sexta-feira, 26 de julho de 2013

VEJA AS POSTAGENS ANTIGAS!

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ENERGILISMO, A NOVA RELIGIÃO.

NO TEMPO dos índios tapuias tarairiús existia um que se chamava RAZAN. Um índio muito pensativo e curioso para ter sabedoria sobre as criações da natureza. Para ele tudo que a natureza criou era belo por natureza. A serra (como a Serra do São Bernardo), os serrotes (como o Serrote Branco), os rios (como os rios Seridó e barra Nova), a mata (como a Caatinga), e tantas outras criações admiráveis. Vivia ele com sua tribo a passar luas e mais luas aqui no sertão seridoense, sendo que foi nesse espaço que Razan, movido por sua razão, foi contemplado com uma revelação espetacular. Esse índio gostava de ir ao grande Monte de Pedras Brancas (monte que hoje nós chamamos de Serrote Branco), pois dizia ele no seu linguajar tarairiú que naquele monte havia uma passagem energética que lhe convidava para o conhecimento de um mundo jamais revelado a um bicho sem pêlo. Ficava ele a imaginar sóis e mais sóis na sua solidão de delírio como devia ser esse mundo e será que ele o entendendo entenderia seu mundo real.
Certo dia, o índio Sombrás que costumava ir com Razan até o monte teve de ser picado por uma serpente peçonhenta de nome jararaca e ficou na tribo, instalada nas margens do Rio Ciridó. Mas Razan foi sozinho e chegou lá no monte já no raiá da aurora que era nesse exato momento que os gatos encarnados ainda estavam pela mata. Ele sempre levava seus apetrechos de caça como a flecha e o arco. Água havia num riacho por perto e esse índio sabia dominar o fogo. Chegou lá e ficou na moita, sendo que ainda conseguiu matar um gato encarnado e tratou logo de o tratar. O sol passou e chegou a escuridão, momento do corajoso índio acender a fogueira com graveto de jurema e pelejar para assar a carne do gato. Ele era acostumado a passar a noite nesse monte e nunca teve medo de onça. Feito o cometório tratou o índio de fechar o brilho do dia para o descanso obscuro. A noite era de gelo e não se ouvia o pio da coruja.
Quando estava dormindo, já por debaixo do sono, teve de ser incomodado por uma luz ofuscante na sua cara e involuntariamente se acordou para assuntar o quê que era. Viu Razan no meio da luz umas fumaças coloridas e uma voz dizendo: “_Eu sou GASION!”. De inicio Razan se arrepiou desde a ponta do dedão do pé até o fiapo da espinha dorsal, mas como curioso que era ficou a olhar para luz e logo perguntou o diabo ela queria. E a voz como se estivesse ecoando disse que era o Deus Gasion e que tinha escolhido Razan para ser seu profeta e divulgar para a sua tribo a nova religião que nascera para suprir toda a carência dos necessitados do antigo Ciridó.
Disse o Deus Gasion que Razan usasse sua razão para nomear a verdadeira religião que ia levar os homens a refletirem e a parar de iludir as pessoas com falsas religiões. Gasion disse a Razan que tudo que tem vida e até o que se pensa que não tem foi gerado por ele que é um deus-força, um deus-energia que criou não só a Terra mais diversos outros astros com suas próprias existências. Disse Gasion que ele é um deus-energia dotado de extrema sabedoria e que por isso criou pequenos seres com pequenas energias para que estes vivessem na Terra se fortalecendo e que morressem para constantemente revigorar a energia criadora. Disse o deus que toda a existência na Terra é um ciclo e que tudo está em equilíbrio, sendo que de todas as cinco gerações que ele já criou no planeta em todas havia criaturas especializadas para proclamarem a autodestruição, todas elas fazem por onde consumir ao extremo a natureza criadora. Disse ele que a genética que compõe os seres vivos é quem é a responsável por eles se reproduzirem como autocópia.  E disse que Razan fazia parte da sexta geração que iria destruir seu habitat.
O deus incumbiu a Razan a missão de divulgar esses ensinamentos em sua própria tribo e que gerasse pajés que divulgariam a nova religião para outras tribos. Razan ouviu tudo assustado e ao final Gasion disse que o índio iria se chamar profeta, num período em que muitos homos já havia sofrido a transformação e deixado de se comportar como macaco, utilizando a razão como meio de escapar dos testes mortais da vida. O homem naquela época já era um bicho sem pêlo e consequentemente pensava com um cérebro. Gasion disse que levou muito tempo para se convencer da criação de uma espécie tão astuta e inteligente, onde ele teve a brilhante idéia de criar uma espécie de homos parecido com os primatas amacacados e que de tempos em tempos esse homos iria se metamorfoseando até então ter chegado na figura de Razan e seus irmãos.
Depois de toda essa visagem a luz se sumiu na escuridão noturna e Razan desmaiou logo após. Quando acordou a estrela solar já lhe queimara a cara e ele arrumou seus teréns e picou a mula para sua tribo. Chegando lá, como que num passe de mágica, todos os guerreiros e guerreiras da tribo vieram ao seu encontro e espiaram o índio com curiosidade e logo perguntaram o que tinha acontecido e sentaram em circulo para ouvir. Razan não hesitou da missão e se sentindo com o poder da persuasão oral ludibriou uma concordância e aceitação dos princípios da nova religião e formou a partir dali bons propagadores da nova religião.
Razan disse a todos que já que a tribo há muito tempo procurava uma razão de viver e de adorar uma força criadora, agora teve de encontrar e essa força era senão o Deus Gasion, habitante de um brilhante espaço energético. Gasion era formado por gases vivificantes, onde foi criado no acaso do nada. Disse o índio que o deus sabia todas as línguas dos homos e conhecia todos os lugares do cosmo e que só intervinha na existência vital se uma criatura pedisse com bastante força e telepatia de uma energia menor com uma maior, isso seria a fé.
Razan disse que todos nós quando morremos a nossa energia vital é sugada pela energia suprema e onipotente, que carece constantemente de ser revigorada para manter o seu ciclo de criação. A chamada alma é essa energia. E todo ser vivo que nasce recebe por natureza a energia que lhe possibilita a vida. A natureza para Razan seria o chamado Espírito Santo que funciona como um intermediário entre os seres vivos e o Deus Gasion.
Razan disse que naquela noite de visagem sobrenatural, mas de natureza luminosa e energética compreendeu que o homem enquanto homos natural é dotado de dois lados que o transforma num enigma que nem ele mesmo o compreende. O homem em si tem medo dele mesmo. Sua energia criadora o dividi em duas partes: uma negra e outra branca. A negra que depende da luz para existir é o lado selvagem, animalesco, capaz de matar, de ferir, de degradar sem arrependimentos. É o lado egoísta e interesseiro que almeja poder, bem estar, conquista, fama, força e domínio sobre o outro.  A parte branca, passível de luz e consciência, é a que guia o homos nos seus sentidos, é a que constrói a memória ativa e passiva, é a que lhe serve de inspiração e criação de eventos de conforto, de domínio, de conhecimento, de produção conforme a necessidade da parte negra. Essa parte é a que policia quando se deseja as atitudes do homos. Essas duas partes que estão presentes na cabeça do homem podem estar em equilíbrio ou desequilíbrio, dependendo do controle que é construído de dentro para fora e de fora para dentro. Se o controle externo for maior que o interno, dependendo do interesse da parte negra, o homos age contra os outros com atitudes malignas, discordantes ou destrutivas. Se o controle interno for maior que o externo, dependendo do interesse da parte negra, o homos consegue viver em harmonia consigo e com o próximo, pois a sua vivencia e o seu modo de pensar corresponde aos seus próprios interesses. Mas Razan deixou claro que o confronto entre esses dois lados torna a mente tão complexa que nem um homem será capaz de desvendá-la, pois a mente do homos é o portal pelo qual a força maior quando pedida e querida internamente socorre os interesses desse homos. Todo o ser humano é interesseiro e tudo que ele fizer de ação ou reação, de criação ou destruição, é por puro interesse próprio. Se o homem cria, assim como Gasion e Razan o fez, uma dada religião é por puro interesse próprio. E o homem por sua parte branca, e dotado de bons órgãos que a natureza criadora lhes deu, é capaz, quando incentivado e praticado, de persuadir unidades e multidões de seres de mesma espécie.
Disse Razan que Gasion criou todo ser vivo e cada um tem, além de sua energia criadora, uma função e um objetivo vital de equilíbrio natural. A muriçoca não foi criada por acaso. Nem a formiga, nem a abelha, nem os vegetais e nem tão pouco o homem. As coisas imóveis não têm vida dinâmica, mas tem vida estática justamente para manter o dito equilíbrio natural. E para que ocorra esse equilíbrio é necessário que todo o ser vivo corra perigo de vida para manter o ciclo natural da Terra e da energia divina. Todo ser vivo, não só o homem, é dotado de interesse e é isso que torna toda a existência uma criação dinâmica.
Razan teve de precisar de muitas luas para explicar todas essas essências da nova religião e de tantos sonhos para iludir-se de razão por intermédio da luz enérgica de Gaison. Razan teve de se preocupar mais em entender a existência do homos do que a de outros seres,visto que essa espécie a qual ele fazia parte era por condição muito complexa e reveladora. Tudo que o ser humano constrói colabora para sua autodestruição.
Razan também expôs que todo esse conhecimento da nova religião não deve jamais ser escrito, pois tudo que é escrito partindo de uma oralidade prescrita torna-se uma verdade concreta, finita. E o pensamento não deve ser limítrofe e codificado por um monte de símbolos criados por uma criatura da natureza, já que toda criação que a criatura cria não abrange por completo as intenções da natureza. O código simbólico é uma invenção feita para registrar os sons e não sua significância energética. Mas a nova religião deve ser guardada por análise na memória, numa parte do cérebro que passou a se chamar DOMINIUN. Esse é o livro sagrado dessa religião que a tribo passou a chamar de ENERGILISMO . Tudo que se sabe sobre a nova religião deve ser passado de geração para geração, de boca em boca, fazendo o outro compreender o não compreendido, de modo que o homem sem essa percepção ainda é um ser energético. Mesmo que ele esteja iludido e persuadido por religiões falsas, que estão mais próximas do domínio da força negra do que da branca. As várias religiões são chamadas de falsas porque são movidas por interesses humanos com propósitos de fazerem os homens persuadidos  viverem em paz numa sociedade civilizada. E se isso acontece os interesses humanos de estágio de poder fazem valer um estado de domínio e manipulação sobre os homens, cujo poder para ser imposto deve vir acoplado por ações violentas para uma aceitação mais rápida e mais consciente de perigo vital. É para isso que a humanidade cria a educação a fim de lançar o homem criador longe do propósito energético de criação, dominando-o de acordo com o interesse do Estado humano. O estado natural é renegado e o homem por poder e por persuasão dos outros se sente um ser superior aos demais seres vivos, não hesitando de eliminar uma planta ou um animal sem saber da sua função de equilíbrio. O homem se apodera de espaços sem a permissão da natureza por puro egoísmo de superioridade pensante. O homem cascavilha os segredos da natureza a fim de poder conhecê-la e dominá-la.
A energia humana para ser revigorada precisa de complementos que são a água e a comida. O descanso humano é importante para o corpo, pois gera forças e mais forças para a existência vital. Essa existência vital e energética não é duradoura, já que a energia maior Gasion precisa de revigoramento em tempos e tempos. É pra isso que existe a morte e que ninguém desconjure esse fim do prazo da pequena energia. Isso é natural e faz parte de um ciclo de existência e não de aniquilamento. Dessa forma toda morte deve ser aceita com alegria e compreensão do ciclo energético.
Durante a reprodução, a força maior solicitada internamente pelos interesses do casal humano, adentra na mente criadora pelo portal e delimita o tipo de energia criadora a qual fará parte do novo ser que a natureza irá criar. Podendo o ser vivo ser macho ou fêmea do interesse humano ou da própria seleção natural. No ser humano e em alguns seres quando há um confronto de decisões entre o interesse humano e a seleção natural ocorre uma anomalia genética (no caso deformações e/ou deficiências) ou um desequilíbrio de gênero, chegando a natureza a criar um homem no corpo de mulher ou uma mulher no corpo de um homem.
A energia criadora do índio Razan demorou cerca de 150 anos na região seridoense e teve que se despedir da Terra para ir revigorar a energia maior de Gasion. Porém esse profeta conseguiu o intuito da nova religião: formou vários contempladores e divulgadores dessa verdadeira obra. Esses seguidores passaram a ser chamados de energilistas e o mundo deve se apoderar dos ensinamentos dessa nova religião para compreender seu papel na Terra e a se isentar de outras persuasões de outras religiões. Gasion é a concretização da percepção humana e Razan é o benefício que a inteligência humana, longe de política, de religião, de leis e de ordens, possa se utilizar da razão para se racionalizar ante a uma interesse social e egoísta que só retira o homem de sua condição natural de existência.
É necessário que sejamos energilistas por natureza, longe desse mundo humano que só nos leva a ser indiferentes e a degradar ainda mais o mundo natural que nos foi dado pela energia criadora. O energilismo é a própria razão do existir.

A CAIPORA NO SERIDÓ

Por: Ednaldo Luíz dos Santos.

            As crendices que se assentam no imaginário do povo seridoense são heranças de um passado eqüidistante que se mesclaram numa demografia de pacto-ritual englobando três gerações que se encontraram na magia do Novo Mundo. Prescreveu a História Cultural do Brasil de outrora povos como os índios (estes que conheciam de cabo a rabo os eventos inspiradores de matas virgens, selváticas e ameaçadoras), os brancos (estes atrelados numa cultura epidérmica, epidêmica e anêmica de proteção ao direito natural do homem; despojados ao misticismo de bruxas, pecados, maldições e demônios vindos do período medieval) e os negros (estes galgados numa cultura de  clima quente e de extrema necessidade de meios essenciais para a vivência humana). Dessa forma, o Brasil reconstruído para esses povos se fez assentado em criacionismos humanos que foram, desde as formas de moradia, as formas de vivências, até as formas de imaginação e de comunicação humanas.
            Dessa maneira, o “criar” imaginário se expandiu por todas as frestas brasileiras e adentrou nas tribos, nas casas-grandes, nas senzalas e em tudo quanto fosse canto que tivesse gente para compartilhar com a imaginação. O medo se espalhou por todos os lugares e se fez presente no que os eruditos chamam de folclore popular. Propagou-se o medo e o “criar” por todas as regiões do Brasil e encontrou no Nordeste um ápice de redenção sendo frutificada nas regiões interioranas, mas precisamente nos sertões ignotos de Caatinga seca e espinhenta, mescladas com as provisões irregulares do inverno.
            Daí o sertão seridoense ser engrampado com os misticismos caatingueiros. Então, a história da caipora no Seridó é contada e recontada pelo povo seridoense de geração pra geração, onde a vivência dos mais velhos se mistura com seus medos e suas crenças, levando a uma produção imagética no imaginário popular.
            A caipora seridoense é um tanto diferente das caiporas de outras regiões do Brasil. É no dizer popular dos mais velhos um bicho selvagem, arisco, de pelagem amarronzada, andando em dois pés. Seus pés têm unhas grandes e afuniladas. O seu pêlo no corpo parece um pouco com um macaco, mas sua cara é um tanto quanto esquisita, com os zói avermelhados, as orelhas afuniladas e dentes caninos como os de um cachorro. Tem ela um rabo parecido com o de um cachorro. Seu focinho é como se fosse de gato maracajá. Ela adora se alimentar de animais predadores que ficam afugentando suas presas e agoniando toda a Caatinga. Ela detesta os mau-condutas dos macacos que arrasam as plantações do homem e os deixa sem meios de sobrevivência.
            Quando a caipora está de barriga cheia por comer muita carne ela fica cerca de três meses sem comer, somente se sustentando com fumos e mais fumos que encontra na vegetação espinhosa. Seu fumo predileto é o fumo do pé-de-fumo, porém quando não tem ela se vira com o fumo da folha de mufumbo. A caipora quando encontra um homem disposto a lhe conversar ela conversa que é uma beleza. Só fala mais assuntos de suas traquinagens e de eventos da natureza. O seu cachimbo é feito com talo de bambu e ela adora fumar pra não engordar. O fumo de mufumbo ela chama fumbo e daí o nome da planta ser mufumbo, que quer dizer “meu fumbo” no idioma chulo do falar tarairiú, já que a caipora foi a metamorfose do espírito de um pequeno índio tarairiú chamado de Caraporá, que quer dizer “feiúra natural amante da beleza”. Este índio amava muito a natureza que era bela, sendo um paradoxo para ele devido o fato dele se achar feio.
            Tal índio desprovido de beleza começou a fumar e a fumar. Fumou tanto o tabaco da tribo que era de dia e de noite na tabaquice medonha. Só que ele teve certo dia de ser acometido com uma moléstia do fumo (hoje chamada de câncer) dita pelo pajé e não suportando a idéia do sofrimento do seu fim foi ele pra cima de um serrote bem alto e de lá se jogou em cima de uma pedra. Morreu estilhaçado. E a natureza divina compadecendo-se com o sofrimento do pequeno índio teve de o transformar em um bicho que de Caraporá ficou sendo caipora. E como ele renasceu em espírito-vistoso, renasceu sua mania de fumar e de pouco comer. Também a mania de amar e proteger a natureza renasceu para o bem estar caatingueiro. A caipora ficou sendo uma mistura de macho e de fêmea em virtude da natureza ser hermafrodita.
            A caipora seridoense anda por toda a Caatinga regional. Ela costuma muito surrar os cachorros afujentadores de caças para que eles não tirem a tranqüilidade natural. E se um caçador andar com fumo de pé-de-fumo no bisaco ela de longe sente o cheiro e frexa em disparada pra que o homem dê uma pitada de fumo pra ela. Se o caçador não der, a caipora espanta todas as caças e o caçador perde aquele dia e volta pra casa sem nenhuma caça. Se ele der fumo a caipora pode crer que ele terá a caça que conseguir pegar e seu cachorro não será surrado, pois aquele que compartilhar seu fumo com a caipora compreenderá a harmonia da natureza.
            A caipora anda com uma tanga feita de palha de carnaúba na cintura e uma varinha verde de marmeleiro. Foi ela que com seu vício de fumar deu a liberdade pra os caçadores matar as onças-pintadas do Seridó. Ah, caipora sem vergonha!

O BIS DA GERAÇÃO

POESIA: O BIS DA GERAÇÃO
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Na caótica mesmice em que se via
Por ter provado o sabor que procurava
Não se conteve com o prazer em alivia
No desespero seu disfarce não curava.

Em sua fuga para opor-se ao paraíso
Traçou seu cosmo de oposto submundo
Escavacando uma ferida sem sorriso
Sua alquimia repousou em lar fecundo.

Gerou um fruto que expande linhagem fria
Retificando um sabor tão frio sado
O seu futuro será trêmulo de agonia
E teu presente estará no teu passado.

Mas isso nunca foi barreira pra ter fuga
Pois o retorno não tardou em ponto fraco
A solidão e a fase que dá ruga
Foram enterradas em um fosso dum buraco.

E agora encena o tosco bis da geração
Em um lugar tão carrasco e escondido
Tua sustância já se foi na perdição
E teu reflexo sem afeto está perdido.

A bruxaria que se pôs foi entranhada
E não se livra do pecado da macumba
Sua imagem já virou alma penada
E tua luz já se apagou na triste sombra.

A geração novamente foi descoberta
E tua áurea foi com tudo mal querida
A mente insana que nasceu em tal poeta
Já renasceu pra viver em outra vida.

Feito dia: 14/ 06/ 2013.