sexta-feira, 31 de maio de 2013

O POVO PROCURA O POETA DO SERIDÓ

JÁ há alguns dias eu fui surpreendido por falatórios da cidade de Serra Negra do Norte que muitas famílias já estavam despertando o interesse de colocar seus filhos para estudar com essa vossa senhoria. Mas eu queria saber na realidade o pruque que muitos serranegrenses queriam colocar seus filhos para estudar comigo? Não se sabe ao certo, mas creio em voz entre as mulheres que talvez seja pelo meu método inovador de lecionar. Algo que eu acho meio disparate, mas que na minha opinião tem surtido um efeito muito doido e convincente no patamar das exigências familiares. A cidade até que é uma terra muito boa. Terra de estórias escondidas e de Histórias enaltecidas de riquezas para a História completa da região do Seridó. Essas famílias são dadas ao aproximar-se mais de suas condições e temperar-se com novos incrementos para a construção de uma boa cultura. já tenh recebido elogios por demais da conta de pessoas postas no glamour das importâncias como: agricultores, motoristas, lavadeiras de roupa, cozinheiras, vereadoras, aposentadas, juventude, moleques sambudos, molecas mocinhas, zelador da rodoviária, bibliotecária, funcionários da prefeitura local e tantos outros maestros e maestrinas que topam as vezes com minhas afinidades e buscam os ladrilhos de uma composição transcendental para uma amizadagem vertiginosa que ultrapassa senão os rincões da Serra Velha e esculpe talvez uma estátua ednaldiana no topo de uma serra qualquer ou nos rabichos de um serrote sem erosão.
Algumas mães de famílias vieram até me dizer que seus filhos queriam estudar comigo porque já estavam sabendo que eu era um ótimo professor e que detinha em seu cabedal de ensinamentos todas as possíveis soluções de respostas as diversas perguntas que emergiam do mundo fantástico da criança e do adolescente. Gente que me adorava logo antes de eu ter um contato docente com ela. Gente que me gabava sem antes eu ter tido um dedim de prosa com ela. É incrível isso e meio assombroso já que nunca tive de fato um trabalho reconhecido de modo citadino. E olha que só faz dois anos que eu trabalho lá como professor do 5º ANO.  Eu indaguei se essa ainda pequena fama era por conta da escola onde trabalhava, mas disseram que não. Era por mim mesmo! Disseram que é porque eu misturo uns ingredientes do bolo da aprendizagem que é o riso, a poesia matuta, o saber de coisas inexplicáveis, a arte em função da aprendizagem, o valor que dou ao ser humano, a crítica que professo, o meu sorriso diante de todos os problemas, a minha facilidade de fazer amizades, a capacidade que posso ter de mudar o mundo e contribuir o máximo para o esplendor da cidade de Serra Negra do Norte, e tantas e tantas outras coisas que dizem e que disseram sobre mim.
Tanto é que já recebi uma medalha de honra ao mérito por ter feito um trabalho com os alunos contra o abuso de crianças e adolescentes, já fui a uma reunião onde uma assistente social me chamou de doutor, uma vereadora da cidade já está assegurando meus préstimos para um grande resgate para a história da cidade, já estou me engraçando para escrever a história do Bairro de Serranegrinha (hoje Bairro da Liberdade), já escrevi uma poesia falando da cidade que garantiu o selo da UNICEF, entre outras coisas.
Claro que um trabalho nunca agrada a todos e que na própria cidade tem pessoas que querem ser vistas também e logo despertam uma inveja sobre mim e começam logo a traçar posições maldosas, punições severas, domínios sobre a liberdade, entre tantas. Algumas delas só porque estão diante de um cargo velado por certos poderes que dizem ter querem amedrontar os outros para que estes se tornem capachos seus.
Porém, digo pra essas pessoas que jamais eu me sujeitarei a ninguém porque eu tenho meus princípios e o que eu acho que agrada a uma maioria é o fundamental e percebo agora que estou fazendo a diferença. E essas pessoas que me vêem com um olhar de menosprezo é porque se sentem inquietas com as minhas vanglórias e capacidades de fazer a riqueza maior que eu presumo que é a de fazer amizades. Isso não há chacotas que derrube, não há força que pondere, não há cara de azeda que me jogue nos acolho da vida.
Somente este ano de 2013, mais de 32 alunos queriam freqüentar a minha sala de aula. Eu fiquei surpreso e curioso, pois sempre me perguntava: O que é que eu tenho de bom?

AS TRAQUINAGENS DO SERIDÓ

O Seridó é senão um poço de estudos de caso. O que leva uns indivíduos a atuarem uns contra os outros na busca simplesmente de arrancar risos e mais risos da platéia de plantão. As pilherias e as anedotas foram muito freqüentes no sertão de outrora e mesmo com tantas inovações e leis proibitivas as traquinagens ainda ocorrem com bastante freqüência. Eu mesmo já vivenciei essa fase de traquinagem com bastante entusiasmo e capacidade de pensar sobre tantas e tantas e inovações no setor  das peripécias ednaldianas. Como me disse uma vez a professora Aninha que as “peripécias de Ednaldo estão escondidas pra sair”. Mas o mundo das peripécias é sem dúvida nenhuma um mundo prazeroso de viver, pois contém em seu cabedelo um arsenal de risos e felicidades longe de ser um bullying mais combativo. As peripécias são senão ações cometidas contra outrem que se acometem de passividade de se pregar as presepadas.
Tais presepadas começam logo dentro de casa. Era comum eu ter vivenciado a onda de botar um copo d’água em cima da porta para que quando alguém abrisse a água caísse nos pés do sujeito ou da sujeita. O fato de botar café sem açúcar para os outros tomar sem avisar e quando os outros forem tomar fazer uma careta, era muito engraçado. Colocar o colchão em cima da parede para quando o outro fosse passando alguém ir empurrar e o colchão cair na cabeça dele. Também uma das coisas que eu fazia e que depois morria de rir era passar uma gororoba nos ferrolhos das portas e janelas e quando alguém ia abrir ou fechar os ferrolhos se melava todinho e ficava com uma raiva danada. Também botar o pé para o outro cair isso era rotineiro e divertido. Botar uma fileira de margarinas secas dentro de um armário e escorá-la na porta para quando alguém for abrir o rebôlo de margarinas cair em cima do sujeito. Enrolar uma pedrinha numa embalagem de confeito e dá para o outro chupar e quando ele abria a embalagem ficava surpreso era engraçado. Passar limão nos beiços dos copos de vidro também a gente bolava de rir da careta que a vítima fazia.
Fora de casa as presepadas eram mais freqüentes e mais danadas. Jogar pedra em cima da casa dos outros e vê-los danados era uma coisa que a maioria dos moleques do meu tempo sabia fazer.  Pegar um espelho e fazer réstia com a luz do Sol mesmo nos zói dos outros era maneiro. Bater na porta da casa dos outros e correr para quando os moradores abrissem a porta não avistasse ninguém. Jogar calcinha usada de muié na cara dos outros, ai que era engraçado o gesto que as vítimas faziam. E quando tinha chuva? Uh,ruh! A coisa ficava mais engraçada ainda. Os moleques do meu tempo custumavam brinca de tomar banho de bica. Ah, como era gostoso! Tinha deles que chamavam as molecas de peito, de preferência com uma blusinha branca, que quando a chuva batia nelas e a blusa ficava ensopada os peitinhos logo apareciam e os moleques ficavam brincando de ver os brotinhos dessas molecas. Os mais audaciosos e atrevidos metiam as mãos nas perinhas e saiam correndo chega o pé batia na bunda, e as molecas vítimas saiam correndo atrás deles para jogar uma predada ou dar-lhe uma chinelada ou mãozada. As molecas mais cruéis metiam uma paulada com garrancho de pereiro que naqueles tempos haviam em excessos. Também pisar no chinelo havaiana dos outros pra ver os outros pelejar pra cair era também o que se via naqueles tempos.
As moitas também eram muito divertidas fora quando a gente despertava os malditos desejos de gente grande e se enrabichava por alguma moleca do grupo. Mas fora isso fazer casa modelo oca de índio era muito bom. A gente tapava bem tapadinho os quatro lados da barraca e só deixava só a portinha de entrada. Dentro enfeitávamos de tudo que se conseguisse achar nos monturos da época. O que era mais bonito de enfeite era as sacolas de plástico coloridas que deixavam a barraca da gente bem bonita. Quando estava pronta, a gente chamava os vizinhos para tomar um café (era água numa xica) ou comer um bolo (era bolacha seca com rapadura). Os vizinhos eram outros moleques sambudos que ficavam próximos da barraca da gente. Quando uma barraca era muito bonita de enfeite podia despertar a inveja dos outros e foi num foi as barracas bonitas eram alvos de vandalismos, onde se queimavam as barracas dos outros. Se o dono pegasse algum vândalo queimando uma barraca a pisa era grande e todo mundo se juntava pra dar no vândalo. Tirante do trivial, as nossas barracas assustavam as pessoas adultas e vez pro outra um mequetrefe desses tacava fogo no nosso patrimônio.   
Queimar as bostas dos outros era muito divertido, pois diziam que ia pipocar o cú dos outros. E talvez pipocasse mesmo já que no outro dia quem tivesse com coceira no fundo é quem era o cagador. Muitos moleques também do meu tempo não pudia ver uma casa em construção que logo despertava neles a vontade de cagar dentro da casa dos outros. E quando o dono sabia, no outro dia, era aquele ribuliço. Cagar no mei das estradas pro povo pisar em cima era a diversão da traquinagem de muitos moleques.
Cuspir no chinelo dos outros era uma traquinagem antiga, mas divertida e a reação do povo era de nojo. Os meninos gostavam muito de empurrar as meninas dentro dos chacos quentes que ficavam nas beira de pista quando chovia e as meninas corriam atrás para dá uma predada na cabeça dos pivetes.
As mulheres também entravam na onda das presepadas do tipo colocar pimenta na rapadura dos outros. Mijar no chinelo dos outros pra ver a cara de danado. Dá cuspida na cara dos meninos e correr. Mangar das pirocas dos moleques quando elas viam eles sem cueca. Descer o calção dos moleques pra ver se eles estavam em osso. Levantar as saias das meninas pra ver a cor da calcinha ou pra ver se uma estava sem calça. Dizer pra um moleques que fulana de tal que é feia tá afim dele e ver as outras mangar. Jogar terra no cabelo dos outros e das outras, também elas achavam bom. Amassar a boneca da outra quando tinha uma arenga. Dá joelhadas nos ovos dos moleques que agarrassem elas pra namorar. Dá tapa nas costas do menino pra ver eles gritar. Puxar nos cabelos uma da outra quando tivesse uma arenga danada. Olhar os meninos cagando dentro dos matos pra mangar depois. Jogar chicrete nos cabelos das outras, isso tudo eram peripécias que as molecas podiam fazer naqueles tempos e que podia-se presenciar de uma hora pra outra.
Os pais dos moleques de outrora comiam dobrado pra ver se colocavam os moleques na linha, mas sempre eles não conseguiam e logo percebiam que era uma causa perdida. Até pra ir pra escola se o moleque não quisesse não se obrigava não. Era só mandar ele pro cabo de uma enxada ou de um machado que tava tudo resolvido.
No tempo de chuva por essas paragens as presepadas eram jogar lama nos outros. Brincar nos charcos quentes era a mais perigosa e divertida ao mesmo tempo: perigosa porque podia se pegar uma gripe ou uma pneumonia; divertida porque a gente ria muito e as vezes aprendia logo a nadar. Quando o chão tava molhado os moleques brincava de triângulo com bilas e vez por outra tinha um moleque ruim dando o Lau (carregando) as bilas do triângulo. Às vezes o moleque corria tão ligeiro e apanhava as bilas num pinote que nem dava tempo da gente correr atrás dele e dar-lhe um sova nos lombo.
Tudo era divertido naquele tempo e o que se mostrava proibido era senão gostoso de fazer, pois quando se é criança a lembrança é diversão e não proibição. A teimosia é uma tentativa de quebrar as regras estabelecidas. E o castigo dói no começo quando se é espancado, mas depois mistura-se com uma raiva e ao mesmo tempo saciação do que foi provado mesmo sendo proibido. Mas quanto mais pêa a gente levasse mais a fama de ruim nos ficava como doce argumento para novas travessuras. As traquinagens do Seridó eram senão os divertimentos que nós tínhamos enquanto esperávamos pelos vídeos games, pela TV, pelo DVD e pela internet. 

ALI VIA MENTE

SONETO: ALI VIA MENTE
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

O escarro do projétil, grande mal,
Que a leoa mitológica não consome
Narcisismo com poder é ritual
Prato cheio que se faz e não se come.

Toda escolha tem um tom coloquial
Toda vida se espera que se dome
Se o futuro parecer-lhe infernal
O viver do passado deixou fome.

Viver salubre e a vida marginal
São duas coisas que não tem nem cognome
E o socorro sempre é o hospital

Esse elixir proibido que se tome
Perdeu-se numa festa em carnaval ...(e...a)
Mente livre busca hoje por um nome.

FEITO DIA: 04/ 05 / 2013.