sábado, 24 de janeiro de 2009

ESPAÇO DAS POETISAS, por Adriana Costa.

O amor pousou na janela do meu quarto
e me chamou para brincar

sem medo

me joguei atrás dele da janela

do sexto andar


e flutuei sonhando
o vôo virou um mergulho

já não era a cidade
era o fundo mar

e eu tinha cabelos de algas marinhas

nadamos golfinhos

por todo lugar

cansados da travessura

fomos dormir juntinhos
numa concha
.

Fonte: http://versosbarbaros.blogspot.com

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

ESPAÇO DOS POETAS, por Gonçalves Dias




Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,

Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta

De noite cantando, — mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando

Em jogo infantil,
Inquietos, travessos; — causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,

Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos,

Às vezes vulcão!
Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto humedece
Me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranquilo,
Desperta a chorar;
E mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa — a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu
Cai doce harmonia duma
Harpa celeste,
Um vago desejo; e a mente se veste
De pranto coum véu.
Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.

Fonte:<>.

sábado, 10 de janeiro de 2009

ESPAÇO DAS POETISAS, por Erilaine Perez

Erilaine Perez

Foto de Gaza

POEMA: CÉU DE GAZA
POETISA: ERILAINE PEREZ

Céu
abismo
de duas
caras

coroa
de gatos
pardos

trombeta
do último
crepúsculo

falso amigo
da luz.

Céu
vazio
de silêncio

puro
esconderijo
de almas
nuas

respira
a plenos
pulmões
o sussuro
escuro das
ruas.
Fonte: http://erilainepoeta.blogspot.com

É uma grande maldade o que está se passando na faixa de gaza, onde um exército poderoso como o de Israel assola impiedosamente um fraco e débil grupo Palestino. Um confronto ridículo para um mundo de hoje. Necessário seria que todos os países do mundo que defendem uma paz mundial se unissem e pudessem por fim a tamanha carnificina. Homens que brigam para defender os interesses dos outros não estão pensando em si só, são hipócritas pois pensam que estão defendendo uma causa social. A Guerra só beneficiam a uns e outros não. Que vergonha para a ONU, permitir que os animais destruam a terra santa da humanidade. Por: Ednaldo Luiz.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

ESPAÇO DOS POETAS, por Pablo Neruda

Os teus pés
Poeta: Pablo Neruda


Quando não posso contemplar teu rosto,
Contemplo os teus pés.

Teus pés de osso arqueado,
Teus pequenos pés duros.

Eu sei que te sustentam
E que teu doce peso
Sobre eles se ergue.

Tua cintura e teus seios,
A duplicada purpura
Dos teus mamilos,
A caixa dos teus olhos
Que há pouco levantaram voo,
A larga boca de fruta,
Tua rubra cabeleira,
Pequena torre minha.

Mas se amo os teus pés
É só porque andaram
Sobre a terra e sobre
O vento e sobre a água,
Até me encontrarem.