quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

“OS ALQUEBRADOS DO CORAÇÃO”

A teoria mostra senão dotada de uma hegemonia tão penetrante e declarante que só poderia ter sido feita pelo meu amigo e ex-aluno Joalisson Magyaver, um pseudônimo para ilustrar o já ilustre e corado guerreiro da música internalizada. É uma teoria tão teórica e, que por sinal, untada no sangue da veia poética, que deveras merece o título talvez discriminante de racionalidade joalissiana. Tal teoria é uma conjuntura atípica fruto de um momento prescrito ante a razão pensada da vivência encardida com as posturas que vão de encontro a um egoísmo cadente e atraente de desleixo alheio.
A cena que impulsionou tal teoria se passou deveras pela brisa bifurcada da região litorânea que entre os sensos de periculosidade avante mescla-se com postura egocêntricas de vermes que obteve para si a conduta miserável de discriminar a alfabetização interiorana de sujeito desencubado de um cubículo regional. Se prosta-se que mesmo no desafogar de uma language meio rústica e contrastante de um ser que sobreveio de um rincão apedrejado e de um sistema instrucional de publicariedade desejosa, ainda frutifica e cala a boca da vampira torcida quando a razão se mistura com as emoções e picha na face dos deturpadores a cicatriz urticante da sabedoria vivida e alquebrada pelo lirismo litorâneo.
Mas sem tilintar, a figura oposta talvez num decaimento da real situação tenha sido instruída na branquela sinagoga de formação pessoal, onde mente de isopor são construídas sem nenhum prumo e direção da vivência humana, estando presente na pele o frescor do desleixo e do apedrejamento da putaria humana que forma a escória que se diz do interior. Acham que por não sofrer com o líquido salgado que desce no pescoço em um dia esplêndido de Sol e que por não terem a pele queimada pelo clima da fetidão caatingueira se sentem isopores superiores a uma trajetória de fibra e de raiz familiares. Procuram deturpar a imagem inocente e em processo de alfabetização de um novo mundo que está sendo explorado em eventos rítmicos de melodias conflitantes. E apagam a sutileza de um conhecimento prévio e de sustância admirável, pois diante do apascentar de Euclides, a natureza na dureza faz do homem fortaleza.
Visto de baixo para cima, os deturpadores em inclusão ao modelo oposto são desvaginados de essência de virtudes, já que cospem na face do clientelismo que lhes sustentam. É por isso que são isopores por natureza.
Isso fez, no auge da formulação teórica da razão joalissiana, um contra-ponto a contra-gosto e abriu na posição cardíaca uma fenda onde o sulco da seiva bruta houvera de se infiltrar, despertando a ira vingativa mas ao mesmo tempo conformativa para uma produção orgástica de um sêmem não fecundado. Quis o analista alquebrado do coração fugir do puritanismo de rani, porém fitou os insumos e alquebrou-os na pandora cerebélica. Daí o dito cujo descobrir em suas andanças de acordes que o sortinido era tanto que por sorte iria dar poder ao mancebo amante. Tal como o fez, refugiou-se nos aposentos e vomitou a cólera da inspiração poética que lhe aproximou do manicômio frenético do mestre carpina que lhe mostrou um pouco do elixir do pensamento ednaldiano, onde a libertinagem da razão se mistura com o gozo sarcástico do pensar em desalento.
Depois do elixir ednaldiano bebeu este discípulo o sangue quente dos poetas, onde depois de se transformar em vampiro viu a cúpula transcendental da produção divina se desvendar por enigmas de segredos. A cortina caiu e o bom discípulo se transformou em águia de visão onipotente.
E foi em meio as sinfonias dos momentos entorpecidos que o mestre do elixir pode ver que, em meio ao batismo da seiva que dá vida ao sertão, os alquebrados do coração eram senão os estrumes vivos que estavam em processo de fotossíntese ao lado de um mestre que aprendia as notas vivas de uma sociedade alternativa.
POR: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

CALO NAS MÃOS

EU vi a muler dizer com um alquebrado marido que o mermo devia afinar suas grandes e calejadas mãos, pois estava arranhando as costa da merma e ela não gostava disso. Não gostava de mão calejada porque deixava marca de agressão na pele. E o marido houvera de preguntar como ele ia tirar aqueles calo das mão e ela houve de insinar um remeido que era próprio de quem era homem. O remeido era secreto e eu não pude ouvir o diabo era. Só sei que ouvi um tal e já no final do falatório de parte mais quente do coipo. E inda precurei saber onde era isso mais ela se calou com o calo resolvido.
No passar de uma semana eu vi o marido da doutora do calo nas mãos com as mãos bem afinadas e juvenis. Agora ela disse que ele tinha umas mãos de fada e podia bulinar na pele dela como uma verdadeira fror do campo. Não se sabe ao certo como ele atirou o calo das mãos, só sei que em suas mãos tem umas prastadas de manchas amarelas e que num sai nem cum limpó do Seridó. Essas coisas só pudia se ver aqui mermo!

AS CHUVAS DE SÃO JOSÉ E BASTIÃO


O SERIDÓ REALMENTE FICOU FELIZ QUANDO VIU A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA DA REGIÃO, UMA DANAÇÃO, COM O PERDÃO DA PALAVRA, DE CHUVA CAIU EM TODO O SERIDÓ E FEZ MUITOS COIDOS CORREREM COM ÁGUA VELOZ. ISSO É UMA RIQUEZA PARA A TERRA E PARA NOSSA GENTE QUE JÁ ESTAVA NO ODOR DOS NECROTÉRIOS POLUINDO O AR DA VIVÊNCIA HUMANA. A CABOCADA DE LONGE JÁ ESTAVA FAREJANDO ARES DE CHUVISCOS NAS REDONDEZAS REGIONAIS. AS CHUVAS NÃO SE MOSTRARAM MUITO FORTES NA CIDADE DE CAICÓ, MAS EM OUTRAS CIDADES SERIDOENSES AS CHUVARADAS FORAM MUITO BOAS E DEU PARA CORRER ÁGUA RIACHO ABAIXO.
TAMBÉM ERA DE SE ESPERAR QUE O CALOR ESTAVA TÃO GRANDE QUE O POVO TAVA TUDO DESESPERADO E MUITOS MORRENDO DE ATAQUE CARDÍACO.
SE BEM QUE EXPERIÊNCIA A GENTE PUDIA AVISTAR RÃS CANTANDO ELOQUENTEMENTE, FORMIGAS FAZENDO SUAS CASAS PARA A PROCRIAÇÃO NATURAL E ATÉ SARASSAS DE ASA VOANDO PELOS LUGARES DA MORADIA. AS EXPERIÊNCIAS AINDA ERAM ACANHADAS, TÍMIDAS. NÃO SE VIA-AS COM MAIS AFINCOS. ISSO ERA DEVIDO AO FATO PECULIAR DE TERMOS PASSADO POR UM ASSOMBROSO ANO DE SECA DE 2012.
GRAÇAS A DEUS QUE ESTÁ CHUVENDO NO SERTÃO!

AGOUROS SERIDOENSES

POESIA: AGOUROS SERIDOENSES

POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

A tradição seridoense
Tem fartura cultural
Um povo todo assombrado
Temendo a força do mal
Agarrado na parede
No treme da vara verde
Num delírio semigual.

Olhares esbugalhados
Percorrendo todo evento
A natureza sinistra
Atiçando o pensamento
Uma casa velha exposta
Do jeito que o povo gosta
Pra fazer assombramento.

Com as suas superstições
Arrepiando nossos couros
As conversas dos velhotes
Os eventos duradouros
Deixam de cabelo em pé
Um povo que com sua fé
Acreditam em agouros.

Começa por umas aves
A primeira, Deus me valha,
Ave que ninguém suporta
De nome rasga-mortalha
Faz do jeito da tesoura
O teu bico quando agoura
Se parece uma navalha.

A rolinha quando canta
Na cumeeira de uma casa
Vai morrer um da família
A cultura não embasa
Pode fazer o caixão
Pois o povo do sertão
Diz que o canto não se atrasa.

Os chinelos emborcados
O seu dono irá morrer
Pois está pedindo cova
Isso assim eu vi dizer
Seja gente pobre ou rica
Foi num foi dá uma tirica
E morre no padecer.

O cachorro no seu uivado
A morte vem pra levar
Seu uivado logo vitima
Faz o coração parar
Uivo de cão é aviso
Que levará pro Paraíso
Alma pra purificar.

O marido da galinha
Quando canta fora de hora
É gente que vai morrer
Muito tempo não demora
Procure na redondeza
Quem da morte vai ser presa
E da vida pula fora.

Se um espelho se quebrar
É agouro de desgraça
A família se desune
O sossego pega traça
Toda má sorte do mundo
Entra nesse lar fecundo
E tal casa perde a graça.

E quem assobia de noite
Agouro que chama cobra
Ela vem abocanhar
Qualquer um de uma manobra
Toda cobra peçonhenta
Um assobio lhe atormenta
Feito veneno de sogra.

E quem dorme sem camisa
Traz esprito zambeteiro
Que só vem atanasar
O sossego do guerreiro
Invadindo contra gosto
Mora na sombra um encosto
Que só sai com feiticeiro.

Antes de tomar cachaça
Se joga um pouco no chão
Pois o capeta tá perto
Atentando o bom cristão
Se ele não tomar bebida
Desgraça toda a sua vida
Na fogueira do sertão.

Passar por cima das pernas
Abre o corpo pros esprito
A pessoa fica maluca
Mudando a voz, dando grito,
Tem é que passar de volta
Se não capeta se solta
Dando coice e muito apito.

E quem morre sem ter vela
Fica no mundo perdido
Sem achar o seu caminho
Pra um mundo prometido
Alma penada em apuro
A luz que falta no escuro
Esprito cobra partido.

A meia noite nas igrejas
Ninguém pode freqüentar
Pois dizem que é momento
Das almas poder rezar
E se alguém tiver coragem
As almas na malandragem
Atanasa até matar.

Se sentir cheiro de vela
O defunto tá por perto
Precisa que reze um terço
Pro destino incompleto
Se ninguém fizer a graça
A vida vira desgraça
Fica tudo descoberto.

Se você sonhar com piolho
É agouro desgraçado
É alguém da sua família
Que será posto em finado
Se a pessoa tiver catando
Do jeito que for sonhando
Vai chorar muito um bucado.

Quando vem um ridimõe
Vem trazendo o Satanás
Que se passar numa casa
É agouro ruim demais
O cão ali faz morada
Que pra sair dessa cilada
Faz cruz com os digitais.

Tem um pássaro agourento
Chamado de caboré
Com um canto desgraçado
Que atormenta qualquer muié
Pra mandar ele ir embora
Faz uma figa bem na hora
Que o bicho cantar de pé.

Pedra que corre na telha
E pára em cima de alguém
É este quem vai morrer
Sem dá trabalho a ninguém
A pedra da morte fria
Deixa a presa na agonia
De perna aberta pro além.

O assobio da lamparina
É agouro de manchete
Vai morrer um da família
Em um fogo que derrete
Vizinho pode morrer
O aviso vem pra valer
Com isso ninguém se mete.

E debaixo de um juazeiro
Quando vem um vento frio
Pode ser alma penada
Chega nos dá calafrio
Incentiva o enforcamento
Sem ter arrependimento
O cão já mostra seu brio.

A encruzilhada de noite
Se seu cabelo arrepiar
É agouro de despacho
Pra macumba te pegar
Você ver galinha preta
A comida do capeta
Que só vai lhe enfeitiçar.

O joão-de-barro também
Agoura com arte turva
Faz a casa pro nascente
Sem usar no bico luva
No ano que ele fizer isso
Reze logo ao Padim Ciço
Qu’o ano vai ser ruim de chuva.

E em volta desse cultura
O Seridó faz história
Nos dizeres de seu povo
Dos agouros na memória
As histórias se repetem
Com os medos que convertem
Na vivência sanatória.

Pois nessa nossa região
Tem a gama de suspenses
Nas conversas de calçadas
Desses ditos riograndenses
Na riqueza do interior
Se encontra até professor
Dos agouros seridoenses.

Feito dia: 21/ 01/ 2013.

A TRADIÇÃO DO VESTIBULAR

ANTIGAMENTE toda família que se prezasse dotada de uma cultura costumeira e de tradição arcaica se achava na condição de um conservadorismo doutrinário praticando práticas de tradição peculiar dentro de sistema cerimonial que lançava o sujeito em um bem-estar cognitivo e social, isso para dá uma satisfação preliminar ao futuro profissional. As famílias se orgulhavam muito quando via ou ouvia o nome de um filho passar no exame tradicional do vestibular. Era um exame muito difícil que só conseguia êxito quem realmente estudasse mesmo pra valer. Isso fazia com que o indivíduo procurasse prazerosamente o conhecimento em várias disciplinas e aprendesse de forma tão eficaz que a vitória sua era um prazer incomensurável dado ao seu esforço no estudo. Os que não conseguiam êxito não perdiam os estudos, pelo contrário, ficavam acumulados na memória e quando no outro ano tivesse mais vestibular esse indivíduo ao estudar novamente estaria reforçando o que já fora aprendido.
A honra da família era elevada tanto às alturas que elas não mediam esforços para comemorar a alegria que o filho havia lhes dado. A festança corria à solta e a alegria era tamanha. Era na festa que o pai chamava certa autoridade citadina e lhe apresentava o filho que tinha passado no vestibular. Era motivo de orgulho, de status social. E isso não só era visto em cursos mais procurados não. Havia também alegrias em outros cursos que mudava pouca coisa de uma comemoração para outra.
Na hora que um filho passava no vestibular a farra com fanfarra era grande. Os amigos tinham a cultura de raspar a cabeça dos homens, jogar farinha, quebrar ovos na cabeça e brindar copos e mais copos de bebidas, sendo que a primeira era o champanhe. Esse tipo de bebida era dado mais as classes abastadas do setor. As classes menos abastadas podiam comemorar com cachaça mesmo.
As mulheres que passavam no vestibular tinham suas sobranceiras raspadas e podia cortar o seu cabelo todo malhamalhado. Também elas sofriam as mesmas coisas que os homens como ovos e farinha.
Não era qualquer um que passava no vestibular não. Somente quem estudava muito é quem tinha o sabor dessa vitória. Quem não se mostrava apto aos estudos aprofundados estaria renegado ao submundo do ignorantismo medíocre. Era um subalterno da sabedoria intelectual.
Que pena que isso acabou nesses tempos contemporâneos. Está para adentrar uma contracultura anti-tradição que não valoriza mais essas sensações e costumes, abrindo as portas das universidades públicas trazendo todas as espécimes de estudantes das escolas públicas, muitos falando mal, escrevendo garranchos e se portando de maneira apombaiada no uso da reflexão e da essência cultural. A contracultura tem o nome de ENEM que, apesar de ser um bom programa ainda mostra-se não lapidado, terá a missão de afogar a tradição do vestibular.

A SECA TROUXE O NOSSO CARNAVAL DE RUA.

A SECA DURA trouxe para nós o bem prazer de brincar o carnaval de rua com mais euforia e mais exatidão de nossas liberalizações de energias. O Carnaval de Rua de Caicó, assim como todos os outros, vai ser encabeçado pelo grande e ilustre Bloco Ala Ursa do Poço de Sant’Ana, o Bloco do Magão. O Magão irá puxar os foliões pelas principais ruas da Cidade de Caicó.
O bom disso tudo é que nós NÃO teremos mais o carnaval noturno na Ilha de Sant’Ana, visto que os blocos de Caicó com seus caixotes irão agora acompanhar TRÊS BLOCOS PRINCIPAIS do Carnaval 2013: o Bloco do Magão, o Bloco Treme-Treme e um Bloco de Recife, todos esses especialistas em carnaval de rua.
O carnaval desse ano será o mais divertido de todos, pois os foliões estarão no auê das misturas recíprocas onde vai desde os mela-mela aos birinights triviais que mesclam as euforias momescas. Também ocorrerá uma mistura de classes aonde a classe média não vai mais delimitar o seu espaço, assim como a classe baixa também não o fará. Todos estarão envolvidos numa heterogenia bem quista de sofreguidões momescas. Isso graças a Seca dura que a classe pobre compartilha com a classe rica.

O ANJO QUE ME OLHOU

SOLTOU teu anjo angelical ao passo da minha retina como se algo lhe mostrasse o caminho que deveria seguir para desvirtuar todo organismo que quisera uma libertação de algum sentimento oculto. Não pude hesitar do foco no lócus quando a isca me trouxe a risca do perigo proibido, sem ter idéia de um fim, mas almejando um momento sublime de olhares e ações ocultas. Por que é que eu tento fugir do seu mausoléu angelino, porém me torno incapaz para tal façanha sem barganha? Talvez seja o destinatário do destino adotando um bote para um momento clandestino.
Parecia senão duas bilas ofuscantes a gracejar um sorriso adverso em torno perverso. Não pude contentar-me de contente porque o clímax foi tão efêmero que a velocidade da luz diurna não pode contemplar o semblante pitoresco daquele frívolo plasma de inspeção divina. Suas bilocas mais pareciam rubis de ribossomos genéticos que funcionava como um vírus corrosivo e duplicante adentrando no ducto inviolável da razão renegada pela sociedade medíocre.
Talvez fosse um teste do catolicismo marcante ou quem sabe de uma Hades evangelical que driblando o velho arbítrio aproximaria o gás mortífero do ozônio purificado com dissabores do modelo virginal. Porém suas asas não esticaram a salvação tão desejosa quanto um simples fustigar de um processo vital. E em frações de segundo foi-se a calma divina e contemplativa do angelino para ceder lugar a um carma sem prescedentes. Assim o trabalho das glândulas endócrinas foi inevitável e uma bola do substrato ocular caiu na gravidade do momento inocente.

O USO DA BALADEIRA NO SERIDÓ

POR: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS
(fotos da net)

É POR ASSIM DIZER UMA ESPÉCIE DE ARMA. Foi inspirada na antiga arma conhecida como FUNDA, um objeto de borracha no qual se colocava uma pedra e girava em sentido horário bem forte, depois mirava no alvo e lançava a pedra pelo parar do giro. A pedra ia numa velocidade tamanha e podia matar ou derrubar o alvo predito. Costumavam-se os sertanejos usar a funda no pastoramento de arroz ou de um milharal, onde os passarinhos, incluindo os periquitos, faziam e ainda o fazem a maior algazarra nas lavouras. Triste do alvo se fosse atingido por uma pedra de funda. A funda também era chamada de ATIRADEIRA, onde mais tarde esse nome foi dado a outro tipo de objeto, dessa vez com um cabo de madeira.
Dessa feita um caboco mais atinado para a captura de aves de rapina ou de precisão alimentar quando a carne do boi ou da criação se fazia rareada teve de inventar uma arma ligeira e audaciosa usando para isso ligas de borracha e cabo de madeira.
A atiradeira passou a designar esse tipo de arma e até de diversão dos moleques de outrora. O seu modo de confecção era trivial, tendo apenas de adquirir as ligas que não se achavam na natureza da Caatinga braba. As ligas podia-se (e ainda pode) ser encontrada nas feiras-livres da própria cidade onde o caboco residia. As ligas podiam ser de látex ou mesmo de liga de câmara-de-ar de bicicleta ou de carro, se bem que o maior uso de durabilidade era as ligas de soro (látex). Também havia uns moleques que no meu tempo de criança usava umas ligas conhecidas como ligas de avião, que tinham a forma paralelepipidada no seu longo cilíndrico.

O couro era senão fornecido pelo gado, da Era do Couro conclamada por Capistrano de Abreu, sendo para isso um couro curtido nos curtumes de costumes sertanejos. Era mais trivial um couro de cor acinzentada, mas se não tivesse podia-se o moleque se contentar com um couro de cor marrom. O pedaço de couro detinha a forma retangular de mais ou menos 10 centímetros de comprimento com uns 5 centímetros de largura. Nas suas duas pontas era furado um buraco em cada para prender a ponta da liga e amarrá-la para ficar seguro.
O cabo era de madeira retirada da própria Caatinga. O cabo devia (e ainda o deve) ser escolhido com um cuidado extremo, pois a natureza do cabo podia atrapalhar
a captura das aves. O cabo tinha que ter o formato da letra Y, tipicamente assentado nos cabos das antiguíssimas armas LANÇADEIRAS dos tempos dos castelos e de confrontos homem a homem. O cabo tinha que ter esse formato para ficar melhor de pegar. O cabo era retirado de plantas nativas da Caatinga como o Pereiro(Aspidosperma pyrifolium), a jurema(Mimosa tenuiflora), o mofumbo(Combretum leprosum) ou o marmeleiro(Cydonia oblonga). O cabo era cortado com uma foice ou um serrote com muito cuidado para não estragar a estrutura cabista. Depois de tirado, o cabo devia ser descascado e colocado para secar um pouco no Sol. Todas as frepas deviam ser retiradas para não furar as mãos do moleque que ia usar. As frepas eram retiradas com uma faca e depois o cabo era passado um pouco nas chamas de um fogo.
Para a atiradeira era preciso que tivesse umas ligas fininhas para amarrar as ligas grossas no couro e no cabo. Para fazer a atiradeira cortava duas ligas grossas de mesmo tamanho. Prendia uma das pontas de cada liga grossa nos buracos do couro retangular e depois as outras pontas prendiam nas pontas do cabo confeccionado desde então. Pronto! A atiradeira estava pronta para ser usada.

O modo de usar era fácil e qualquer moleque podia ser um caçador. Primeiro pegava-se uma pedrinha menor que a largura do couro retangular, prendia ela bem forte com os dedos de uma mão e com a outra mão esticava as ligas bem esticadas. Mirava-se para um alvo (no caso um pássaro) e soltava de vez o couro. A pedrinha saía da atiradeira com certa velocidade e se o moleque tivesse uma mira boa a pedrinha podia matar o pássaro e a caça estava conquistada.
Os moleques sambudos do meu tempo ainda tinham a idéia de confeccionar um bisaco de pano com dois bolsos um menor e outro maiorzinho. No bolso menor se colocava várias pedrinhas (isso para no caso do moleque ir caçar num lugar desprovido de pedrinhas ou para ele não ficar se abaixando direto na captura de pedrinhas). O bolso maiorzinho era destinado a guardar a caça conquistada, como também algum mantimento de sustância estomacal.
As aves caçadas eram,e ainda o é, rolinhas(Scardafella squammata), arribaçãs(Zenaida auriculata noronha ) , galinhas d’água(Gallinula chloropus), entre outras. Mas os moleques pra variar caçavam também tejos, pebas, preás, mocós e vários outros animais de pequeno porte que podia ser mortos com as pedrinhas da atiradeira.
A atiradeira com muito tempo de uso e de história passou a receber outros nomes como BALADEIRA e ESTILINGUE. Baladeira porque a pedrinha funcionava como uma bala que matava aves. E estilingue porque as ligas se esticavam como língua. Uma superstição também foi criada em torno da baladeira que quem pegar no cabo da baladeira sem ser seu dono, se for um sujeito errão de mira, faz seu dono ficar errão de mira e não se indireitar mais nunca.

BONECA DO FOGO

POESIA: BONECA DO FOGO
POETA: EDNALDO LUÍZ SANTOS.

A boneca do fogo olhou pra mim
Com seus olhos em chama me chamando
Despertou a moléstia fumegante
Para eu se lembrar de vez em quando.

Os seus olhos aqueceu o mal atrevido
Que despertou em erupção incandescente
O coração que de vermelho se encarnou
Num sangueiro de aspecto diferente.

A chama ardente aqueceu mi’a pele grossa
E aproximou o assado em tom derrete
O meu tato foi buscar no cerebelo
A sensação que outrora foi manchete.

E a boneca aquecia-me cada vez mais
Deixando quente uma carne encarnada
Um frenesi que consome minhas veias
Estou vampiro pelo sangue da amada.

Com um cabelo de boneca e Diabo Loiro
Deixando o ar amarelo e meio febril
Sou Curupira de uma mata de calunga
Na proteção de um desejo varonil.

O ar em chama só atiça o meu delírio
No meu recanto recantado em cela mansa
Sou mais ativo na pressão da labareda
No bom suspiro de um cansaço que não cansa.

Minha boneca que eu brincava quando criança
Era amarela com um cabelo afuguiado
Foi um momento que eu me vi num feminismo
Sentindo amor por um prazer embonecado.

Feito dia: 17/ 01/ 2013.

SONHO TEMPORAL

POESIA: SONHO TEMPORAL

AUTOR: SAMUEL MALAVER.

Meu desejo é utopia singular
Como uma incógnita ao Mar
Enigma do alvorecer
Pedra impenetrável
Como Tourette incurável
Oprime a alma e exprime o saber

Como entender esse sonho temporal
Tão útil quanto um jornal
Como controlar um Ser ávido
Impertinente, que insistentemente
Dilacera os conceitos e preceitos

No haurir da esperança
Ele me alcança, confunde,
Aflige, sacia-se e cansa
Para novamente retornar
Como uma sombra disciplinar
Que acorda de sua indolência
Para o justo atormentar

Sonhar não me faz esquecer
O temor de pertencer
A uma progênie impura
Dotada de desatino
Que me guia como um menino
Para no escuso apodrecer

Suas asas escuras
São como sonhos lúgubres
Que atraem as criaturas
Para o vale de almas insalubres

Como enxergar a compreensão
Em meio a multidão
Que sufoca o amanhecer
E o brando insiste em dizer
Que todo o meu entender
É provento de uma ambição.

O GRANDE SAMUEL FOI UM DOS MEUS ALUNOS QUE ESTÁ SE DESTACANDO NO MUNDO DA MUSICA E AGORA DA ARTE PENSANTE DA POESIA PENETRANTE. FICO FELIZ POR TER CONTRIBUIDO PELA FORMAÇÃO DE DISCÍPULOS.

A MODA DO LOIRISMO

QUANTAS MULHERES NÃO QUEREM SER LOIRAS?

É fato que o estrangeirismo adentrou no Brasil como uma multinacional e corroeu a mente fraca dos filhotes de um consumismo longe do alcance da cultura em os mesmos se inserem. Ao ver nos meios de comunicação os aloiramentos mundiais de países que não levam muito Sol no rabo, os brasileiros se distanciam do seu meio aquoso e nativo e passam a querer aparecer ou parecer com os sem-sangue de lugares como a França, Rússia, Escócia, Alemanha ou Estados Unidos da América.
Percebendo isso os setores de cosméticos criam fórmulas químicas para dá uma tonalidade loira as fêmeas que querem parecer diferente de carcaça. A tinturação faz com que se pinte um quadro de aloiramento previsto, levando mulheres e até homens a tingirem seus cabelos com loiros falsificados e afetados pela falta de raciocínio tingido.
No nosso Seridó, apesar de termos um ingrediente de loiros de nascença espalhados pelos rincões sertanejos, essa moda chega sem demora e faz muitas mulheres tingirem seus cabelos de loiros, incluindo ai uma maioria de prostitutas que querem ser objetos de atratividades aos seus clientes.
Tem muita gente que já nasce sendo loiro ou Diabo Loiro de nascença, pois segundo análise da razão católica o Coisa Ruim pode se aproveitar dos aloiramentos humanos e se encostar num encosto danado. Mas tem outras pessoas que preferem tingir seus cabelos de loiros com o intuito de ficarem mais vistosos na sociedade. Esse desejo de alguns é inerente ao período de preconceito português que preferiam mais os brancos de nascença do que os pretos de presença. Preferiam mais os Diabos Loiros dotados de seus dotes do que adotar uma cor de penumbra em doravante, sem um dote de doutrina. Se olharmos para o Big Brother Brasil da Rede Globo de televisão vamos perceber mais as aptidões pelos loiros de raiz ou pelos loiros falsificados numa busca de garantir uma nitidez chamativa do telespectador que deverá encher os olhos de amarelidão ao invés de enegrar sua visão com a pretumberância de artistas negros. E quando há um negro na tela joga-se tanta luz em cima dele que o coitado fica na aparição um quase branco florescente e parece que sua testa vive suando frequentemente devido ao reflexo sem o nexo da refração. E isso ocorre não só na Rede Globo não.
Também é visto que a maioria dos negros que conseguem se firmar na sociedade com profissões adversas buscam logo se aproximarem de loiros ou loiras, numa tentativa de demonstrar seu alto padrão de vida exposto até na conquista de um ouro gentílico. Isso mesmo! A busca pelos loiros na classe da riqueza diz respeito a igualação que se faz com a cor do loiro à cor do ouro. Tanto é que muita gente rica daqueles tempos de monarquismo medíocre não chamava LOIRO, mas sim LOURO em alusão ao ouro que se buscava e se consumia no período mais amarelo da história secular.
Aqui no Seridó também tem um, porém, não é muito raro que muitas pessoas que detém pele branca prefiram concomitantemente tingir seus cabelos de loiro para adentrarem no sistema de loiridão tremenda.
E o galesguismo? O que tem haver com loiro? O fato é que os termos galego ou galega foram parlatorizados pela cultura portuguesa que trouxe da Europa a falatória e a produção genética desses termos. De modo que todo(a) galego(a) é loiro(a), mas todo(a) loiro(a) não é galego(a) devido o fato de coexistir os loiros falsos. É, é por isso que eu profetizo: a desgraça do homem está na sua busca pelo louro de tolo.

A LOIRA DA BARRA DE SANTANA

NO momento que eu conversei com você e invadi seu estado decisório melindrei por pensar demasiado achando que você não provaria de um oposto apresuntado. Pensava que você não tomaria a lactose que se desprendera do corpúsculo besuntado de sequidão sertaneja. Mas estava errado e você logo de cara se fez criança e aceitou a lambança como deusa do lar vitaminado. Surpreendi-me por sua fantasia pelo verbo estuprático e quis viver as posições que nas tabernas que eu freqüentei era lei impraticável. Pois teve de me testar e aceitou minhas saídas de complementos bem completos.
Estávamos tão somente no ouriçar do bem-estar corporal que nem de longe eu prescrevia as revelações finalistas dos orgasmos temporários. Como se algo não fosse gerenciar um coice.
Você se derretia de características que pra suprir o leitor ou leitora curiosos pretendo expor um tanto quanto cético uma engrenagem de elementos aprimorados para você. Começo por sua cor epidérmica que tão ofuscava minha retina que não pude pedir arrego no auge de minhas férias acoitadas. Era um loirismo de beleza estrutural que deveras a muito tempo tem me inspirado em admiração constante cujo afago eu queria por que queria adocicar-me nos lábios sedosos da branquidão entorpecida. A loira era tão loira que nem de longe não quis saber a graça dela, só queria me embalar nos cabelos amarelos daquela deusa besuntada com o calor da ninhada paternal.
Não era muito alta, vestia uma calça elástica que denotava o bipartidarismo frenético de proezas urticante. Sua blusa era amarela, dando um tom de aptidão efervescente e cuja sandália já mesclava com a cor marrom bombom. Havia uma tatoo nos lombos calientes de figuragem distorcida pelo aspecto noturno que vislumbrava no seio daquele lugarejo inóspito e adoutrinado de amedrontamentos familiares. Sua voz era sorrateira e bem quista de tal morbidez que acalentava o mais bruto dos homens perdidos nos calabouços dos desusos. Mas que por fim suas mãos eram majestosas e deixavam uma conduta de relaxamento tão marcante que marcava o sujeito a ferro e fogo.
Expurguei os afrouxes que me atormentavam e gozei o jogo da liquidez paleontóloga cerca do ínterim de dois giros de 360º. A descontar o tempo noturno de apuração oposta tive de papear no final do séquito e desprovei o que tinha regozijado com tanto esmero e afinco. Reportei que a Loira que me acalentava gostava do pomar de Eva e jamais do jardim de Adão.
Mas na hora não desaprovei o querenismo devido ao fato d’eu já está bitolado com os discursos punitivos de excreção opcional. Depois fiquei feliz por ter ganho o elixir do conhecimento despregnado de canduras rancorosas. Porém beijei daquela água como se fosse a última.

A TRADIÇÃO E A SECA NO SERTÃO.


“EM MEIO AS INTEMPÉRIES DA SECA A TRADIÇÃO É UM DOS SORRISOS DA ESPERANÇA SERTANEJA”

ESSA frase foi profetizada por mim no grande e mais popular Natal da Cidade de Jucurutu quando, no auge do frescor de líquidos incomensuráveis, a razão se fez mais forte e penetrante e eu aflorei o sumo da sucção simbólica com o objetivo de fortalecer as práticas tradicionais de cidades do Seridó. Mesmo tais cidades vivenciando as catástrofes infernais da Grande Seca de 2012 que se estende ao ano de 2013, estas cidades se mostram necessitarias de um sorriso que alivie o sofrimento humano. A prática cultural independente de Seca é um direito constitucional garantido ao cidadão. De modo que o Natal de Jucurutu é uma prática cultural e que merece ser perpetuada. Assim o locutor recitou essa frase para uma platéia de mais de 3 mil pessoas, o que me deixou todo fofo e consciente do ato que eu estava orquestrando.
Numa festa desse quilate ocorre a captura de grandes somas de dinheiro que eventualmente é usado para suprir as necessidades do povo jucurutuense sofredor com a Seca maldita.
Isso vale também para o carnaval de muitas cidades do Seridó que mesmo vivendo o drama da Seca, o povo precisa ocupar sua mente com a euforia dos risos e da alegria, sem a extravagância aquosa e com consciência dos excessos que se verifica numa pactuação de rituais momescos.
Trazendo essa frase para a Cidade de Caicó viabilizará o grandioso Carnaval que ante a Seca é uma prática cultural e tradicional que há muito tempo tem gerado muito emprego e renda para a população caicoense.
Daí fiquei muito feliz quando o atual prefeito da Cidade de Caicó, Roberto Germano, disse que o carnaval caicoense vai ser realizado com toda a euforia, mas com a consciência da economia e corte dos excessos como os tradicionais banhos de bica de vários blocos carnavalescos.

O Tempo Que Eu Quero Ter

POEMA: O Tempo Que Eu Quero Ter

AUTOR: JOALISSON MAGYAVER

À tarde pálida e sinistra me revelou que,
Eu preciso dar um tempo ao tempo, para o tempo
Poder me dar um tempo.
Mas o que é o tempo?
De que tempo falo?
Esse poderia ser o tempo que cura tudo,
Mas é o tempo que cura tudo? Ou são
Nossas ações tomadas no tempo às causadoras dessa cura?
Mas volto a perguntar que tempo é esse que falo?
Onde encontrar?
Será que posso encontrá-lo na beira da praia?
Ao nascer o sol? No olhar de uma garota a qual eu tenho estima?
No sorriso de uma criança? No poder entorpecedor de uma garrafa com vinho?
Ao luar de uma noite ventilada? No brilho das estrelas?
Ou na crença em uma divindade?
Então a voz suave do vento ressoou
Em meu ouvido:
Esse tempo esta dentro de você!
Essa resposta foi o inicio
Para outra indagação/mistério
Como encontrar esse tempo
Na imensidão do meu ser?
Ah... Essa procura pelo tempo, o meu tempo!
Pretendo um dia encontrar o “tempo,” eu devo, e só assim,
Saberei se o tempo esta sendo tempo, ou se,
O tempo nunca foi tempo.
Como encontrar o tempo que eu quero ter?
Oh meu Deus o tempo!
Oh tempo!

FBN

POESIA: FBN
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Fuxico você faz porque quer
Bondade também é uma escolha
Ninguém suporta ser uma bolha.

Felicidade é você quem faz
Beijar o teu desejo irmana
Ninguém esquece essa loucura insana.

Falsidade você não se valoriza
Brincadeira já se viu ser negligente
Ninguém suporta o falar da gente.

Fraqueza é sua falta de vitamina
Banquete alimenta a tua gentália
Ninguém se ama sem o dom da genitália.

Fricote vem da sua mimação
Bricolagem vem da sua genitora
Ninguém é feliz com essa cena amadora.

Firmeza deixa fraco o teu orgulho
Beleza não se faz na forma externa
Ninguém deseja quando a chaga pega a perna.

Fingir lança você numa ilusão
Brigar aproxima o teu inimigo
Ninguém esquece um amor antigo.

Feito dia: 18/ 01/ 2013.

MEU BLOG AGRADECE:


EU, EDNALDO LUÍZ, AGRADEÇO AOS ACESSADORES ASSÍDUOS QUE ME DISSERAM QUE ACESSAM MEU BLOG. MAS TAMBÉM DEDICO FORTE ESTIMA AQUELES MEUS SEGUIDORES QUE LÊEM MEU BLOG E QUE AINDA EU NÃO SEI O NOME.
OS MEUS SEGUIDORES QUE JÁ CONCLAMAM DIZER QUE SÃO MEUS DISCÍPULOS SÃO:

• IVANA de Seu Gonzaga;

• HUMBERTO FERNANDES agente penitenciário da Paraíba;

• JANAINA GALVÃO blogueira;

• JOALISSON meu ex-aluno de reforço;

• SAMUEL meu ex-aluno de reforço;

• Prof.º MARX lá das brenhas de São Gonçalo do Amarante;

• Prof.ª GEIZIELY de Serra Negra do Norte;

• A FAMÍLIA GIL(GILDEVAN E GIR...) um casal vivo;

• SARA E REGINALDO pasteleiros do Castelo Branco;

• E TANTOS OUTROS MAIS...

É COM A PRESENÇA DE VOCÊS QUE DME UM INCENTIVO DE PRODUZIR CADA VEZ MAIS. E DIGO AQUI QUE AS PESSOAS QUE EU SOUBER QUE ACESSAM MEU BLOG EU VOU REGISTRAR AGORA NO BLOG.

AS PAISAGENS DO JANELÃO

Pelo meu janelão vejo ratos na rua fazendo a maior algazarra. São bichos pestilentos e que se acham parecidos com gente na sua mais estupenda arrogância de gente. Os ratos são de todas as formas, de todas as idades e de todas as características tremendas. São bichos que se acham em rodinhas sem clubes, entrelaçados pelo simples fato das roídas do fuxico, dos acasalamentos disfarçados de amizades estranhas.
As feituras dos bichos é de uma imprecisão tamanha que se infiltram entre os bichos de gente lhes corroendo nas estruturas logo na hora em que o Poeta precisa descansar de suas produções vêem a mente as inquietações de tal porte que não obstante conduzem o Poeta até aquela abertura sólida para auscultar a vida dos ratos alheios.
Os ratos são de uma espécie que não tem medo do homem vil e intelectual, nem tão pouco da luz do dia, já que vivem a fazerem rodas de ruídas principalmente nas esquinas expostas de exatidão. Parecem que querem ser vistos e revistos pela razão dantesca e freudiana, pois não escondem as vergonhas das artimanhas sem vergonhas que estão acostumados a apresentar diurnamente ou até mesmo noturnamente.
Vi ratos vestindo-se como gente, de óculos na cara, de chinelo havaiana, de sem camisa, de chapéu na cabeça, de moto, de carro chique e expurgados pelo líquido sorrateiro da mesmice ratista. E ratas vestindo vestido rodado, comprando roupas para expor na festa dos ratos salpicados com cloretos já conhecidos. Ratas de moto ou na moto como se fosse gente mesmo. Ratas velhas de cabelos brancos, já não davam mais nos dentes. Ratas de batom, de celular, de prenhas, de salto no asfalto do lugar.
A direita uma ratazana danada se acha no diálogo ratista todos os santos dias falando da vida de quem vai e de quem vem. Uma rata, robusta por natureza, se mostrava portadora da condição de organizar o falatório a sombra fresca do velho trator de bosta. Era esta quem persuadia as ratas do seu ciclo a melindrar deboches e mais deboches contra um rato que incomoda sem a moda do faz de conta. Esta rata rói tanto no seu cubículo que já está com a pança pra lá de Bagdá, gostando mais de roer ticos e mais ticos de comida racionalizada. O seu marido é um velho e gordo rato que certo dia foi roubar a sua comida predileta acabou por decair em um estreitamento de vereda e lhe fraturou o pé onde o mesmo se ver na dura tarefa de roer ainda coxo do pé roxo. Ela é mãe de uma prole de sucção partidária aonde discorre o fio da meada dadaísta onde os dentes são postos a roer para se ter uma conduta de prazer mal revelada. Uma família tal qual se prateia nos olhos de quem observa é avinda dessa mãe pecaminosa de orgias falatórias. O velho mano não é plano e nem tampouco é ser hu-mano.
O rebanho de ratos passeia nos corrimãos da vida e fica poluindo as vidas medíocres dos outros, pois as algazarras e as zombarias vitais para os errantes do alheismo anárquico são tão bullingosas que pode autodestruir o que se conservou como um paraíso pessoal.
Mas então o que eu devo fazer leitor ou leitora? Devo comprar o chumbinho do extermínio ratista ou devo deixar em póstuma liberdade os ritos e rituais de roídas ratistas? Espera-se que isso seja resolvido pelo bem-estar poético da visão dantesca sobre a fresca aparição de um janelão.

BEIJO

POEMA: Beijo
POESIA: Jorge de Sena

Um beijo em lábios é que se demora
E tremem no abrir-se a dentes línguas
Tão penetrantes quanto línguas podem.

Mais beijo é mais.
É boca aberta hiante
Para de encher-se ao que se mova nela.
É dentes se apertando delicados.

É língua que na boca se agitando
Irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
E sobretudo o que se oculta em sombras
E nos recantos em cabelos vive.
É beijo tudo o que de lábios seja
Quanto de lábios se deseja.

sábado, 19 de janeiro de 2013

SOBRE UNOS LIRIOS

POEMA: SOBRE UNOS LIRIOS
POETA: Jean Gil-Albert


(APUNTES)

I

Mancebos como príncipes,
Os habéis alejado del jardín
Y crecéis en mi alma,
En algún oculto declive.

Morados y blancos, malvas y amarillos
Son los colores de vuestras vestiduras,
Y espolvoreados de plata
Desafiais al tiempo.

Cuando sopla la brisa
De mi corazón enamorado,
Sonreís lentamente
Como si recordarais.

II

Os llevaba conmigo,
Como un manojo de príncipes
Que rodean al maestro
En el ejercicio de la mañana.

Luego engalanabais
Mi mísera vivienda,
Pero vuestros verdes espadines
Me recordaban nuestra distancia.

III

Os amo,
Flores lejanas,
Jóvenes reyes
Del monte misterioso.

Comprendo que hayáis huido
Del jardín y su gente;
Nada atrae allí
A vuestra altiva sencillez.

Entre estas cuatro paredes,
¿Os resultaré un triste inoportuno?
Y sin embargo vuestro dulce aroma
Me llega como la respiración de un amigo.

IV

Desde muchos años,
Nadie había sabido acompañarme
Con esta gentileza
Que me cautiva.

Cautivadores sois,
Inexpresables,
Y vuestra presencia ha sido en estos días
Como el sueño de mi juventud.

Cuando la pálida púrpura
Del capullo se aje,
¿Qué imagen entristecedora
Os llevaréis de mí?

V

Os puse junto al recuerdo
De una jovencilla desaparecida,
Porque me gusta rodearme
De seres que no dañan al amor.

Quizás entre ella y vosotros
Hay un diálogo inefable
Que yo nunca entendería,
Porque soy un hombre.

De "Las iusiones"