinto para sempre? Será que os planetas Marte e terra não formavam um único planeta?
Dizem que a vida na Terra foi destruída uma vez pelo “Dilúvio” e, que pela ação do fogo,
poderá ser eliminada de novo. O ser humano “conhece” o espaço e conhece alguns dos seus perigos!
O petróleo pode desaparecer do mapa e outra matéria-prima pode substituí-lo. Mas ele voltará um dia para a felicidade de todos.
E JESUS CRISTO, Pai da “vida eterna” e libertador dos pecadores, surgirá de novo algum dia na Terra?
Data: 14/ 03/ 2004.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

URBE VICENTINA






POESIA: URBE VICENTINA.


POETA: EDNALDO LUIZ DOS SANTOS.

Numa sombra quieta e bem faceira
Gerou à urbe singela e organizada
Nos encontros ao pé da Quixabeira
Seu Cocó comprou terra da Milharada.

A Vilinha começou a se erguer
Num espaço de tropeiro bom de feira
A borracha deu o fruto com prazer
Para o bando se manter na Quixabeira.

O espaço cresceu bem de tal maneira
Que o Padrinho concedeu outro lugar
E o povo abandonou a Quixabeira
Por um Alto que brandava o triunfar.

Foi daí que emergiu grande fartura
Que o vapor despertou com sua zoeira
Deram vivas para a cotonicultura
Que a Luísa fez sentir na Quixabeira.

Uma índia com uma terra algodoeira
Trouxe lucro para quem cedeu à mão
O ar puro da plumagem à Quixabeira
Fez o povo VI-CENTI-NO coração.

Tanta riqueza que se colhia anualmente
Fez o ouro ser lembrado na bandeira
O Mocó na pequena São Vicente
Deu História para além da Quixabeira.



Feito dia: 04/ 12/ 2008.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

ESPAÇO DOS POETAS por Bertold Brecht


A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nòs
De quem depende que ela acabe? Também de nòs
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Pesquisado por: Ednaldo Luiz Dos Santos.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Sociedade Degradada

As pessoas muitas vezes tornam-se hipócritas de si mesmas, não sabem perceber além de seus anseios fúteis ou não querem que o faça. Penso que nenhum ser humano é capaz o bastante de pensar no outro como irmão sem antes de mais nada não tercer a teia de suas pretensões mesquinhas. Toda aquela pessoa que estende a mão para ajudar quem necessita de antemão almeja ser gratificada no Paraiso das Redenções, e não é só isso, a solidariedade tem como pano de fundo o sentimento de reconhecimento, de gratidão e de falsas perspectivas de purificação da alma. Somos seres crentes mas ao mesmo tempo incrédulos. E enquanto muitos pensam na mesquihês de suas almas...Muitos seres passam fome, muitos estão se entregando ao vício, os lares estão ficando pestilentos e a mágica ilusão do amor está se perdendo nessa total sodomia da espécie humana. A vida tornou-se rarefeita. Os homens estão ficando cada vez mais solitários. Está se mudando a função natural da natureza da procriação, pois estão buscando cada vez mais o sexo oposto como obra de rebeldia por uma sociedade degredada de seus valores humanos. Isso tudo por causa do próprio ser que por uma sociedade moral enquadram o individuo numa fôrma de fazer cocada. Precisamos repensar nossos atos e mudar o sistema governamental e econômico, para que possamos recomeçar de novo.