sábado, 28 de fevereiro de 2009

ESPAÇO DOS POETAS, por Everilson Brennoh


Paranóia
Poeta: Everilson Brennoh

Estão me cercando eu vejo isso...
Quando eu saio na rua, janelas fechadas, murmurinho de felicidades...

Estão me cercando eu vejo isso...

Eles com seus malditos celulares que a toda hora tocam...
Estão me cercando eu vejo isso...
E agora as cidades tem suas câmeras escondidas, assim não...

Estão me cercando eu vejo isso...
A muito que se fora a inocência da ingenuidade, eles sabem demais...

Estão me cercando eu vejo isso...
não sou tão especial assim para merecer tanta atenção...

Estão me cercando eu vejo isso...
Preciso esconder o que tenho de precioso, mais como se sou eu...
Estão me cercando eu vejo isso...
Está crescendo mais e mais essa aflição...

Estão me cercando eu vejo isso...

Pelas grades eles querem me trazer, mas não me entregarei fácil...
Estão me cercando eu vejo isso...
E vejo agora códigos e padrões, sinais de minhas perseguições...

Estão me cercando eu vejo isso...
neste canto de parede ficarei e não sairei tão cedo...
Estão me cercando eu vejo isso...

vejo suas sombras onde ando, isso é o fim...

Estão me cercando eu vejo isso...
A essa altura ninguém pode ajudar.

Fonte: http://recantodasletras.uol.com.br/autores/brennoh

ESPAÇO DOS POETAS, por Patativa do Assaré.



Poesia Musical: O ZEBU E AS FORMIGAS
Poeta: Patativa do Assaré

Um boi zebu certa vez
Moiadinho de suó,
Querem saber o que ele fez
Temendo o calor do só
Entendeu de demorá
E uns minuto cuchilá
Na sombra de um juazêro
Que havia dentro da mata
E firmou as quatro pata
Em riba de um formiguêro.

Já se sabe que a formiga
Cumpre a sua obrigação,
Uma com outra não briga
Veve em perfeita união
Paciente trabaiando
Suas foia carregando
Um grande inzempro revela
Naquele seu vai e vem
E não mexe com mais ninguém
Se ninguém mexe com ela.

Por isso com a chegada
Daquele grande animá
Todas ficaro zangada,
Começou a se açanhá
E foro se reunindo
Nas pernas do boi subindo,
Constantemente a subi,
Mas tão devagá andava
Que no começo não dava
Pra de nada senti.

Mas porém como a formiga
Em todo canto se soca,
Dos casco até a barriga
Começou a frivioca
E no corpo se espaiado
O zebu foi se zangando
E os cascos no chão batia
Ma porém não miorava,
Quanto mais coice ele dava
Mais formiga aparecia.

Com essa formigaria
Tudo picando sem dó,
O lombo do boi ardia
Mais do que na luz do só
E ele zangado as patada,
Mais força incorporava,
O zebu não tava bem,
Quando ele matava cem,
Chegava mais de quinhenta.

Com a feição de guerrêra
Uma formiga animada
Gritou para as companhêra:
Vamo minhas camarada
Acaba com os capricho
Deste ignorante bicho
Com a nossa força comum
Defendendo o formiguêro
Nos somos muitos miêro
E este zebu é só um.

Tanta formiga chegou
Que a terra ali ficou cheia
Formiga de toda cô
Preta, amarela e vermêa
No boi zebu se espaiando
Cutucando e pinicando
Aqui e ali tinha um moio
E ele com grande fadiga
Pruquê já tinha formiga
Até por dentro dos óio.

Com o lombo todo ardendo
Daquele grande aperreio
zebu saiu correndo
Fungando e berrando feio
E as formiga inocente
Mostraro pra toda gente
Esta lição de morá
Contra a farta de respeito
Cada um tem seu direito
Até nas leis da natura.

As formiga a defendê
Sua casa, o formiguêro,
Botando o boi pra corrê
Da sombra do juazêro,
Mostraro nessa lição
Quanto pode a união;
Neste meu poema novo
O boi zebu qué dizê
Que é os mandão do podê,
E as formiga é o povo.


Do livro Ispinho e Fulô – Patativa do Assaré
fONTE: http://culturanordestina.blogspot.com/

ESPAÇO DOS POETAS, por Carlos Drumond de Andrade.


Poema: A PUTA
Poeta: Carlos Drumond de Andrade

Quero conhecer a puta.
A puta da cidade.
A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.

Onde o ar é vidro ardendo

E labaredas torram a
De quem disser: Eu quero
A puta

Quero a puta quero a puta.
Ela arreganha dentes largos
De longe.
Na mata do cabelo

Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente.
A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar

De crescer e querer

A puta que não sabe

O gosto do desejo do menino

O gosto menino

Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.

FONTE:
www.astormentas.com/poema

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

CANTINHO INFORMATIVO, Jogo das Bichas.

Bloco realizará “Jogo das Bichas”

Os componentes, Ednaldo Luiz e Pepeu, juntamente com todos os outros componentes do Bloco Haja Loira do Alto da Boa Vista-Caicó/RN, convidam a todos que queiram participar do jogo das virgens, mais que neste bairro os organizadores fazem questão que ele seja chamado de “JOGO DAS BICHAS” que será realizado no dia 22/ 02/ 2009 (Domingo de Carnaval), às 16:30hs.

A partida será filmada e fotografada. Este blog recebeu o convite da organização e marcará presença sem dúvida. Além do jogo haverá música ao vivo. Os tempos de duração da partida serão de 30 (trinta) minutos cada.

O Jogo das Bichas no Alto da Boa Vista foi idealizado em 2003 pelo queijeiro Pedro Cecílio Pereira Júnior, conhecido popularmente por Júnior Queijeiro. O mesmo defende que criou esse Jogo para vivenciar a folia do Carnaval de Caicó. Os jogadores, como já se sabe, são homens vestidos e maquiados de mulheres que, movidos pelo álcool, dançam, correm, gritam e extravasam de euforia por uma das festas mais populares do Brasil. O Carnaval caicoense refletido no Alto da Boa Vista é um marco registrado na História daquele bairro.

Por isso, o Bloco Haja Loira, cumprindo o seu dever social, resgata essa tradição que ficou adormecida desde 2006 e revive os momentos de euforia e entusiasmo dos cidadãos boa-vistenses.

Essas informações nos foram enviadas por Ednaldo Luiz dos Santos, presidente do bloco haja Loira do alto da Boa Vista.

BLOG: anselmo.santos.zip.net.com