sábado, 20 de junho de 2009

POETA César Conto

soneto del amigo
Vinicius de Moraes

En fin, después de tanto error pasado,
tantas represalias, tanto peligro,
resurge en otro el viejo amigo
nunca perdido, siempre reencontrado.

Es bueno sentarlo nuevamente al lado
con ojos que contienen la mirada antigua
siempre conmigo un poco tribulado
y como siempre singular conmigo.

Un bicho igual a mí, simple y humano
sabiendo moverse y conmoverse
y a disfrazar con mi propio engaño.

El amigo: un ser que la vida no explica
que sólo se va al ver otro nacery
el espejo de mi alma multiplica.

Versión de César Conto

POETISA Eugênia Kelly



Poesia: Roda da Vida
Poetisa: Eugênia Kelly.
Todo dia acordar
Comer, ir trabalhar
Seguir a ideologia
Deixar-se dominar
Vista essa roupa
Corte o cabelo assim
Beba Coca-Cola
Vote em mim
Tenha um filho
Passe no vestibular
Pague suas contas
Está na hora de casar
Não vá perder a novela
Faça depilação
Creia em Deus
Mostre que sabe a lição
Ideologia
Hipocrisia
Fantasia
Rimo com azia ou com porcaria?
Pense, quebre a cabeça
O que ser quando crescer?
Viva certo, viva errado
Um dia você vai morrer...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

TRAGÉDIA DAS SEIS MENINAS


POESIA: TRAGÉDIA DAS SEIS MENINAS.
POETA: EDNALDO LUIZ DOS SANTOS.

Numa noite de quinta-feira, de muita ventania.
Uma turma de meninas gozando de uma euforia
Arrumavam-se, com um destino traçado.
O tempo estava sem duvida marcado
Para uma concentração política pré-anunciada
Saíram alegres, gritantes e sorridentes.
Com seus sonhos em realidades diferentes
Em busca da diversão e do namoro
Sem soltar por nenhuma causa uma lágrima de choro
Mas encontraram uma tragédia encomendada.

Desceram o Alto, “cientes” da diversão.
Iam todas juntas unidas com o coração
Aproximaram-se do “trevo” da agonia
Sentiram-se na pele a brisa da alma fria
E esperaram a assassina da morte alcoolizada
Ela veio com toda a sua velocidade
Não prevendo uma tamanha fatalidade
Arremessou com força uma turminha
Jogando para o alto uma moreninha
Destruindo seus sonhos e tua vida organizada.

E feriu outras tantas deste bando
O sangue triste da injustiça derramando
Fez o coma da sextilha tão feminina
Um veículo produziu a intenção assassina
Mutilando os corpos das crianças no canteiro
Muitos gritos produziram um triste eco
Parecia um brinquedo de boneco
Manuseado por um alcoólatra desgovernado
Que fugiu na mesma hora embriagado
Para se livrar do Código Penal brasileiro.

Uma ficou estendida, infeliz e dormindo.
Na cama eterna quando se está partindo
Para um mundo onde tudo é mais bonito
Cinco vítimas foram acudidas por um grito
Da ambulância do socorro social
Transportaram na maca com segurança
O destino maldito de cada criança
Estava nas mãos do grupo de doutores
Que vieram prestar bons favores
No atendimento urgente de um hospital.

E velaram e sepultaram o corpo da falecida
E rezaram para Deus proteger a vida
De cada menina com seu estado agravante
Foram três para Natal no mesmo instante
E duas ganharam a sorte do mundo
Das três que foram na ambulância para a capital
Uma preferiu viajar para o mundo imortal
Depois de sete dias penosos de vivência
Não resistindo o teor grave da violência
Dormiu em um eterno leito moribundo.

Mas as duas vivem no Paraíso do amor
Longe das injustiças, das tristezas e da dor.
Enquanto às quatros resistem com bravura
As dores na matéria imunda da criatura
Que protege, com esmero, um pensamento.
Este que pensa, mas às vezes falha.
Quando a raiva se encontra na navalha
E a solidão se afoga na bebida
Uma vida que destrói uma outra vida
Faz-nos bichos medíocres por um momento.

O monstro alcoólatra, pelas ruas, vive solto.
Perambulando num caminho meio torto
O remorso miserável não lhe consume
Pois no seu corpo corre o sangue do estrume
Tirado da imundície da treva mais escura
A grande Sant’Ana estremeceu no sepulcro
E quase arrebentou o seu invólucro
De perdoar o erro de todo cristão
Sanguinário e bandido sem coração
Que merece sofrer o drama da sepultura.

Um pai devedor que estava na cadeia
Que agrediu com vontade a vida alheia
Foi o pai de uma vítima que morreu
Desesperado, na prisão, ele se compadeceu.
E quis vê a sua filha pela última vez
Vendo a mesma no aconchego de um caixão
Não conteve a calmaria de sua emoção
Chorou na agonia com soluço e bocejo
E no rosto da sua filha ele deu um beijo
Confiando na justiça dos homens e suas leis.

A mãe da outra vítima ainda chora
Pois a falta na morada muito vigora
Sendo difícil suportar a triste ausência
A sua pobreza aumenta sua carência
Precisando de assistência financeira
Os Políticos se aproveitando da ocasião
Na politicagem, cinicamente estende a mão.
Prometendo ajudar com um bocado
E o monstro será talvez indenizado
Para dar uma esmola imperdoável de feira.

O grande Deus, Pai da Humanidade.
Dará às sobreviventes a felicidade
Pois a vida terrena sempre continua
Mesmo quando a dor se fizer muito crua
E for simbolicamente expressa por uma cruz
Os humanos que matam um dia sofrerão
Com o carma moralizante de um perdão
E quando o alcoólatra se lembrar lá do canteiro
Entrará, por excelência, num horrível desespero.
Chamando loucamente pelo nome de Jesus.




Por: Ednaldo Luiz Dos Santos.
Feito Dia: 13/ 09/ 2004.

ESPAÇO DOS POETAS, por Gonçalves Dias



Poeta: Gonçalves Dias


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens!Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!


É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!


É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

É condensar o mundo num só grito!


E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma, e sangue, e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda a gente!


sábado, 13 de junho de 2009

ESPAÇO DOS POETAS, por Ismael Gaião da Costa


Poesia: No nordeste é diferente, é assim que a gente fala
Poeta: (Ismael Gaião da Costa)


No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala

Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego

Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado

O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado

Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala

A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega

Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego

Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala


Fonte: http://culturanordestina.blogspot.com

POETISA IEDA LIMA.

Soneto: Afeição

Poetisa: Ieda Lima

Ó lua de insigne sabedoria,

cuja existência ao Cosmo se compara,

não pelos anos-luz que contemplara,

mas, no cônscio de sua minoria.


Sabendo-se pó que o pó dispersara,

não desejou mais do que poderia,

apenas quis da noite a parceria

para consigo, o céu, ornamentara:


Utilizando o sol como luzeiro,

fez de seu próprio corpo um candeeiro

ue ilumina o poeta solitário.


Quando no fulgor de seu sentimento,

incide sobre ele um contentamento,

acompanhando-lhe pelo calvário.

Ieda Lima / Caicó-RN

Ieda Lima é uma grande poetisa que conheci na UFRN, Caicoense que faz parte do Clube dos Trovadores de mCaicó.

ESPAÇO DOS POETAS, por Pinto Monteiro.


Poeta: (Pinto do Monteiro)
Poesia: Versos Soltos


Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece

Esta palavra saudade
conheço desde criança
saudade de amor ausente
não é saudade (é lembrança)
saudade só é saudade
quando morre a esperança

Aonde eu chego, não vi
Mal que não desapareça
Raposa que não se esconda
Bravo que não me obedeça
Letrado que não me escute
Cantor que não endoideça

Cantar com quem canta pouco
é viajar numa pista
com um carro faltando freios
o chofer faltando a vista
e um doido gritando dentro
atola o pé motorista

Minha corda não se estica
não se tora nem se enverga
da terra pro firmamento
meu pensamento se alberga
em um lugar tão distante
que lente nenhuma enxerga

Eu vou fazer uma casa
na Serra da Carnaíba
a frente pra Pernambuco
as costas pra Paraíba
só pra não ver duas coisas:
Nem Sumé, nem João Furiba

Há vários dias que ando,
Com o satanás na corcunda:
Pois, hoje, almocei na casa
Duma negra tão imunda,
Que a prensa de espremer queijo
Era as bochechas da bunda!


Fonte: http://culturanordestina.blogspot.com