sábado, 29 de dezembro de 2012

TODA A ERA DE 12 É RUIM MESMO DE CHUVA NO SERIDÓ

VEJAMOS ABAIXO UM DOSSIÊ DE PRECIPITAÇÕES DE CHVAS OCORRIDAS EM CAICÓ DESDE O ANO DE 1912 ATÉ O EXATO ANO QUE SE FINDA.

PRECIPITAÇÕES DO MUNICÍPIO DE CAICÓ

ANOS TERMINADOS EM 02


Ano                                                     Precipitação (mm)

1.912                                                          822,3

1.922                                                          704,6

1.932                                                          111,1

1.942                                                          222,1

1.952                                                          722,9

1.962                                                          520,0

1.972                                                          979,7

1.982                                                          648,3

1.992                                                          486,1

2.002                                                          991,2

2.012                                                         185,3

Fonte: Gerência de Meteorologia - Emparn.
Postagem retirada do blog: http://www.vcartigosenoticias.com .

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A PROFECIA EDNALDIANA E O CÁLCULO DO FIM DO MUNDO

CARO LEITOR OU LEITORA desse espaço osmótico da persuasão adquirida, venho por meio desta carta cartófoga expor minha profecia sobre o citado e debochado Fim do Mundo. Eu recebi uma revelação da anja Caloira, habitante do espaço celeste conhecido por Postículo. Eu me chamo Ednaldo Luíz Maia, um descendente do meu povo os Maias, estes habitantes dessas terras que os malditos brancos ou morenos invadiram nos tempos de outrora. A anja me disse, abençoada pelo deus Édipo Fornicálio, deus supremo do Postículo, que o fim do ciclo humano se dará pela seguinte forma matemática: você pega o ano de 2012 e separa o 20 do 12; depois soma 2 + 0 e depois 1 + 2; depois você pega o resultado e multiplica um com o outro, assim: 2 X 3; o resultado que você vai encontrar é 6; depois você pega o ano de 2012 e dividi por 6 e encontrará o resultado no quociente igual a 335. Isso é um sinal que o ano final do ciclo que meu povo profetizou não está completo devido o fato de um ano ter basicamente 365 dias.
Mas a anja me disse que é porque deduziram o ano do fim do ciclo de maneira errada, pois a resolução é feita por meio de outro meio: você vai pegar o ano de 2012 e vai separar o 20 do 12; vai em seguida somar o 20 com 12 e vai obter a resposta 32; depois você vai pegar esse resultado e vai dividir por 6 e encontrará a resposta 5 e uns quebrados; de modo que esse valor vai corresponder as cinco gerações que eu já foram explicadas nesse blog em uma das postagens antigas. Dessa forma, nós, da geração de humanos pertencemos a sexta geração de seres vivos da Terra, uma espécie altamente destruidora que não mede esforço pela saciação e poderio de uma invenção cultural capitalista que promove o progresso mais deixa um rastro de destruição sobre tudo aquilo que é natural na Terra. A anja me disse que somos agora uma forte ameaça para o fim desta sexta geração e que no mais tardar do sêxtuplo de 5 multiplicado em anos ( isso porque 5 x 6 = 30, que corresponde aos 30 dias que faltaram para interar um ano do Fim do Ciclo da fraca profecia dos 335 dias de 2012) o mundo conhecerá o seu Fim já que todos estarão malfadados com a anedota do Fim do Mundo.
Assim, se você somar 2012 + 30, encontrará exatamente o Fim do Ciclo desta vez profetizado por mim, nobre descendente do povo Maia.
E mais... Você sabia que a anja me disse que Jesus virá a Terra com a mesma idade que ele tinha quando foi morto? Pois é! Jesus virá de novo a Terra na primeira dezena adicionada ao ano 2012, feita pelo seguinte cálculo: no nosso alfabeto as letras do nome M_A_I_A obedecem a uma sequencia na ordem em que elas estão organizadas, ou seja na posição real em que elas foram arrumadas; o M ocupa a posição 12, o A a posição 1, o I a posição 9 e o A novamente a posição 1; se você somar as posições 12 + 1 + 9 + 1 dá igual a 23, faltando somente em anos 10 anos para inteirar a idade de Cristo na Terra; daí só é pegar esse 10 e somar com 2012 e encontraremos o ano em que possivelmente o Messias virá de volta a Terra;
Depois do ano que o Messias virá a Terra, este planeta terá 15 anos de trevalia e mais alguns anos suspensos de sofreguidão. Nesse período todas as calotas de gelo já devem ter derretido devido às altas temperaturas da Terra e as infinitas toneladas de gases na atmosfera. Muitas cidades do litoral serão aniquiladas pelas fúrias das águas em tsunamis. A água doce será escassa em quase todo o mundo e existirá na proporção de 5% em todo o planeta. As ondas de ventos fortes entrarão em declínio e as brisas quase não existirão mais. Todos os animais somarão 3% de existência por causa da extinção. A produção alimentícia vai mendigar e os terremotos serão freqüentes, podendo até ocorrer rupturas nas placas tectônicas causando fendas profundas no calabouço terrestre.
Faltando 10 dias para o Fim do Ciclo, a Terra viverá 3 dias com 3 noites de escuro profundo, onde nenhuma luz se acenderá, nem mesmo vela já que o buraco na camada de ozônio estará tão grande que o os gases serão poucos e insuficientes para manter o fogo de vela aceso. O homem que não se resguardou de mantimentos alimentício morrerá a míngua. E nos últimos 7 dias, sete pragas vão incomodar os seres humanos, a cada dia terá a Terra uma praga diferente e isso diminuirá cada vez mais a população, está que já foi fortemente dizimada por cerca de 1000 cânceres diferentes. E no Dia D da explosão todos os vulcões entrarão em erupção, as placas bateram com velocidades jamais vistas pela sociedade e a Terra aquecida será banhada pelo magma incandescente e a espécie humana será varrida do mapa para todo o sempre. O Postículo estará cheio e o Messias que foi morto pela segunda vez na Terra está lá em espírito para salvaguardar as almas dos homens que perceberam que o capitalismo foi à desgraça da humanidade.

Adeptos do Fim do Mundo

A Natureza Criadora e a Criação da Cultura Apocalíptica

Se a gente se perguntar quando é que vai ser o Fim do Mundo? Um ser humano qualquer saberia responder? A resposta é óbvio e evidente que NÃO! O homem jamais saberá quando é que a Terra terminará o seu ciclo, nem tão pouco a Bíblia poderá profetizar os agrúrios do Fim do Mundo. Se Deus é a imagem e semelhança do homem também ele próprio não saberá porque ele “criou” o mundo e deu possibilidades deste mundo gerar vidas. Todas as vidas geradas na Terra é animal ou é vegetal. Todo ser vivo vivente na Terra está limitado ao próprio mundo terrestre e nunca e jamais a percepção do homem irá alcançar os desígnios que a natureza determinar. De modo que quem pensar que não haverá a grande e liquidável catástrofe do Fim do Mundo é um mero beberrão humano, que tem medo de morrer e se acha imortal. Muitos homens se acham mais sábios do que a natureza, esta criada por força energética, mas enganam-se, pois são meros tolos habitantes de um mundo pouco conhecido.
Nenhum ser humano é capaz de entender a Terra por completo, pois a natureza é um enigma que age sorrateiramente contra quem lhe fere e causa-lhe dor. Esses vermes habitantes da Terra que se dizem raças superiores as demais existentes no universo são hipócritas de sua sabedoria. Estão embricados dentro de uma cultura mesquinha e autodestrutivel e nem se quer param para refletir sobre sua ação sobre a Terra, e se param para fazer a reflexão desviam imediatamente o pensamento e arranjam desculpas ou soluções medíocres para tapar a ferida que já está corroendo como seqüelas. Essa cultura é senão a Capitalista que já transformou os seres humanos em meros consumidores selvagens, onde parar para viver do contrário é uma tentativa suicida devido o simples fato do mundo circundante de cada ser vivo está engajado dentro de um consumo e comodismo.
A corja de seres humanos que pensam que não são animais é grande. E essa arrogância é sentida pela temperatura da Terra que capta essa vivência quase que eqüidistante do solo terrestre. É como se o homem estivesse vivendo flutuando, sem os pés assentados no chão. São mesquinhos e interesseiros esses seres humanos. Todos nós, por nossa arrogância e prepotência estamos funcionando como uma praga autodestrutível que está ferindo a natureza da Terra e esta deve agir de uma hora para outra, sem que ninguém perceba, para uma explosão total.
É de se lembrar que se a Terra vir a explodir, suas partículas não serão despedaçadas no espaço devido a força da gravidade que a Terra detém. O falatório de dizer que a Terra vai se acabar é pura tolice, visto que quem vai se acabar são todos os seres vivos que não conseguem viver com muito calor, com muito fogo. Nem todos os seres vivos vão desaparecer, pois existem muitos microorganismos que sobrevivem com altas temperaturas.
A Ciência diz que em eras remotas a Terra era uma “Bola de Fogo” com magmas de vulcão escorrendo sobre toda o Planeta, era um mingau encandescente e borbulhante que nenhum ser vivo que não suportasse quentura conseguiria viver. Quando a Terra por natureza resolveu esfriar muitos gases vindos do calor começou a dele se desprender e a formar o que nós chamamos hoje de atmosfera. Daí, houve uma chuva universal e formou os mares, oceanos, rios, lagos e lagoas que existem na Terra. Segundo a Ciência, foi a partir da água que surgiu todos os seres vivos da Terra, incluindo o Homem. A existência do homem pode ter uma relação de intenção natural, ou seja, a natureza criou todas as espécies vivas, mas autodeduzia que isso seria um caos na Terra devido o fato da natureza ter dado a oportunidade dos seres vivos se reproduzir. Dessa forma ela cria a presa e o predador, cria o produtor e o consumidor, cria uma relação de interdependência indissociável numa cadeia primordial na qual um ser vivo é passivo de comer o outro. E ela também cria o homem, um animal estupendamente destruidor, onde por inteligência ele procura suprir seus interesses sem pensar num futuro aniquilador. Todo ser vivo tem a capacidade inata de tomar sua decisão de destino vital, inclusive as plantas. E é esta capacidade que traceja um mundo de vitórias ou de derrotas. Mas é bom de se pensar que o mundo de vitórias é tão prazeroso que deixa todo ou qualquer ser vivo inocente para as armadilhas da vida, de modo que pode haver todo o policiamento individual ou suas precauções, mas sempre todo o prazer se acaba com a saciação incontrolada.
Então não é preciso ser um profeta, nem dizer que o algo escrito foi uma revelação de um ser que não se prova sua existência, ou que um povo antigo como os Maias tenham profetizado um tal de apocalipse para o Fim do Mundo, já que basta analisar com a inteligência que a natureza nos deu que tudo que existe de vida em grande quantidade destrói a natureza de amparo a existência. De modo que todo ou qualquer homem que almeje “desvendar” o fim de um transtorno por ele criado e por seus viventes de mesma espécie é um tolo, um babaca, um filete de excreto, pois além dele não se perceber animal ainda cria ilusões que ganham o consentimento de uma maioria que se deixam bestializar-se para criar uma cultura ou uma religião que lesam os inocentes de inteligências e constrói uma legião de seguidores e propagadores de uma filosofia ilusicionista.
Quantos fins do Mundo já não foram profetizados? Quantas teorias apocalípticas não forma expostas em texto bíblicos? Quantas filosofias ilusicionistas não foram criadas para assentar a figura divina de um Salvador para um mundo de interesses? Quantos homens não forçaram a sua mente, fugindo da condição de animal, para construir um Deus fora da natureza geradora afim de que ele pudesse acalentar o sofrimento vital e pudesse dessa forma arcar com a resolução das necessidades individuais?
Criou-se um Deus para resolver problemas humanos, para tentar purificar o ser humano afins de que ele possa viver numa sociedade e resguarde o seu interesse individual para mesclar-se com outro de mesma categoria. Criou-se um Deus para guardar a ilusão do espírito do homem que conseguiu controlar os seus interesses e mesclá-los com os de outrem e levar esse espírito para um mundo de prazer total e eterno, um paraíso. Criou-se um Deus para castigar os indivíduos que não conseguiram mesclar seus interesses com os do próximo.
Essa criação foi tão significativa que contagiou muitas massas( onde antes estavam todas imbricadas num politeísmo medonho) de seres humanos que começaram a incorporar imagens divinas e a produzir na procriação seres paranormais que dotados de um poder de cura extremamente convincente devido o fato da força de pensamento desses seres ser muito dominante no psiquismo deles e somam-se também as forças dos outros homens que compartilham com a ideia desses seres que se mostram iguais aos homens no formato, mas diferentes no poder mental. Tantos foram os homens que tiveram visões e sonhos desse ilusicionismo mental e criativo que passaram a escrever sobre essa produção por uma conduta natural de fertilidade mental. Foi daí que surgiu a Bíblia, O Alcorão, entre outros livros construídos por uma união de pensamentos sociais. Cada um dos homens expôs seus pensamentos de ensinamentos conforme seus interesses e necessidades, partindo do princípio da existência de um Deus único.
E analisando o comportamento humano, esses homens construíram suas proposições de Apocalipse numa tentativa de convencer por análises próprias os infiéis e não mescladores de seus interesses, tentando-os livrar de um egoísmo e de um mundo anti-social. Trazendo-os para dentro de uma cultura religiosa de ilusicionismo contemplável. A idéia de discípulos foi justamente a busca pela propagação da cultura religiosa criada num contexto de invenção humana.
O homem desde cedo logo percebeu que deveria criar um lado espiritual para explicar o surgimento do mundo que lhes cercava e também para resolver seus desejos e interesses mentais. Toda a querência do homem está na sua cabeça, pois o cérebro criado pela natureza é uma caixa de enigmas e invenções espetaculares que quando analisadas por outrem enchem os olhos de admiração e vislumbre.
Todavia, uma coisa é fato: a natureza criou o homem para inventar, pensar, buscar e persuadir. Tudo isso para o jogar no corredor de sua autodestruição.

A VELHA QUE ABANAVA A SAIA

AQUELA velhota da persuasão social está na fase mais contundente de toda a espécie humana. É a fase do fogo multiplicado. Uma fornalha começa a entrar em efervescência a partir de quando a portadora dessa necessidade especial já tem passado dos trinta e cinco anos de pura fornicação. O calor era tão grande que a velhota que eu observava não se controlava e partia para o abano no pano, uma saia de espessura comprida que fazia aquela rodagem no chão. A velha parecia não querer esconder o seu fogo da burrega, tanto é que ela mesma avisava quando ia se abanar com a saia. Ela devia está com a velha rachadura ultrapassada pelo tempo, já temperada constantemente com a lactose do excreto, um derivado de cor esbranquiçada. A rachadura já está em fase muchenta, trincável, com os beiços esturricados devido o enfrentamento de muitas e muitas secas prolongadas no sertão do semiárido.
A velhota ainda pensava de antemão num refrescamento a base de ar refrigerado naquela região hanchurada pela cortina de empacotamento frontal. Mas enquanto isso não se procedia como resolução, havia sempre a necessidade do manuseio de um copo d’água para o refrescamento homogêneo daquela região que a saia de cruviana assoprava com bastante aliviação.
E o bom é que não se sabe se teremos boas previsões de refrescamento para o ano vindouro devido o fato da sequidão se manter estável na citada região. De modo que aquela região ficará com o mesmo problema, pois a idade avança e o calor se conserva com todo o fervor.

MINHA CARA ESTÁ QUERENDO – SER CORTADA POR NAVALHA.


POESIA/MOTE: MINHA CARA ESTÁ QUERENDO – SER CORTADA POR NAVALHA.

POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Escalei uma muralha
E fiquei quase morrendo
O meu pé ficou doendo
Feito bicada de gralha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

Fui juntar uma maravalha
Pra fazer água fervendo
E o calor me corroendo
Nessa seca que me valha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

A falta d’água atrapalha
Pois o gado vai morrendo
E o caboclo se valendo
Sem ver água em sua calha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

Tem a fome que se espalha
E a pobreza vai sofrendo
E a virtude se perdendo
Feito leite quando coalha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

Vejo o mundo em mortalha
Quando um livro estou lendo
O homem que só compreendo
É vestígio de porcalha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

A mulher que me agasalha
É uma puta que só vendo
Sua vida está fedendo
Feito lixo de metralha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

Minha deusa quando malha
A brancura vai perdendo
O valor que se está tendo
É bagaço só de palha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

A criança que bem trabalha
Perde a vida se vendendo
Com estupro só crescendo
Por causa da moda falha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

Não deixo de ser canalha
Vendo o povo se fodendo
Todo mundo se metendo
Num consumo que não talha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

A política que empalha
Um lugar desenvolvendo
A violência vai crescendo
E todo amor se embaralha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

O leitor não pega palha
Minhas obras, fica lendo
Muito vai me conhecendo
Meu veneno pouco falha
Minha cara está querendo
Ser cortada por navalha.

Feito dia: 26/ 12/ 2012.

URUBU, O BICHO DA SECA.


É UM BICHO MEI ISQUISITO ESSE TAL DE ARUBU, COMO CHAMA-SE AQUI NOS SERTÕES. O ARUBU SE APRESENTA COM A COR PRETA QUE NEM TIÇÃO DE FOGUEIRA, COM UM BICO PONTIAGUDO E OS ZÓI BEM ATIVO EM CONSONÂNCIA COM O OLFATO AGUÇADO. DE LONGE O BICHO PRETO CONSEGUE FAREJAR O CHEIRO DE CARNIÇA APODRECIDA. ELE NA REALIDADE É O AGOURO DA MORTE DEVIDO O FATO DELE FICAR SÓ ISPERANO O SUCUMBO DO SER VIVO DA CAATINGA.
AGORA EM PRENO TEMPO DA SECA, OS ARUBUS ESTÃO NOS SEUS MAGOTES, FAZENDO VÔOS E MAIS VÔOS RASANTES SOBRE AS CARNIÇAS DE GADO QUE SE MORRE AOS MONTES. É FÁCIL NESSE TEMPO VOCÊ ANDANTE DA CAATINGA SABER SE NUMA DETERMINADA ÁREA DA ZONA RURAL MORREU GADO. BEM DE LONGE VOCÊ AVISTA COM TODA SATISFAÇÃO UMA REVOADA DE ARUBUS, ANDANDO EM BANDOS E ISPETECADOS NAS ÁRVORES COMO UNS ENFEITES DE ÁRVORE DE NATAL.
MAS É IMPORTANTE FRISAR QUE O QUE PARECE AGOURO DA MORTE PRA NÓIS, É UMA ALEGRIA PROFUNDA PRA OS ARUBUS, JÁ QUE É NESSA ÉPOCA QUE ELES SE ALIMENTAM BEM, QUE ELES GARANTE SUA EXISTÊNCIA, É A LUTA PRO SUA SOBREVIVÊNCIA.
QUANDO ELES CHEGA PERTO DE UMA CARNIÇA, ELES JÁ VÊEM TUDO SEDENTOS COM O CHEIRO E SENTEM UM PRAZER IMENSO QUANDO DÃO BICADAS FORTES NO COURO DO DEFUNTO MORTO. SUAS BICADAS SÃO TÃO AGRESSIVAS QUE RAPIDAMENTE UM ARUBU PREFURA O CORPO DA CARNIÇA E PUXA AS CARNES MORTAS COM FORÇA PARA O SEU DEGUSTE.
Ô ARUBUS SABIDOS!

A ANÁLISE DA VOVÓ


VOVÓ, vá caçar uma lavagem de roupa! Procure pegar um monte de cueca pra você suspirar com seus odores. Deixe a vida do poeta em paz! O poeta precisa te analisar ao invés de você. Vá namorar o Fidel pra ver se você encontra a liberdade socialista! Deixe o poeta suspirar a exatidão dos fatos e não fique incorporando caramiolas na cabeça se não você vai enlouquecer. Vá fazer um café com a meia velha do seu insumo e me deixe fomentar a razão dantesca do amor contrabandeando. Vá fumar o que não é droga para fazer de sua vida uma droga de existência. Vá catar cabelo em ovo para ver se o poleiro da galinha é rígido e forte pra te agüentar. Mas não se intrometa nos assuntos do poeta se não você será motivo de zombaria. Quem dentre vós que cai nas garras do poeta, cai na boca do povo e vira motivo de chacota.
Não pense que o eu lírico do poeta é fácil de se entender não. O eu lírico do poeta é um labirinto enigmático que nem mesmo o Dom Casmurro foi capaz de deixar pistas para o triunfo final. Nem se quer a Marília de Dirceu que não deu ouvidos ao seu autor deixou seus rastros da persuasão adquirida. Como é que uma vovó dessas pode dizer que conhece o eu lírico do poeta!
Vou te contar um detalhe: o eu lírico do poeta me disse em conversa informal que a sua grande virtude é tocar nas ínguas das pessoas sem intenção do deboche e sem classificar o nome de ninguém. Ele disse que quem sente a coceira do que é exposto é sinal que tem uma pulga por trás da orelha.
E isso para ele é experiência própria. Ele já vivera o deguste da acusação sem uma comprovação e não se limitou ao caso do acaso. Apenas vivenciou o fato sem as vísceras que é de fato.
Por isso vovó não levante hipóteses contra o poeta. Não aponte uma resposta sem o devido dedo apontado, ou você vai se desapontar com o poeta.
O mal da velhice é o sexo sem gosto.

MANDELIA VADIA

POESIA: MANDELIA VADIA

POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Você se esconde
E eu não te acho
Só vivo num facho
Mandelia Vadia
É de noite, de dia,
Que fico batendo
No fone dizendo
Ai, ligue pra mim!
Se não me acabo
Pegando no cabo
Deste alfinin.

Você só me olha
Querendo atenção
Mas deixa na mão
Mandelia Vadia
É de noite, de dia,
Nesse vai e vem
Querendo também
O tom deleitado
Ajuda de feme
Pregada num leme
No leito salgado.

Você me deseja
No tosco momento
Matando o fomento
Mandelia Vadia
É de noite, de dia,
No jogo sereno
Jogando veneno
Me deixando fraco
Eu fico tremendo
Quando estou querendo
Entrar num buraco.

Você bem duvida
Do que sou capaz
Me botando gás
Mandelia Vadia
É de noite, de dia,
No calejo a parte
Estou com enfarte
Nesse veranico
Estou numa osmose
Com tanta lactose
Enchendo penico.

Eu posso viver
Do jeito que vivo
Sem ter o seu crivo
Mandelia Vadia
É de noite, de dia,
Atrito carnal
Um bem digital
Fazendo lambança
Fechado na casa
Querendo ter asa
Na forte lembrança.

Feito dia: 26/ 12/ 2012.

A ARTE DE DAR NO NATAL

A GERAÇÃO COM VIDA DATIVA NO NATAL


EU vi um padre dizendo que o velho Noel foi na realidade o São Nícolas que gostava de dá euforicamente, pois ele se sentia o máximo em poder saciar os desejos mais afincos da sociedade do seu tempo. Ele deu tanto que passou a imagem para as gerações futuras como um sujeito que deve dar, mesmo não querendo, para satisfazer o bem comum. As pessoas são exigentes até os últimos suspiros.
Foi ai que se criou no auge da tradição natalina a arte do se dá e receber, visto que quem dá a única maneira de ser recompensado é aceitar o receber com todo o afoitamento genérico. Quem recebe vai dar por que o homem tem a capacidade de criar meios como o Amigo Secreto só pra ter a simples missão do provar da doação.
A idéia de dar perpassou as gerações futuras com tal afinco que chegou nos nossos tempos com novas roupagens onde as pessoas inventaram um ato cívico e profetizaram a arte dativa como meio de libertação da ordem humana preestabelecida por uma idade de trevas. O homem quis mudar com a idéia de dar.
O próprio significado de dar exprime uma idéia de libertar-se de algo, de sobrepor-se a algo ou de unir-se a algo.
Daí São Nicolas foi um velho muito bondoso e doou sua riqueza para os mais necessitados da região. E isso fora um presente mesmo na época do festejo a data que o Cristo nasceu. Desde essa época, de geração para geração, é costume dar, no sentido de presente, um presente a quem alguém mais deseja saciar-lhe. Dar presente é um sentido generoso da palavra dada.

OS CASÓRIOS DE HOJE.


FOI DESDE OS TEMPOS DO REGIME MILITAR que a sociedade brasileira ao comando da juventude inovadora decidiu criar uma oportunidade para fugir daquilo que os militares pregavam com bastante entusiasmo: o casamento. Isso seria dentro do contexto civil e religioso, mas precisamente o católico. A oportunidade foi senão o contrário de tudo. A juventude teve de criar uma maneira de consumir os seres humanos sem dever satisfação nem a eles e nem a sociedade circundante. A criação foi “o Ficar” que desde o seu uso feito por jovens intelectuais, drogados pelas circunstâncias da vida, vem sendo uma oportunidade afinca para libertar-se das algemas que se faz em um esposório.
De modo que os casórios de hoje adotaram e muito essa idéia do “ficar” ou “enfincar” sem compromisso. Se um casamento não der certo ambas as partes podem pegar o beco. Mas acontece é que muitos homens e raras mulheres ainda ficam com um sentimento atrelado ao coração depois que se separam e muitos desses amantes separados tendem a cometerem desatinos de violência contra a vítima separada.
Os casórios de hoje favorecem mais a vida da mulher do que a do homem visto que quando há uma separação quem fica com a maior parte do bolo capitalista é a mulher que mesmo na empreitada de conseguir um lugar na sociedade acabam, com uma atitude dessas, dependentes do capital machista. Isso mesmo, a Lei às vezes pensa que ajuda mais faz é prolongar mais a condição submissa da mulher em relação ao homem.
Mas em relação aos casórios de hoje, o ficar tende a bagunçar os relacionamentos conjugais de tal forma que a separação pode ocorrer a pequeno, médio e longo prazo.
Dessa forma pelo que eu observo, não adianta fazer mais as cerimônias processuais de casar com véu e grinalda, e fazer aquele banquete para alimentar os convivas, se nem a virgindade, tão ourificada pelos homens, é conservada na maioria dos casos de casórios tanto no mundo como nos sertões seridoenses.
Pelo que eu observo, a idéia do casório é mais dada às seridoenses do que aos homens de outrora. As mulheres sonham mais com esse tipo de cerimônia devido o fato dela embelezar e embonecar esses eventos de caráter expositivo. Não se pode negar que um evento desses é bonito, mas é um teste de gasto para saber se o mancebo detém fortunas escondidas ou se ele realmente está querendo se esposar com a aparente donzela aureolada.
São casos raros que você ainda encontra no Seridó. É difícil você encontrar um casal que tenha noivado muito tempo e depois que juntou muito dinheiro faça um casamento em uma igreja qualquer. Eu mesmo conheço gente que se casou escondido só para não alimentar a gentália dos convivas. Há gente que noivou mais de dez anos e ainda não sabe se ama o ser ou ama o ter. Há gente no Seridó que preferiu se amancebar com outrem, pois a vontade de desaflorar era tanta que não se podia esperar tanto tempo de namoro e nem tampouco tanto tempo de noivado. Há gente da poupança grande que preferiu se casar logo pelo interesse capitalista e pelo medo da solidez mesquinha, do que ficar com a poupança grande sem ter ninguém para investir num paraíso fiscal. Há gente mulher que sabe que o marido lhe trai e não o deixa pelo simples fato de não ter ninguém que lhe ampare financeiramente falando. E há gente que se casou na igreja local, prometendo a Deus juras de amor eterno e quando a fêmea engordou o macho deu-lhe um pé na bunda e procurou outra fêmea de corpo mais sarado. E tantos e tantos outros casos que eu observo e deduzo que os casamentos de hoje não passam de um passatempo do jogo de interesse humano.

NUVEM BRANCA.


POESIA: NUVEM BRANCA.

POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Você que desfila por este espaço de pedestre
Procurando um lugar para respingar
Vai encontrar uma morada bem fechada
Sem ninguém para lhe mandar entrar
Vai encontrar o lugar que se perdeu
E o espaço que um dia você conheceu
Se fechou para nunca mais amar.

Você pode até fazer uma tocaia
Mas será tão mesquinha e quase em vão
Pois o espaço que você bem respingou
Estará ressecado em pleno chão
Nunca mais a terra nostra vai se molhar
Pois o Sol fez a vida evaporar
No clamor do agouro do sertão.

Mesmo que você se mostre apetitosa
Como um mar que é belo e tão salgado
Tua água está com gosto tão salubre
Uma aventura num momento impensado
Só consegue trazer dor e ruim tristeza
Uma nuvem que buscou tanta beleza
Só agora chora a lágrima do pecado.

E agora com seu fiapo a tiracolo
Só almeja ter a forma mariana
Pra o despejo de água em enxurrada
Foi-se o tempo da beleza tão tirana
E agora você tenta respingar
Procurando um lugar pra te amar
Nuvem branca que avisto tão serrana.

Feito dia: 23/ 12/ 2012.

A BRANCA DE RUA

A IMAGEM TÃO BRANCA COSTUMAVA VISITAR A CASA DO MATUTO PENSADOR EM BUSCA DO CONHECIMENTO DO MUNDO E DOS SERMÕES QUASE BÍBLICOS DA EXISTÊNCIA COMPORTAMENTAL. ERA UM RESPINGO DE LUZ BRANCA QUE INVADIA OS APOSENTOS DO MANCEBO E PROCURAVA SANAR A QUERÊNCIA MALEÁVEL. SUAS NUVENS QUASE EM DECAIMENTO ATÉ QUE AINDA ENFEITAM A REGIÃO PASSÍVEL DE HANCHURAMENTO, SENDO QUE JÁ FORAM SUGADAS PELO TEMPO NEGRO E PELO FILETE BRANCO QUE SE DESPRENDERA DESSA LUZ. A POCILGA DO RIACHO RESSECADO PELO TEMPO JÁ NASCERA MUITA BABUGEM AO SEU ENTORNO DE TAL FORMA QUE JÁ NÃO SE XAXAM MAIS A TERRA DEVIDO AO CAOS DIABÓLICO DA SECA NO SERTÃO. SÓ SE VER AGORA É UM BRANQUIDÃO NA TERRA RECHAÇADA PELA PENUMBRA MAQUIAVÉLICA. QUE IMPLANTOU SEU FILETE E FUGIU PARA O COMPADECER DA IMAGEM. ELA AGORA SE ASSENTA NA RUA VISUAL COMO UM ELEFANTE BRANCO, SEM PERSPECTIVA DE VIDA FELIZ E AMOROSA.

NATAL CRISTÃO X NATAL PAGÃO.


POESIA: NATAL CRISTÃO X NATAL PAGÃO.
POETA: ZÉ BEZERRA.

A prática da caridade

E a partilha do pão
Restos e ações fraternas
De serviço e doação
Pessoas fazendo o bem
Assim é Natal cristão.

Consumismo exagerado
Comilança, curtição
Muitas farras, bebedeiras
Sem confraternização
Gastos com coisas supérfluas
Assim é Natal pagão.

Famílias que se reunem
Contritas em oração
Manifestando ao Senhor
Fé, louvor e gratidão
Felizes e solidárias
Assim é Natal cristão.

Troca de presentes caros
Comprados a prestação
Um papai Noel que exibe
Glamour e muita atração
Só com fins comerciais
Assim é Natal pagão.

Do nascimento de Cristo
Fazer comemoração
Com liturgia solene
Bonita celebração
Cantar hinos a Jesus
Assim é Natal cristão.

Natal com festas profanas
Mostra o aspecto pagão
Requinte e modismo fazem
Descaracterização
Da festa da cristandade
De qualquer povo ou nação
Se Deus um dia descer
Para a terra vai dizer
Que o Natal só deve ser
Literalmente cristão.

Autor: Zé Bezerra.
FONTE: http://sertaocaboclo.blogspot.com.br .

A MULHER QUE TINHA DOIS BUCHOS.


FOI NAQUELE LUGAREJO DE DIMENSÃO APOTEÓTICA, mas precisamente na região dos brejos que se sucedeu o fato. Uma mulher nasceu com uma anomalia escabrosa: dois buchos. Um dos buchos era na bunda, unindo as duas nádegas numa só poupança furical. O outro era na barriga mesmo, onde uma bola fazia a inspeção de enxerto medíocre. Ela vivia em ponto de equilíbrio constante, chegando até a ficar horas e horas em pé que não se movia nem pra frente e nem pra trás. Quando se avistava ela não se sabia se ela estava de frente ou de costas pelo simples fato dos dois buchos serem de mesma proporção.
Certa vez ela conheceu um mancebo e ai esposou com ele num desespero medonho, pois ela achava que ninguém iria querer ela por causa de sua anomalia. E teve de se abufelar num amor de encaixe tão grande que teve de ficar prenha. Quando ela foi pra parir teve uma confusão na hora do parto, pois o médico errara de barriga e acabou fazendo uma cesariana na bunda da coitada. Reconhecendo o erro, o doutor teve de golpear a barriga mesmo e retirou a cria de sexo não informado.
Os dois buchos até que ajudava a mulher, no sentido de que ela podia subir e descer ladeira sem perigo de cair.
Essa mulher era senão uma moradora dos brejos do imaginário poético.

EXPECTATIVA FALSA.



POESIA: EXPECTATIVA FALSA.
POETA: ZÉ BEZERRA.

O vinte e um de dezembro

Muito aguardado chegou
Trouxe o fim da primavera
E o verão começou
O dia foi, outro veio
E o mundo não acabou.

A profecia dos Maias
De mentira não passou
Só gente tola e sem fé
Nessa farsa acreditou
O planeta está no eixo
E o mundo não acabou.

Foi em vão o prognóstico
O calendário falhou
A falsa expectativa
Pouco tempo circulou
Tudo segue como antes
E o mundo não acabou.

A notícia apocalíptica
Que a mídia divulgou
Aos menos esclarecidos
Logo impressionou
Quem a semente da fé
No seu coração plantou
Não deu atenção a isso
De Deus jamais duvidou
Viu que a conversa fiada
Não passou de uma piada
E o mundo não acabou.

Autor: Zé Bezerra.
FONTE: http://sertaocaboclo.blogspot.com.br .

sábado, 22 de dezembro de 2012

LUÍZ GONZAGA JÁ ESTEVE EM CAICÓ.

HISTORIADOR: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.
SEGUNDO nossas fontes de pesquisas e já agora confirmada por falatórios dos divulgadores da História Caicoense, Luíz Gonzaga, o nosso Rei do Baião, já esteve em Caicó participando de descansos e de eventualidades festivas. 
O Rei do Baião gostava muito de se hospedar na casa do grande conhecido Basílio Ginane. Segundo informações avulsas ouvidas pela Rádio Rural AM de Caicó, O Lula, como era chamado o Rei, certa vez quando vinha de um show lá pras banda da Paraíba, passou por Caicó e foi se ter com a hospedagem do conhecido Basílio, mas o mesmo não se encontrava em casa, então Lula houvera de armar uma rede velha de varandas detalhadas na área do conhecido e se abalançar um tiquinho para tomar fôlego da viagem. Só depois que o conhecido chegou é que Lula fez suas saudações tão simplórias ao nordestinismo afinco. 
Na História caicoense também se houve relatos registrados de que o Velho Lula também já fizera alguns shows na antiga Praça do Mercado, uma praça que na época possuía um velho coreto (hoje Praça da Liberdade ou Praça Senador Dinarte Mariz) feito de madeira aonde O Lula se assubiu para cima e começou a puxar seus sortinidos de sanfona, cantando a Asa Branca para os costumes caicoenses. A platéia era senão formada pela mocidade caicoense e pela velharia que deu sustentáculo a nossa história. Muitos seridoenses foram lá pra ver o tão divulgado Rei do Baião que não enrolou o público com suas maravilhosas histórias, mas cantou a lira que o caicoense queria ouvir.
Se bem que pelo fato do coreto ser feito de madeira de vez em quando ele dava uma balançada e o nosso Rei do Baião com sua simplicidade exposta já conclamava o povo dizendo: "Oi, tá balançando!" E a plateia ficava tão abismada com o cheiro caboco do Rei que nem ligava pra isso. 
O Rei nessa época já andava com seu chapéu de couro e alegrava as multidões dos grotões seridoenses.      

O CALIBRE DA DEUSA.

POESIA: O CALIBRE DA DEUSA.

POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Morro e não me canso de desejar
O calibre daquela vil Senhora
Esquecer é difícil imaginar
Que com seu olhar ela me namora.

Morro no calibre da mira a toa
Na calibragem dos sopros emocionais
Feito urubu querendo comida boa
Com minha cor renegada aos marginais.

Esta vida no calibre ver-se loucura
Pois a Senhora é de estirpe araucária
Somente um tolo vai querer certa lisura
Para uma vida maltrapilha e ordinária.

O delírio daquela vil agachadinha
Pois no calibre um sonho factual
É preciso esperar sair da linha
Pra o encosto se fazer espiritual.

O calibre do respiro sem vergonha
Eu guardei na memória pragmática
É distante tudo aquilo que se sonha
Sem a beleza o sofrer cresce na tática.

A deusa vibra no calibre vibrador
Pondo esperança em um foco apaixonado
Tudo que faz é pra mim destruidor
Porque meu sinto todo dia é calibrado.

Porque eu gosto do calibre que comprime
E se coloca num contexto refletido
O manual do arbítrio é quem reprime
Causa agonia no cenário proibido.

FEITO DIA: 22/ 12/2012.

MARIA PALITO


OSSO MAGRO DÁ PRA ROER.

TUA ossada ambulante é um tanto necessitaria das fibras musculares que encobre as caveiras humanas. Vista por um ângulo de banda em termos verticais se observa uma lâmina de zinco que vem cortando o vento. Se olharmos de frente parece um espelho de sutileza arcaica. E se vista de cima parece mais uma faca sem cabo espetada no chão. A visão pode até ser bullingosa, mas é uma realidade vivida por Maria Palito. Talvez seja ela uma irmã gêmea da magricela Olívia Palito mulher do ilustre e fortificado Pouor Pye.
Dizem a negada do sertão seridoense que sua magreza foi dada desde pequena quando a terra nostra vivenciou dois anos consecutivos de Seca braba. Ela tomou muito caldo de féjão puro e muito féjão com rapa de rapadura. Cansou de tomar de mamadeira garapa de rapadura e quando era nos tempos do xiquexique comeu ela rodelas de xiquexique assado, como se fazia o povo no sertão de Seca braba.
Ela deve de ter pegado o costume de cumer pouco a partir daí. Nos tempos de fartura ela cumia aqueles ticos de canjica, um pedacim de pamonha, um copo de leite, entre outras coisas. Sua mãe, uma velha matreira do buchão achava que ela estava doente e foi num foi mandava o seu véi do buchão também arranjar a batata de puiga, pois os mais sábios diziam que era bom pra abrir o apetite. Outros véi da região diziam que era sempre bom tumar uma meota de cana antes do armoço que o caboco abria logo o bocão pra cumer. E o vêi seu pai nunca passou sem uma garrafa de gaturama debaixo do pote. Mas parece que quanto mais Maria Palito tumava a água que Passarim num bebe aí é que aumentava o fasti dela.
Chegava dia que Maria Palito amanhecia disposta a cumer, mas bastava sua mãe descascar umas três batatas doce da terra e se ela cumesse, pronto, já num dava mais fome nela. Parecia inté que ela tinha o intistino de furmiga.
Certa vez, quando não havia mais jeito de Maria deixar de ser palito, disseram que ela devia de tá duente com uma tal de duença do bucho-pequeno que atrofiava as tripa e só passava cumida feito a cumida de Passarim. Foi aí que seu pai decidiu levar sua ossada para um dotô izaminar. Mais o dotô não encontrou nada na Maria e disse que ela procurasse cumer para viver.
Ninguém sabia o que acontecia com aquela ossada que dispertara os desejos mais sem vergonhas dos tarados do sertão seridoense que diziam que a ossada era magra mais dava pra roer. Maria de achava toda prosa com aquele cutuvelo pontudo que se pegasse num zói de alguém pudia comprar bengala de cego pra usar. Maria era tão magra que quando dava uma ventania derrubava ela no chão e faltava pouco num levar ela pra longe. Ela para esconder sua palitagem preferia usar vestidos que lhe deixava mais gorda. O que ela só tinha de gordo era os peito que fartava saltar do sutião que se agarrava nos ossos da costela.
Sua mãe não agüentando mais a magreza da sua fia, resolver levar ela pra um macumbeiro dizer o que era que ela tinha. Quando Maria se achegou lá no terreiro do macumbeiro o macumbeiro disse logo: sai do mei que lá vem uma espingarda de vestido! E ao entrar na casa do despachador ela foi logo ouvino as danadas das conversas sobre ela. O macumbeiro disse que o mal de Maria num era duença e nem nada não. Ele disse que as causas da magreza de Maria uma foram por conta da Seca e outra é porque Maria Palito está se enrabichando por um tal de Mané Mago que mora a umas duas léguas de sua casa. O Mané disse a ela que ela conservasse seu corpo magro e sex que ele iria se casar com ela. Foi por isso que ela não istava cumendo muito. Depois disso, ela agora come mais o cumer não enlarguesse devido seu estômago está reduzido. Ela agora é magra para sempre.

MÃO DALI


ESTA MÃO TÃO CALEJADA FOI ÁQUELA QUE TRABLHOU NO ZIGUEZAGUE IMPULSIVO DA ATUALIZAÇÃO DE ENCAIXE FRUTÍFERO. NÃO SE PODE NEGAR QUE O ALVO DO DESFECHO NÃO TENHA SENTIDO O AROMA MAIS CONVINCENTE DA HARMONIA DE ATAQUE. VERDE QUE AS AÇÕES SÃO DESFECHADAS NO MOMENTO BISONHO DE UM ELO DOMINANTE, TALVEZ NO MEIO TERMO DE UM INTERIN PARA OUTRO.
NO AUGE DAS PERCEPÇÕES ALVIÇAREIRAS SE BUSCAM A SACIAÇÃO MAIS PERMITIDA NOS PRATOS ALHEIOS. PARA USAR UM DESSES PRATOS SE METE UMA MÃO DAQUI, UMA MÃO DALI, E ASSIM OS LIMITES NÃO PODEM AFOITAR OS FETICHES DE GALOCHAS QUE SE ESPERAM NO TRANSCORRER DA VIRILIDADE TREMENDA.
O MEDO PODE SE ESCONDER NOS ENTRELAÇOS DA RAZÃO, TODAVIA SE DEIXAR OCORRERÁ RUPTURAS ESQUISITAS DE UMA PASSAGEM PARA OUTRA, ONDE O PAVOR SE ESCONDE E SE MOSTRA UM ATAQUE DE ESTERIA INSUPORTÁVEL. SE MANUSEARMOS A MÃO DALI SE EVITA QUE ELA PERCORRA OS CAMINHOS DESCONHECIDOS. DEVEMOS TRAZER A MÃO DALI PARA AQUI. EIS QUE FAZ-SE UM ADVÉRBIO DE LUGAR.

QUANDO UMA ESCOLA CAPITALISTA NÃO EXPLORA OS SEUS PROFESSORES.


FOI DEDUZIDO numa famosa pesquisa de observação e conversas paralelas chamada de PESQUISA EDNALDIANA que a maior parte das escolas públicas de Caicó, basicamente da zona norte da cidade, a qual eu faço parte, não explora financeiramente os seus docentes. É uma filosofia inconteste das escolas de fazerem manifestações de arrecadamento de verbas para resolver situações de necessidades financeiras ante a espera que se tem dos repasses de verbas financeiras do poder público local. A maior parte das escolas dotadas de diretores ou diretoras capacitados para o ofício administrador mantém uma abertura para a realização de eventos com a comunidade local que visam o arrecado de dinheiro que é usado em benefício da escola. Esses administradores não são relaxados e vão á luta com todo o gás com forte colaboração docente para a concretude de eventos como: Feira da Pechincha, Feira das Comidas Típicas, Festa de Pais, São João, Feiras de Ciências, etc.
O dinheiro arrecadado serve para concertar uma porta, um birô, comprar um eletrodoméstico, até mesmo ar condicionado. Para se ter uma idéia, na Escola Municipal Professor Raimundo Guerra, localizada no Alto da Boa Vista, a grande diretora Maria Do Carmo teve um papel fundamental na direção da escola. Seu olhar se mostrou abrangente e voltado para angariar recursos para a instituição. Ela teve de conseguir até uma boa verba de caixa escolar para colocar um ar condicionado numa sala de aula pertencente a alunos que ajudaram a vender senhas para um determinado evento. Muita gente da comunidade ficou boquiaberta com a atitude da diretora que foi muito louvável e que de fato toda a comunidade participou ativamente da concretude desse evento.
No Vila do Príncipe de Caicó, uma escola é bem quista na redondeza por conseguir fazer boas acomodações para os alunos só por meio de eventos que contou ativamente com a participação popular.
Na Escola Municipal Severina Brito da Silva, o diretor Tiago Costa é bastante aberto a eventos de natureza integral que conecte a escola com a sociedade local. A participação popular é excessiva e a escola ganha com isso.
O interessante dessas escolas que o professor ou a professora não tem que ficar gastando o seu mísero salário para suprir uma carência da escola que poderia ter sido resolvida com uma dessas oportunidades deferidas. Os pais deveras compreendem quando um diretor ou uma diretora chega numa reunião e explica TIM-tim por TIM-tim a necessidade da escola e eles fazem questão de sobreviver. E até por que hoje muitos pais de família recebem o bolsa escola para suprir a carência do seu filho ou filha na escola, depois se sobrar alguma coisa é que eles podem usar na carência do lar doméstico. O bolsa escola deve ser usado para, por exemplo, comprar um lápis ou um caderno para o filho quando este precisar.
Quando a verba desses eventos é insuficiente para resolver tal defeito na escola ou alguma comemoração na sala de aula o professor tem total liberdade para agir com autonomia dentro de sua sala de aula. E até agora não vi nenhum professor se rebelar contra alguma sugestão dada em consenso numa reunião pedagógica. Nessas reuniões, feitas dentro de um dia letivo, pois isso faz parte também da educação dos discentes, se acordam uma comemoração em cada sala de aula e o que o professor pode fazer com míseros gastos para garantir um pouco de felicidade ao aluno. Todos entram em consenso e o prazer de estar ali, naquele ambiente de trabalho se reflete nos olhos de cada um.
Não se pode negar que a visão dos diretores dessas escolas da zona norte de Caicó não é uma visão autoritária e nem cercada de olhares punitivos. É uma visão tomada em acordo com todos, analisando as possibilidades financeiras de cada um docente e de cada um familiar. É importantíssimo esclarecer a finalidade de um evento escola para os pais dos alunos, pois estes já vão fazer sua participação em consonância com as concordatas explicadas.
Não que eu esteja defendendo aqui que o professor não é para gastar um pouco do seu salário com os alunos. Ele deve ter a liberdade de avaliar as possibilidades de negociação com os pais ou com o governo local e poderá dar possíveis sugestões para conseguir tal beneficio. Se não for possível, aí o docente deve se avaliar vendo se pode tirar certa quantia para ajudar nas bem feitorias discentes. Em contrapartida, é preciso deixar claro que o docente não está ganhando seu salário para gastar com necessidades alheias. Ele está ganhando por trabalhar nesse mundo capitalista, mas pode fazer ação por necessidade solidária. E os pais com seus esforços devem ajudar na supressão das carências de seus filhos. Se os pais ausentarem dessa supressão estarão dando ao filho a insatisfação de estudar.
Para se ter uma idéia eu sou do tempo que não havia o bolsa-escola e nem o bolsa-família, minha família era de seta pessoas, meu pai era aposentado e minha mãe vendia ovos de galinha para sobreviver, mas mesmo assim meus pais tiravam um pouco do ordenado para comprar uma farda, um caderno ou um lápis que eu e meus cinco irmãos precisassem.
E eu vou exemplificar mais esse falatório que eu fiz sobre a ação escolar sobre os professores, os pais e os alunos. É um evento que terá na escola onde eu trabalho no bairro Samanaú às luzes do grande Supervisor Damião. O evento será uma feira mista aberta ao público local e do resto da cidade onde se terá os seguintes subeventos: feira da pechincha, comidas típicas, cinema, oficinas – a qual eu irei coordenar uma em conjunto com uma nobre professora – peças teatrais e músicas de acalentos. O evento se realizará dia 07 de Dezembro de 2012.

DOCENTES DO COPO D’ÁGUA.

POESIA: DOCENTES DO COPO D’ÁGUA.

POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

O corpo desses docentes
Já mostram sérios desgastes
É dor por toda coluna
Nas curvas dos seus engates
É um sebo nas entranhas
Derretendo suas banhas
Esquentando suas partes.

Se um molha sua cabeça
O outro vai copiando
Se um usa um papelão
O outro vai imitando
Mas agora sem ter mágoa
Surgiu um copo com água
Para ficar se molhando.

A idéia foi bem quista
Pela arte da docência
Que com o fogo da burrega
Usou de uma sapiência
O copo d’água na mão
Esfriando seu vulcão
Que ta na efervescência.

O copo d’água era usado
Pela gente da fornalha
Com três letras esquentando
O metrô da maravalha
A gente fica suada
As beiras tudo assada
Parece corte em navalha.

O suvaco todo suado
Parece água saindo
A cabeça pipinica
O suor está caindo
O copo d’água é jogado
E o fogo abafado
Veja que momento lindo!

A blusa bem apertada
Modela o corpo de luz
Mas o calor danado
Faz ferida botar pus
A calcinha choramingua
A aranha mostra a língua
Sobe o cheiro do cuscuz.

A camisa tão molhada
Faz um cheiro de macaco
O calor se prolifera
Sai um sebo do suvaco
A cueca se lambuza
E o feijão verde acusa
A margarina no saco.

O umbigo se contrai
A respiração aumenta
O peitinho chora o bico
Uma gota cai da venta
O suor é tão salgado
Que os zói fica apertado
A careta se inventa.

A fêmea se alvoroça
Com um copo d’água na mão
Molhando o seu pescoço
Que o fogo faz comichão
Na busca por grande leme
Juntando com a TPM
É calor de lampião.

O copo d’água, porém
É muito descartável
Para que a instrução
Ensine de jeito afável
Como se joga no chão
Pra fazer poluição
No calor é tolerável.

Tem fêmea que vai chupar
Um gostoso picolé
E a pipoca guri
Tira o gosto da muié
O bucho fica gelado
E o fogo resfriado
Feito pano de café.

Mesmo o ar condicionado
O copo d’água se presta
A gente se salpica
Na munheca de orquestra
Refrescando os icebergs
Quem adora que renegue
Na quentura da molesta.

A blusa fica aberta
Pro colo se molhar
Mas não é colo do útero
Mas um colo pra olhar
Vê o suor no capriche
E a gente dizendo: viche,
O calor tá de lascar!

Um macho que é bumbado
Sofre com forte calor
Às vezes pega no copo
E molha o rosto de flor
A pele branca de jeito
Sua pouco sem efeito
Tá enxuto sem frescor.

E a gente toda folgosa
Com o copo d’água na mão
Se banhando ao ar livre
Apagando o seu vulcão
Mas o fogo do bacurau
Só passa se for com...tal
De chuva nesse sertão.

Feito dia: 24/ 11/ 2012.

sábado, 8 de dezembro de 2012

BLOG EXPÕE A TRAJETÓRIA DO NOSSO REI DO BAIÃO LUIZ GONZAGA.

SERÁ NO DIA 13 DE DEZEMBRO QUE O BRASIL E O MUNDO IRÁ COMEMORAR O GRANDIOSO ANIVERSÁRIO DE LUIZ GONZAGA. A COMEMORAÇÃO VAI SE ALSTRAR PELO PAÍS INTEIRO E A EFERVESCÊNCIA DO POVO SERÁ DADA COM TANTAS POMPAS QUE ENTRARÁ PARA A HISTÓRIA DO BRASIL COMO UM MARCO GRANDIOSO. O REI DO BAIÃO TEVE O PRAZER DE TER SIDO NORDESTINO DAS ORIGENS, VIVEDOR DAS NECESSIDADES DO SEU POVO E CONHECEDOR DAS ARTIMANHAS DO CORONELISMO DA ÉPOCA. ELE CANTOU PARA ALÉM DO BRASIL E SE IMORTALIZOU NOS CORAÇÕES DE PUNJANÇA SOFREDORA. VEJA ABAIXO UM TRABALHO ORIENTADO POR UMA MESTRA DA ARTE CULTURAL DAS LETRAS DINACY CORRÊA DO MARANHÃO E QUE PODE SER VISTO TAMBÉM NO SEU BLOG:

– in memoriam ao Cant’a dor do sertão –


Dinacy Corrêa

Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu na fazenda Caiçara, no sopé da Serra de Araripe, Estado de Pernambuco, divisa com o Ceará e Piauí – a 70 km de Crato e a 693 do Recife – em 13 de dezembro de 1912, dia dedicado a Santa Luzia, protetora dos olhos. Filho de Januário José dos Santos (mestre sanfoneiro e consertador de instrumentos) e de Dona Ana Batista de Jesus (a popular e bela Santana dos olhos verdes). Aos sete anos, muda-se, com a família, para o centro urbano de Exu, passando a acompanhar o pai nas festas, como sanfoneiro auxiliar. Ressalte-se que, além de lavrador, Januário era músico respeitado em toda a redondeza. Assim, ao lado do pai, com apenas doze anos, Gonzaga já animava sambas, em vários terreiros do sertão do Araripe.

FOTO DO BLOG DA DINACY.
Com essa mesma idade (doze anos), contando com o auxílio do Coronel Manoel Alves de Alencar, compra a sua primeira sanfona de oito baixos (por cento e vinte mil réis – a essa altura já está ganhando tanto ou mais que o genitor), para tocar nos bailes, em Granito, Baixio dos Doidos, Rancharia e Cajazeira do Faria. Em 1930, aos dezessete anos, apaixona-se por Nazaré, filha do Coronel Raimundo Delgado – a quem, no auge do entusiasmo adolescente, ameaça de morte, pelo que leva uma surra da mãe, Santana, após o que, revoltado, decide fugir de casa, indo a pé, até o Crato, onde vende a sanfoninha, por oitenta mil réis. Ato contínuo, viaja para Fortaleza e se alista no Exército, como recruta do 23º Batalhão de Caçadores, em plena Revolução de 30. Nessa condição, desloca-se por todo o País, com sua tropa, na qual fica conhecido como Bico de Aço, por ser exímio corneteiro. De passagem por Juiz de Fora, conhece Domingos Ambrósio, que lhe ensina alguns truques na sanfona. Em 1939, compra uma nova sanfona, em São Paulo. Dá baixa do Exército, no Rio de Janeiro, após dez anos de farda e, ainda como soldado, é levado para a zona do meretrício local, conhecida como O Mangue, para substituir o guitarrista português Xavier Pinheiro, que vem a se tornar, para ele, uma espécie de protetor e, mais tarde, o pai adotivo de Gonzaguinha (Luís Gonzaga Jr).
Adaptando-se ao ambiente local, passa, então, a se apresentar em várias casas noturnas, cabarés, dancings e gafieiras. No rádio, faz suas primeiras tentativas, concorrendo, como calouro, nos programas de Silvino Neto e Ari Barroso. Em 1940, numa das casas noturnas do Mangue (Rua Júlio do Carmo, esquina de Carmo Neto), é desafiado, por um grupo de estudantes nordestinos (entre estes o futuro Ministro da Justiça, Armando Falcão), a tocar algo lá da terra. Depois de treinar em casa, durante uma semana, Gonzaga apresenta-se aos mesmos universitários, tocando, dentre outras coisas, Pé de Serra e Vira e Mexe, sendo aplaudido, não só pelos rapazes, como por todos da Casa.
Volta, então, à Rádio Nacional, ao programa de Ari Barroso, conquistando a nota máxima e sendo, definitivamente, contratado. Em seguida, faz sua primeira gravação, acompanhado pelo grupo de Genésio Arruda.
Em 1941, grava seu primeiro disco, de 78 RPM (Gravadora RCA), contendo: Véspera de São João (mazurca); Numa Serenata e Saudades de São João Del Rei (valsas); Vira e Mexe (chamego). Em 1943, vem a conhecer o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo, que estréia na Rádio Nacional, com roupas de gaúcho. Nele inspirando-se, passa a apresentar-se vestido de nordestino e a cantar com sua própria voz. Dança Mariquinha (parceria com Miguel Lima) foi o seu disco de estréia. Em 1945, nasce o seu filho, Luiz Gonzaga do Nascimento Jr, o inesquecível cantor Gonzaguinha.
Com o sucesso do seu disco de estréia, procura nordestinizar, mais autenticamente, as suas composições. É então que faz nova parceria, desta feita com o advogado cearense Humberto Cavalcante Teixeira, com quem compõe dezenove músicas, que se tornariam verdadeiros clássicos nordestinos (em sua maioria).

Em 1946, começa a ser reconhecido nacionalmente.
Com os Quatro Ases e Um Coringa, grava Baião de Teixeira e Gonzaga. Entusiasmado com o sucesso, decide voltar a Exu, onde se reencontra com os pais – Januário e Santana. Dessa reunião, nasce a célebre música Respeita Januário. Em 1947, compõe, com o parceiro/advogado (dentre outras), Asa Branca, inspirada na lembrança de uma das músicas cantaroladas pelo pai. A música vai parar em Hollywood, cantada no filme Romance Carioca (Nancy Goes to Rio), por Carmem Miranda. Em 1948, casa-se com a professora pernambucana Helena Cavalcante. Em 1949, estabelece nova parceria, com o médico pernambucano José de Souza Dantas Filho, em 43 músicas. Em 1950, depois de uma apresentação em São Paulo, é aclamado, pelo público, o Rei do Baião. Em 1951, assina novo contrato com a RCA para viajar por todo o Brasil. Em 1953, compõe, com Zé Dantas, a pungente Vozes da Seca, marcando um período de grande seca no Nordeste. Nesse mesmo ano, surge Vida de Viajante (parceria com Hervê Cordovil).
Em 1954, faz grande sucesso com suas músicas de ritmos urbanos e agrestes, ao lado de vários cantores, como Jackson do Pandeiro, os irmãos Moraes e Valdo. Durante essa temporada, cantando em uma feira de Olinda, conhece Dominguinhos – marco indelével na sua vida.
Em 1962, morre o poeta, médico e folclorista Zé Dantas, seu grande parceiro. Começa, pois, uma nova fase para o cantador que, a partir de 1965, vem a influenciar os jovens do movimento conhecido como Tropicália.
Em 1971, grava músicas de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Capinan, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Nonato Buzar, Fagner… Apresenta-se no Festival de Guarapari e faz sucesso entre os hippies de então.
Em 1972, é a vez de apresentar-se no Teatro Tereza Rachel, sob a direção de Jorge Salomão e Capinan. Em 1973, troca de gravadora, por um breve período. Em 1976, o Projeto Minerva dedica um especial à sua obra. Em 1979, morre seu parceiro, o compositor Humberto Teixeira. Em 1980, em Fortaleza, canta para o Papa João Paulo II, recebendo, deste, um obrigado cantador, momento mais emocionante da vida do sanfoneiro.
Em 1981, canta Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense, visita o Presidente em exercício, Aureliano Chaves, pedindo-lhe que intervenha em Exu, no sentido de dissolver as rixas entre as famílias Alencar, Saraiva e Sampaio, o que de fato acontece, depois de 15 dias. E toda a cidade vê, exultante, cair por terra uma rivalidade que já durava décadas.
Em 1982, viaja para a França, apresentando-se em Paris, no teatro Bolbinot, a convite da cantora Nazaré Pereira. Nesse mesmo período, a RCA relança, de uma só vez, 35 LPs de sua obra, então elogiada por toda a crítica especializada. Em 1984, recebe a homenagem máxima do MPB SHELL (em 1981, recebera os dois únicos discos de ouro de sua carreira). Em 1985, recebe o Nipper de Ouro – prêmio que, ressalte-se, além de Gonzaga, só o recebera o cantor Nelson Gonçalves.
Em 1986, de volta à França, canta no Halle de La Villete, ao lado de Fafá de Belém, Alceu Valença, Moraes Moreira e Armandinho Macedo, entre outros. Em 1988, a RCA lança 50 Anos de Chão, cobrindo toda a carreira do Rei do Baião.
Em 1989, no dia 6 de junho, Luiz Gonzaga do Nascimento sobe, pela última vez, num palco, com o auxílio de uma cadeira de rodas, no Teatro Guararapes, do Centro de Convenções do Recife, ao lado de Gonzaguinha, Dominguinhos, Alceu Valença e outros amigos e parceiros, ocasião em que faz um pequeno discurso – “Quero ser lembrado como sanfoneiro que amou e cantou muito o seu povo, o sertão, as aves, os animais, os padres, os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor” (MÁXIMO, 1998, p.21).
Morre de osteoporose, no dia 2 de agosto de 1989, às cinco horas e quinze minutos, no Hospital Santa Joana, no Recife, onde dera entrada há quarenta e dois dias. Seu corpo foi velado na Assembléia Legislativa e o Governo de Pernambuco decretou luto oficial por três dias. Hoje, seu corpo descansa no mausoléu da família, no Parque Asa Branca, em Exu – Pernambuco".

REFERÊNCIAS


CORRÊA, Dinacy Mendonça (orientadora); MENDES FILHO, José de Ribamar (orientando). Luís Gonzaga: Cantador do Sertão – Projeto de Pesquisa/TCC-Letras-Cecen-Uema, 2000.

DREYFUS, Dominique. Vida do viajante: a saga de Luiz Gonzaga. 2ª ed. São Paulo: Editora 34 Ltda, 1996.

FERRETTI, Mundicarmo Maria Rocha. Baião de dois: Zé Dantas e Luiz Gonzaga. Recife: Massangana, 1988.

MÁXIMO, João. Luís Gonzaga: 50 anos de chão. São Paulo: RCA, 1998.

OLIVEIRA, Gildson. Luiz Gonzaga: o matuto que conquistou o mundo. Recife: COMUNICARTE, 1991.

SÁ, Sinval. O sanfoneiro do Riacho da Brígida. 6ª ed. Rev. e Aum. Recife: FUNDARPE, 1986.

TINHORÃO, José Ramos. Música popular: tema em debate. 3ª ed. Rev. e Aum. São Paulo: Editora 34 Ltda, 1997.

Luiz Gonzaga: Cinquenta anos de chão. RCA/Victor, 1998. CD 1, 2 e 3.

FONTE: http://blog.jornalpequeno.com.br .