sábado, 28 de setembro de 2013

A SOPA DA MOSCA


POEMA: A SOPA DA MOSCA
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

A MOSCA NA SOPA
SEM ROUPA
OPA...!
QUE VISÃO LOUCA!

A MOSCA COM CRIA
SE CRIA
RIA...!
NÃO SE RECRIA!

A MOSCA PANÇUDA
É MUDA
DESNUDA...!
DEUS ME ACUDA!

A MOSCA NO CALDO
É UM ESBALDO
EDNALDO...!
É DÉBITO SEM SALDO!

A MOSCA NOTURNA
VIVE NA FURNA
ENFURNA...!
É VIDA DE URNA!

A MOSCA AMARELA
SE ACHA TÃO BELA
AQUARELA...!
DESENHO SEM TELA!

A MOSCA AFOGADA
NA SOPA MELADA
SALGADA...!
COMIDA ESTRAGADA!

FEITO DIA: 28/ 09/ 2013.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

OS ARRANCAMENTOS DE TOCOS NO SERIDÓ

EU ainda era um rapaz seminovo, ganhador de músculos, e que queria testá-los em alguma coisa. Pra não viver caçando briga nas festas eu decidi ajudar a velha minha mãe nos cozimentos das panelas. Decidi por vez ser um arrancador de tocos. Como já tinha visto meu pai (exímio arrancador de tocos) com um pedaço de chibanco véi nas mãos metendo nos tocos e arrancando-os para minha mãe cozinhar, decidi eu ser um arrancador. E era bom o serviço, só dava as vezes uma baita duma dor de cabeça.
Naqueles tempos era comum se avistar dentro dos matos um arrancador de tocos. Devia-se fazer o trabalho no período da seca dura, quando os tocos estavam secos e os fungos já tinham molestados suas raízes. Os tocos era de todos os tipos. Tinha toco de jurema, de mufumbo, de pereiro, de algaroba, de velame e até de pião. Mas era preciso escolher os tocos bons, que davam muita brasa que nem os de jurema ou os de pereiro.
Os tocos eram a base de sustentação de árvores da Caatinga que argum caboco tinha butado broca ou que tinha tirado lenha ou que tinha feito bacurau. Os tocos com fungos não dava brasa, mas era bem molim pra arrancar. Custumava-se nos tempos de outrora (quando as muié cozinhava tudo com lenha e que não tinha esse negócio de fumaça nos zói, nem nas ropas e nem nos pentei da cabeça), fazer uma varredura pela Caatinga pra saber os lugares exatos que tinha toco pra arrancar. Se não fizesse isso o caboco corria o risco de ficar feito um doido, pra lá e pra cá, com a carroça-de-mão nas mãos. Eu já tive de sofrer dessa loucura mais aprendi com o tempo. Certo dia fui arrancar toco e não conhecia a região e fiquei feito um bocó pra lá e pra cá com a carroça na mão e passei o dia quas todo procurando a vergonha. Mas consegui encher a carroça. Uma carroça de toco dava pras muié cozinhar a semana quas toda, se soubesse poupar, mas antigamente tinha umas veia fuxiqueira que deixava as panelas horas e horas no fogo só pra ir fuxicar nos terreiros. E a lenha ficava lá queimando a toa e quem se lascava era o pobre véi do marido ou do fio mais véi. Num era elas que ia arrancar!
Só se sabe é que a cada semana tinha-se que ir ao mato, não para cagar mas para precurar toco. Começava-se assim: o caboco se acordava bem cedim com os zói batendo as beiras, tomava um café forte com biscoito ou urêa-de-pau, amolava a foice, pegava o pedaço véi de chibanco e colocava dentro da carroça junto com uma corda. Enchia-se uma garrafa d’água, colocava um tacos de rapadura com bulacha dentro de um saco de papé de vitamilho e tirava em busca do mato. Ia-se certinho nas veredas e se desse vontade de cagar devia-se fazer logo para que na hora de fazer força com um toco a bosta não saísse na hora errada. Também o caba andar dentro dos matos com a cueca toda breada é um fedor danado. Adispois das necessidades fisiológicas o caboco já estava pronto para iniciar sua jornada. O arrancador de toco tinha que ter muita força pra arrancar um toco, pois se o toco fosse verde e o sujeito sem força era capaz do toco derrubar o nego no chão. Muitos toco eram valentes e matinava o juízo do caba. Quando se pegava um toco grande que dava pra arrancar todim o caboco já ficava animado, pois iria encher a carroça quas toda.
Eu tinha raiva de toco verde, juro perante a Deus, porque ele era tão condenado que cansava os meus braços e ainda me derrubava no chão. Lembro deu ter dado um caratê num toco véi com as pernas que quase me arranho todo. Quando se arrancava meia carroça tinha que correr pra debaixo duma moita e se assentar no chão pra cumer um taquim de rapadura e tomar uns goles d’água. Se o arrancador fumasse o pé-duro ele pudia fazer umas pausas pras baforadas medonhas. Tinha-se que ficar com a foice nas mãos ou perto do arrancador caso aparecesse auguma presepada de cobra ou de gente sem futuro. Se no toco tivesse uma cobra-de-viado ninguém pudia arrancar já que era o território dela, deixava pra outra vez. Daí, o caboco retomava as forças e tendo muito toco ele enchia a carroça ligeiro. Adispois só era amarrar com a corda o monte de toco na carroça e se debandar para casa.
Podia ficar parando nas estradas aqui e acolá se tivesse cansado. Se a casa do caboco fosse numa rua já feita, tinha-se que ter coragem de passar, pois ficava um bando de veia fuxiqueira zombando da cara do caba, ou tendo pena ou nojo. Tinha-se que passar de cabeça erguida mesmo estando arranhado ou chei de tirna de caivão. Quando chegava em casa a mãe ou a muié ficava feliz por demais da conta, visto que ela ia ter lenha pra cozinhar. Podia-se chegar com a cara de brabo pelo fato de ter fazido força e de ter ficado muito tempo no só e se alguém dissesse arguma besteira mandava-se tomar no rabo, ou se fosse fi dava-lhe uma chinelada pra ele aprender. O povo de casa num pudia contar nada de supetão ao arrancador de toco senão ele dava logo uma biloura e caia seco pra trás. Deixava-se ele esfriar o coipo e quando ele já tivesse tomado quase um litro d’água pudia contar os assuntos.
A mente do arrancador de toco chega latejava e pra não explodir o caboco pudia nos matos conversar sozim. E se passasse um conhecido e dissesse: ta conversando sozim? A gente só não mandava ele ir pr’uma porra pruque o vento acalmava nossa fúria.
As rolinhas tinham tanta raiva dos arrancadores de toco que vez por outra ela cagava na cabeça da gente, por isso que era bom sempre andar nos matos de chapéu. E pense numa bicha da bosta fedorenta!
Os arrancadores de toco deixaram de existir nas ruas, só existindo mais nos sítios, devido ao fato de ter vizinhos atormentados pela fumaça medonha.

A MOSCA DA SOPA

Era uma bicha véa feia de quartos quebrados, com um bucho estufado e antenas loiras na cabeça. Parecia mais um ET de Varginha com aquelas asas deltas esticadas na inspiração poética. A lírica do inseto era senão um mau comodismo e que deveras tenha tido o fato rasgado por uma navalha temendo o rasgo maior na boca da quatia. A bicha era robusta por natureza teimosa, de traquinagens afoitas e que de outrora choramingou uma ríspida gotinha de sais pecadores.
A bicha queria provar do líquido hiperaquecido para ver se nutria com exatidão a proliferação promiscua da genética avançada. Bebeu senão do caldo amarelado pelo tempo e pelo tempero de cozinha e se deliciava com a carne em frangalhos. Ou quem sabe bebeu do caldo branco de nata a qual a deixou por tempos tão gorda que necessariamente soprou o vento do fuxico de robustez genética. E o pior é que a carne ficou moribunda e os temperos mais dispersos do que estavam.
A sopa estava senão num prato avantajado pela fuga e bebeu a bicha com uma força tão sagaz que ouviu-se de longe os esparmos de eloqüência. A sopa devia ser nutritiva a tal ponto que enchia bem a barriga do inseto e nutria todas as suas carências miseráveis. Era de fato um germe fétido de gene da gula, herdado talvez do pai ou quem sabe da mãe e passado de geração para geração. Se não fosse o fato da bicha fazer algumas atividades postais de epístola em doravante, basicamente nas academias da vida, o inseto teria engordado tanto que poderia afujentar o mais audacioso poeta da inspiração.
Mas tal silhueta devia de ter duração curta, até uma década mensal por histeria, já que o pouco que se passava na mesa da libertação era o pouco que levava para se livrar do fardo em conteste.
E a sopa jamais será rejeitada enquanto a mosca gostar de verdura dentro dela.

EU VI DE PERTO A CRIAÇÃO

POSTADO COMO FAÇO na soberba boquiaberta, tive a visita simplória de um produto do reduto criacionista. Uma beleza tão natural que me lembrou de cara logo uma paisagem rejuvenescida que me transportou para um submundo maravilhoso de se viver nos tempos de outrora. Era uma paisagem de beleza pública a qual conquistara por sua sapiência de nascença uma legião de ídolos e índoles tão ornamental que de repórteres passaram a ser meros defensores do bem estar paisagístico. A paisagem era senão uma fábula a qual falou pra mim: obrigado, por sua admiração! E eu ofuscado, respondi: pois não, volte sempre! Era como se o capitalismo me adentrasse venta a dentro e me despisse de tanta tolice que me senti um verme poluidor de uma paisagem tão meiga e tão inocente que nenhum humano teria a capacidade de destruí-la. Naquele momento, era um espaço virgem que cativava qualquer mulçumano homicida e suicida.
A paisagem me olhou fitamente e eu fiquei de mãos atadas, sem saber o que fazer, se corria ou se queria que o IBAMA me levasse para o raio que me parta. A paisagem com bastante educação de ensino sem mestre me agradeceu a acolhida admirável e me pediu para estalar um dedo na jogada de uma pedra. Fingi que estalava, mas meu coração sentia os estalos das pedras sem a ajuda dos dedos.
A paisagem foi-se com a curiosa forma envelhecida e não quis mais rejuvenescer para o bem estar poético.

A MUSICALIDADE DA MÃE CONTRAPONDO AO MOMENTO AMIGO

FOI naquele exato dia de solidão mórbida que salvaguardei um refugio para a desopilação frenética de afrouxe e de tolhimento de informes para um momento escrito. Tal qual fizeram os escritores de outrora, fui até mesmo no passado a um encontro desencontrado e ao acaso me enfartei de esparmos virulentos que aguçou as produções félas da puta.
Estava senão o malogro veementemente disposto a codificar aquela cena encenada num tempo de animações festivas. Ele teve de percorrer os corredores malquistos daquele lugarejo de andares acidentados, mas que no final apresentou uma paisagem jamais vista e sentida pela inspiração tardia. Era um azedume de informes e vistas panorâmicas que misturadas ao elixir das desinibições postulou eventos que insuflaram a percepção dantesca e arredia a tal ponto do vento eloqüente penetrar no cérebro embebecido e maquinar emoções filantrópicas distantes das formais. Tanto é que até o ambiente lhe convidava a uma persuasão mais adquirida e desprecavida da liberdade pretendida. Ah, a liberdade, era senão o ponto chave dos componentes que ali se assentaram ao ritmo sinfônico da filarmônica reflexiva. Nenhuma peste poderia  pegar ali a não ser a peste do instinto animal, mas estava-se fora de cogitação devido ao fato do malogro ser pensante por um ataque errante ser amigo do postulado energético e melodiado pelo sustenido esporádico.
Fumou-se num instante um pequeno cosmo de tempo quando o sustenido evadiu-se da maloca e demorou-se  momentos  dando a liberdade mesmo que tardia a plenitude gentílica que arredou diante de tão exposta paisagem pitoresca, porém de conservadorismo excitante onde os Montes Apalaches quase que sobressaiam diante da pressão atmosférica que foi produzida por um corpúsculo avental de ligamento fortificado para contrariar os ataques da força do agravamento da gravidade. E mesmo que o sustenido adentrasse no estúdio de estudo não adiantaria a fúria demonstrada à paisagem vistosa, já que os avantajados de força são incapacitados para o séquito da razão animalesca devido ao fato de Rapunzel não enfrentar a mulher barbada na combinação. Os sons de sotaques expandia-se a medida que o objeto estranho de madeira orquestrava no centro a filarmônica pretendida e o malogro só admirando a coroa do objeto flamejante. Nada além do olhar sarcástico! Nem sequer passou do ponto. Estava enxuta e bem corada a imagem do objeto em chama. A chama foi chamada pelo tempo e a esperança repousou num verde pálido.
A mãe do carma exposto contrapôs ao ofusco carente e com aceite disfarçado de querência evitou-se o provar da sapiência. Mesmo que o malogro fosse amigo da razão a inspiração não quebrou o proibido.

O CHUÁ DE BAFÁ

POESIA: O CHUÁ DE BAFÁ
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Bafá tinha um maracá
Tão gordo de enjuá
Que ninguém podia encostá
Que ela ficava de arrepiá
Os arrepios do maracá...

Parecia um boi Tatá
Do cabelo de fuá
Que nem mesmo um bafafá
Conseguia impatá
A amarela da Bafá...

Podia até respingá
O melado do maracá
Que fazia a tal Bafá
Pra trás se espreguiçá
Feito pé de trapiá.

Era visto que a Sinhá
Usando seu maracá
Queria se encostá
No bico do sabiá
Lá peras bandas de lá.
 
Feito dia: 09/ 07/ 2013.

A MÃE DE 2 É MATEMÁTICA DEPOIS.

A MÃE DE 2 SE PARECE COM 3 DEVIDO AO FATO DE TER TIDO 1 NA CONTAGEM DE UMA SÉRIE. PARECE-ME QUE QUANDO UM ALFABETISTA ENTENDE A SEQUÊNCIA LÓGICA DA CONTAGEM DE UMA SÉRIE, PERPETUA-SE SENÃO A REALIZAÇÃO DOS CÁLCULOS PRETERIDOS DIANTE DE UMA PRESSÃO FALATÓRIA DA VIDA NA ESCÓRIA. SE DO NADA, DO ACASO, TIVESSE SIDO EU QUE TENHA ESCRITO A CONTAGEM INCOMODÁVEL NÃO HESITARIA DE CONTAR DO 3 SEM SE PREOCUPAR COM O 2 E NEM COM UM 1. GOSTAR DE 1 SÓ PORQUE VAI TER 2 É PARA O TEMPO A BUSCA DE UM PAR SEM DEFEITO E SEM A DISSIPARIDADE DE SER ÍMPAR. MAS A BUSCA DE DOIS PADECE POR TRÊS E A DIMINUIÇÃO DE 3 POR 2 É NA CINTILÂNCIA UM CASO DO ACASO. É POR ISSO QUE ESSA BUSCA TEM DESPERTADO CHOROS E MAIS CHOROS NOS COMODISMOS DE FACE E QUE TEM TAMBÉM DISTANCIADO A EUFORIA DO 2 ANTES QUE CHEGUE O 3.
O PAR DO 2 NÃO VALE POR 3 E O CUBO DE 3 NÃO SE ENCUBA NO CUBISBO JÁ PROVADO. O CUBO CERTO QUANDO ENCUBADO DÁ UMA IDEIA DE DUPLICIDADE ENQUANTO O INFERNO DE 2 NÃO GOSTA DE 3. TER EM MENTE A MATEMÁTICA DA CONTAGEM É PARA UM ACADÊMICO ALGO DE EXTREMA NECESSIDADE PARTINDO DO PONTO DE QUE CONTAR É UM DOM FANTASMAGÓRICO. PARA OS IGNORANTES É ALGO FEITO AO ACASO E SEM PENSAR UM POUCO, POR ISSO QUE SE TÊM ATITUDES DESESPERADORAS. 

A MULHER NA MOTO QUE AMOSTRAVA A SUA CALCINHA

ERA UMA VISÃO hipnótica e até o ponto apoteótica  que trimilicou os auscultadores de plantão, sendo formal uma batida de bis (biscleta), uma peitada em pedestre e até mesmo um acidente grave para abrilhantar a tentação da maloca avultosa. Era de prontidão um monte musculoso de aparição empapuçadora e de hipnose medonha que poderia até cegar o mais binoculado ser de espécie malquista.
Estava senão em companhia de uma duplicidade perequista aonde uma se guiava o posto móvel e outra se amostrava na amostra pertinente. Cambaleava os perônios em riste agudo e não mais se alinhava as estações viçosas. Queria a malogra atingir o mal de amor com ferro e fogo ou com pão e mortadela? Não se sabe ao certo se havia um arredamento frontífero ou frutífero que assegurasse uma investida mias segura e mais gamadora de situações propedêuticas. Mas quase trimilicando, foi possível fazer uma manobra radical para não bater de fronte a um parapeito miserável.
O tecido estava senão apelando para uma paz de retina com aquela cor que o período sangrento não intimidava nem sequer um tiquinho para um recuo de moralidade anti-homem natural. Ah, como seria bom ter a paz encontrado um mastro riste para se pendurar  e poder fazer a alegria de um mundo desvairado de devaneios tolos na tortura diabólica.

O MUNDO DOS DONO DO MUNDO

CIRCULA NO EXATO momento de mídia ativa as noticias simplórias de que o Estados Unidos da América querem surrupiar o país da Síria porque se sentiram incomodados com a catástrofe que eles dizem que o presidente sírio fez com mais de mil pessoas, incluindo muitas crianças, quando por ventura e ruindade jogou bombas de material químico contra seus próprios súditos.
Diz a mídia que o velho Obama, deveras pressionado pela corja de capitalistas vulgares, prenunciou que quer atacar os medonhos sírios com fogo cruzado e estraçalhar as bases de comando do dito país. Obama com essas palavras quer passar por cima da legitimidade da ONU, que é quem decide as rédeas do mundo, e assegurar para o seu belo povo capitalista e multinacional o direito de comércio sem interferência de guerrilhas.
Pena é que os EUA não contava com o entrave da Rússia que não aceita uma invasão americana nas terras que ela mesma está vendendo armas e que só muda de opinião se os EUA apresentarem provas de que foi mesmo o presidente sírio que jogou as armas químicas contra a população, caso contrário os americanos vão ficar querendo aja vista que eles não querem nem tão cedo pegar uma briga com seu grande rival dos tempos da URSS. (fotos da net). 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

OS CASÓRIOS ESCONDIDOS DO SERIDÓ

OS CASÓRIOS ESCONDIDOS DO SERIDÓ

ANTIGAMENTE as donzelas espivitadas para a pouca vergonha tinham a maior estima por  se casar às escondidas, com medo do falatório do povo. O povo falava de mais e se uma filha casasse mulher os falatórios eram tantos que a imagem da despudorada era cortada nas maiores cartadas sertanejas. O homem devido ao fato da cultura ser machista pouco se atingia com esses fuxicos do povo, mas ele devia fazer o caminho certo, que o povo tracejava para o bem estar de ser visto. Só era no couro da mulher que a macaca cortava sem água e sal.
As mulheres quando queriam ser ruim, no dizer popular, ou se enrabichar com um caboco mal-aceito pelos pais da noiva, planejava logo uma retirada estratégica para fugir com o troglodita do macho que foi arrumar e que não satisfez o querer aceitável dos pais. Planejava mais a noite, de preferência de lua cheia para irradiar os caminhos tortuosos das veredas do sertão. As donzelas sonhavam quase que acordadas e melodiavam uma aventura de contos de fada aonde chega um príncipe montado em um cavalo branco e joga-as em cima do cavalo e vão-se embora, pra longe, e a pobre da mãe ficava sempre aos prantos e barrancos, lacrimejando as lágrimas de um filho perdido. Adispois se casavam às escondidas e com muito tempo mandava um recado para os pais dizendo que já estavam casados e queriam a benção familiar.
Isso aconteceu muito nos tempos de outrora no Seridó e ainda se procede. A idéia do príncipe ainda fantasia a cabeça das donzelas de fogo no rabo, como se diz nos sertões, querendo a se casar a fina força com o mancebo pretendido. Conheço casos de jovens com síndromes dos fuxicos e boatos de beatas a se casou às escondidas com noivos medonhos e que depois que casou avisou que estava com um bucho no pé da goela. Outra que se casou para fugir do carma do amor real, saindo tão prenha quanto à resenha do povo. Fugiu ela lá pras bandas do raio que a parta e teve de produzir dois filhos de uma série e teve senão o aceite com deleite da rabujenta mãe que butava areia no seu xerequismo. Outra que quis tanto furunfar que arregaçou as mangas e se voltou contra  os pais combinando de fugir mais o mancebo das costas ocas só de noite, quando os velhos estivessem dormindo. E num é que o macho veio mesmo! Chegou ele num cavalo branco e jogou a potranca em cima do bicho e frexou carreira no méi do mundo. Só adispois é que seus pais ficaram sabendo que eles haviam se casado para o bem estado da filiação prosódica. Outra pra não ficar mal falada dos vizinhos fuxiqueiros  resolveu picar a mula feito fera no cio, abraçando a igreja com sua fé em um bom momento . quis ela pecar em demasia e sem o peso da consciência.
Isso prova que nada escondido presta para viver e servir ao vivo.

DÍVIDAS


POESIA: DÍVIDAS
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Minha dívida está tão grande
Com alturas lá no céu
Todo dinheiro que ganho
Tiro parte pro motel
Na gastança com muié
Não dispenso um cabaré
Nem tão pouco um bordel.

Devo gastando com gás
Devo gastando com vida
Devo feito a moléstia
Devo em prato de comida
Devo em busca da merenda
Devo o imposto de renda
Devo a merda consumida.

Devo a mãe e devo o pai
Devo ao filho e a filha
Devo ao vô e a vovó
Devo a prima andarilha
Devo ao tio e a titia
Devo a tudo que eu comia
Devo a hora da partilha.
 
Devo ao fruto do desejo
Devo ao ovo do gameta
Devo ao útero que me fez
Devo a pele de mãe preta
Devo ao mundo que me fiz
Devo ao sangue da raiz
Devo ao mundo de sarjeta.

Devo ao passo que andei
Devo a fome que senti
Devo ao choro derramado
Devo a cultura que vivi
Devo a mente para o estudo
Devo ao perguntar de tudo
Devo a troca que perdi.

Devo ao Deus que eu revogo
Devo a minha bela escolha
Devo a inveja que fizeram
Devo ao risco duma folha
Devo aos mestres que educaram
Devo aos que me reclamaram
Devo ao espinho que me fez bolha.

Devo a trempe de roçado
Devo ao corte de capim
Devo ao grupo que andava
Devo ao cheiro do jardim
Devo a minha bicicleta
Devo a não ter ido à festa
Devo a quem me fez assim.

Devo ao dom que despertei
Devo a guerra que não fiz
Devo ao cheiro que cheirava
Devo aquilo que não quis
Devo a falta de atleta
Devo a eu ser um poeta
Pra fazer você feliz.

Feito dia: 03/ 08/ 2013.