sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A CEBOLA NOS PEITOS DO SERIDÓ

ERA tradição ou costume rotineiro se andar pelos sertões de outrora e não poder se embelezar com os tipos mais bizarros de crenças e crendices que adentravam nos lares, eram praticados por quem de direito ou interesse e depois passado de geração para geração como uma batata da velha brincadeira da Batata-quente. Era como se fosse uma mania ou um caminho mais curto, e de certa forma mais perigoso, de se chegar a um resultado certo que podia-se acorrer outros seres necessitados.
Era o que acontecia com a maioria das meninas do meu tempo, mais precisamente com os brotinhos como se dizia na pedófila jovem guarda dos tempos idos. As meninas que queriam por que queriam crescer mais cedo, procuravam diversas formas de resolver seu problema para se apressar no parecer com gente adulta. Queriam elas aposentar o lado de criancice e se endoidar como a moléstia dos cachorros atrás de meios e arreios que lhes possibilitassem uma danação aos prazeres mundanos. Queriam elas fornicar ou ir para as baladas de pueril que se achavam nas brenhas do sertão a dentro. Mas de longe o sujeito já denotava que elas queriam mesmo era se libertar das garras afiadas dos pais de antigamente que, ao contrário dos de hoje, tinham rédeas severas contra a desobediência e os maus costumes que se atinavam nas cabeças dos jovens. E para se libertar disso nada mais era cabível do que tirar os cabimentos de querer apressar o que a natureza vezes por outra atrasava.
Os seios das fêmeas geralmente crescem nas intermedições dos 10 a 13 anos, mas dizem que as meninas que tem o calibri mais ruim, que são mais danadas pelos desejos, antes mesmo dos dez anos já se notam o desenvolvimento dos seios. Porém, existem também muitas meninas, no dizer popular, que querem ser moças antes do tempo e são essas daí que fazem valer a tradição que se infiltra no Seridó.
A tradição é passar cebola nos peitos. Os peitos naturalmente são os apelidos dos seios. A tradição consiste em cortar a cebola branca em rodelas e passar três vezes ao dia no bico dos peitos. A menina tinha que fazer isso às escondidas, porque se a mãe ou o pai pegasse a surra nos lombos seria dada a tal ponto da menina precisar lavar com água e sal. A menina do Seridó antigo que geralmente fazia isso era senão uma menina olhuda, curiosa, com os cabelo assanhados e de bunda magra. Bastava se encantar por algum moleque sambudo que logo vinha aquela paixão medonha a tal ponto que a menina ficava nas latadas das casa velha só cubano o moleque que pouco atinava para o sortilégio das camaradagens.
Via-se nos zói da menina quase duas galinhas-de-pereiro brilhantes, apaixonadas como fêmeas das zoveas do chiqueiro. A menina tinha na maioria das vezes a pele queimada pelo Sol, era caboca mesmo da gema. Mais pra que ela se sentisse gente grande com corpo de uma muié mais madura, fazia valer o costume. Se trancava dentro do banheiro ou se metia debaixo dum pé-de-oiticica e levava a cebola e ia passar nos peitos. Só que quando ela estava passando dava-se uma vontade de chorar danada e ela chega lacrimejava os zói. Se tivesse com ela um pingo de gente com cara de menina sendo sua colega, logo ficava vendo a cena e pensando que sua colega estava doida e que por certo doía quando passava cebola nos peito, já que podia-se ver a menina chorando.
Quando passava-se três meses de cebola nos peitos a mãe da menina tinha uma surpresa e dizia pro seu marido: a nossa fia já tá se pondo uma moça! A mãe dizia isso pelo fato de já perceber na blusinha da menina uns brotos de peito brotando no peitoral.
E se a menina ouvisse isso da mãe já se sentia moça por ela mesma. Mesmo que o título de moça só era dado no sertão quando a menina atingia em sua faixa etária a primeira menstruação. E olha que isso era falta de educação e cabimento falar de menstruação pros home ou na frente deles.
Tal menina já saia feito a molesta pra contar a novidade pras outras, afim de que elas morressem de inveja. As outras ao saberem da notícia era trivial se ouvir um tititi daqui ou dali, onde sempre a solução pra ficar moça antes do tempo era passar cebola nos peitos. Tinha umas que enganavam os moleques e botavam uns mulambos onde nascia os peitos só pra dizer que tinham peito.
Mas os moleques, assim como eu vivenciei, parece que não davam muita atenção não. Só queriam saber de caçar rolinha, brincar de bila, de gangorra, de piu nos açudes, de esconde-esconde, de pião, de pipa e tantos outros passatempos que se ocupavam os moleques de outrora. A gente não tinha essa onda de ficar assistindo TV direto não. Não havia celular e nem tampouco vídeo-game ou esses jogos viciados.
Notadamente as meninas ficavam só na vontade mesmo. Mas não demoravam muito pra estarem enrabichadas por um cabrocha do lugar. E aí vinha as dores de cabeças dos pais.
Por esse desejo de se tornarem moças a força, havia no Seridó antigo, e talvez penso que hoje ainda tenha, muitos casos de pedofilia onde meninas com menos de 15 anos de idade se juntavam até mesmo com o consentimento dos pais, porque havia uma cultura antiga de valentia e aceitação que dizia: mexeu com a fia dos outros agora vai ter que casar! Mas antigamente ninguém sabia o que diabo era pedofilia. Eu mesmo conheço uma mulher que se ajuntou com um cabra quando ela tinha 13 anos de idade e que também foi da cultura de passar cebola nos peitos.    

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

SÍTIO ARQUEOLÓGICO É DESCOBERTO NO SERIDÓ.

O SÍTIO ESTÁ LOCALIZADO NA CIDADE DE SERRA NEGRA DO NORTE/RN.
 

FUI EU POR SINAL, COM TODAS AS MINHAS POMPAS, CONVIDADO PARA ASSISTIR IN LOCUS a inauguração do histórico Sítio Arqueológico Abernal. O Sítio está embrenhado na Caatinga serra-negrense basicamente num sítio de um proprietário conhecido por Abernal. É um sítio com achados antigos dos primeiros hominídeos que se instalavam nas serroteiras do Seridó. Esses hominídeos podem ter sido antepassados dos então índios tabajaras que habitavam os espaços serra-negrenses. pelo menos é o que se dizem na História da Cidade.
Tal inauguração se deu no Dia 31 de Outubro de 2013, onde todos os diretores e alguns professores foram convidados para assistir ao evento sublime. Não é de se pensar que jamais muitos serra-negrenses jamais calcularam a importância magnifica que teve aquele dia. Nunca na História de Serra Negra teve um dia marcoso como aquele. e lá só estavam presentes autarquias da Cidade de Serra Negra como o Prefeito Urbano Farias, as duas grandes vereadoras da cidade, o representante da Câmara de Vereadores, um representante de Ipueira/RN, a minha turma do 5º Ano (veja a foto), diretores e diretoras das escolas da cidade, o grande fotografo Damião Carlos e eu, Ednaldo Luíz dos Santos, (um poeta, pedagogo e historiador), embrenhado no mato, num pueiril da molesta, mas com a alegria de está fazendo parte da Cidade que me acolhe desde os tempos de outrora.
Eu segurando a Bandeira do Brasil.
A minha turma do 5º Ano 2013.
Fomos de ônibus, no Amarelão do governo, eu e minha turma e todos os representantes de minha escola. Os catabilos corriam soltos, afoitando os bicos de papagaios das lacraias mascadas. Era uma poeiraça danada e os moleques do 5º Ano faziam aquelas algazarras. mas valeu a pena! Cheguei lá e já tinha duas tendas, com um carro de som. Já havia lá nobilíssimas autoridades. Tive de cumprimentar todas elas, como um bom fidalgo que sou. Atinei para visualizar o lugar e espiei xiquexiques, juremas e um pedregulho medonho. Tinha um dito camim de rato (como se denomina as veredas sertanejas), uma vereda bem feita com pedras arrumadinhas em fileiras. Havia uma placa em que se lia IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), do Rio Grande do Norte. Isso mesmo, tal instituto vem fazendo um grande trabalho nos lugares pré-históricos que se escondem pelo sertão adentro. Ele descobre os lugares arqueológicos e organizam com as autoridades locais meios de divulgação e preservação do achado Arqueológico. "A exemplo do que fora feito nos Sítios arqueológicos Xique-Xique I e II e agora em construção o sítio Xique-Xique IV, ambos em Carnaúba dos Dantas" diz o site de Serra Negra. 
Subindo na Passarela.
 
Meus alunos na Passarela.
 
O Prefeito da Cidade de Serra Negra do Norte foi quem deu inicio a profetização das palavras e licenciou a abertura do Sítio com bastante alegria e entusiasmo assumindo compromissos com a preservação da obra histórica. depois foi a vez do superintendente Onésimo Santos e equipe técnica do IPHAN que oficializaram a visitação.
Eu ensinado o B-a -Bá.
Mais ensinamentos.
O Sítio, logo na entrada da pedra-escrita, tem uma tenda de madeira para os visitantes se achegarem enquanto visitam as pinturas rupestres. Tais pinturas são caracterizadas por desenhos riscados em um serrote grande. Pinturas de espinhas de peixe, Sol, órgão sexual masculino, animais e pontos que denotavam contagem.
Havia umas passarelas (ver fotos) de madeira boa ao redor das pinturas que davam para os visitantes andarem por cima e ver bem de perto os achados pré-históricos. (todas as fotos foram retiradas do site da Prefeitura Municipal de Serra Negra do Norte).
Esse sítio vai ter muita importância para a cidade, pois o turismo será velado pelo "poder público, privado e proprietários que estão no entorno dos sítios, gerando renda e sustentabilidade as comunidades locais e seus munícipes". Pene que antes da abertura do evento não deu para tocar o Hino Nacional Brasileiro!         

S DE SAMBA DE CAICÓ ESTÁ DE LUTO!

O NOBRE AGNALDO FOI VISITAR A LIRA SAMBISTA DO PARAÍSO DE BEZERRA DA SILVA!

ESTA QUARTA, DIA 13, REALMENTE MARCOU NÃO COM ALEGRIA A HISTÓRIA SAMBISTA DO GRUPO S DE SAMBA DE CAICÓ. O NOBILÍSSIMO AGNALDO BEZERRA RECEBEU SENÃO A VISITA DA MALDITA E MALCONDUTA MOÇA CAETANA E FOI VITIMADO POR SUFOCAMENTO PELO TRISTE FIM DA ESPÉCIE HUMANA. (VEJA O VÍDEO ABAIXO E OLHEM O NOBRE MESTRE COM UM TAMTAN PRETO NAS MÃOS COM MUITA ALEGRIA).
 
SUFOCOU O MESTRE BEZERRA ATÉ ELE NÃO AGUENTAR MAIS E TEVE SENÃO DE PARTIR DESTA PARA MELHOR.
TAL MESTRE EU CONHECIA PELA INTELECTUALIDADE, DE UM SUJEITO QUE SABIA OUVIR OS RITMOS SINCRÔNICOS DA MÚSICA DE RAIZ. ERA UM GRANDE HOMEM QUE TOCAVA PARA ANIMAR OS CORAÇÕES AFOITOS.
ELE SÓ ME CHAMAVA DE "POETA", E PECEBIA MEU TALENTO COMO UMA ÁGUIA QUE SABIA AUSCULTAR A RIQUEZA DOS INDIVÍDUOS TRANSFORMADORES DA SOCIEDADE.( foto do site: http://www.rosivanamaral.com.br .
CAICÓ PERDEU UM TALENTO E O S DE SAMBA UM BRAÇO GRANDE DE APOIO. AGNALDO QUE TOCAVA INSTRUMENTOS DE SOPRO ERA UMA PEÇA FUNDAMENTAL NA NOVA CULTURA QUE CAICÓ ESTAVA SE INSERINDO. (VEJA OUTRO VÍDEO E VC ENCONTRA MAIS NO YOU TUBE).
 
MORREU EM SUA RESIDÊNCIA NO CENTRO DA CIDADE DE CAICÓ.
NÃO SEI PORQUE SÓ AS PESSOAS BOAS QUEM SE APRESSAM EM MORRER? EU ESTOU IMPACTADO COM ESSE EPISÓDIO.

domingo, 10 de novembro de 2013

PASTOR SE PURIFICOU NUM RIO DE MERDA VIDA

QUE ESPÉCIE DE PASTOR É ESSA?
 
CIRCULA NA INTERNET ESSE VÍDEO QUE AO NOSSO VER É ILÁRIO E MEIO SEM NEXO. O VÍDEO SE APRESENTA COMO SENDO DE UM PASTOR NA IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS - A IMPD, UMA DAS IGREJAS QUE MAIS VEM CRESCENDO NO BRASIL. TAL PASTOR DISSE QUE SE PURIFICAVA PELA QUARTA VEZ NESSE RIO OU RIACHO ONDE O MAL CHEIRO CORRE SOLTO E A MERDA VEM NAS MARGENS. PENSO QUE TALVEZ SEJA UMA ARMAÇÃO DESSE PASTOR, QUE TALVEZ ELE TENHA COLOCADO AS MERDAS AO REDOR DO RESERVATÓRIO E LIXO PARA QUE AS PESSOAS PENSEM QUE ESTÁ CONTAMINADO. EXISTEM ALGUNS LAGOS QUE FICAM COM COLORAÇÕES VERDES-LODO DEVIDO A PRESENÇA DE ERVAS DANINHAS. SÓ SEI QUE O DITO PASTOR MERGULHOU E PASSOU ATÉ A MÃO NA CARA PARA LIMPAR AS IMPUREZAS QUE TALVEZ TENHA ENGOLIDO.
FRISO QUE NA MERDA NADA ESTÁ PERDIDO E TEM VIDA E QUE O MAU CHEIRO LIMPA-SE COM DETERGENTES E SABÃO, NÃO COM A FÉ. VEJO QUE OS MODELOS DE FÉ QUE SE TEM PRATICADO NO BRASIL SÃO EVENTOS AUDAZES E SEM UMA PERSPECTIVA DA EXISTÊNCIA DIVINA. A LOUCURA SE FAZ COM QUEM É LOUCO. E VOCÊ LEITOR O QUE É QUE VOCÊ ACHA DISSO?
 


sábado, 9 de novembro de 2013

DUAS BATIDAS

 
POESIA: DUAS BATIDAS.
POETA: EDNALDO UÍZ DOS SANTOS.

EU DEI DUAS BATIDAS
E FIQUEI MUITO CANSADO
COM A CARA TODA INCHADA
E A ACABEÇA SONOLENTA.

EU DEI DUAS BATIDAS
PORQUE ELA ME INCENTIVOU
ENCHEU A MINHA BOLA
NA BATIDA TÃO NOJENTA.

EU DEI DUAS BATIDAS
NAQUELA NOITE INQUIETA
MINHA MÃO FICOU DOÍDA
AMARELA E SUADENTA

EU DEI DUAS BATIDAS
PRA INOCÊNCIA QUERIDA
POIS SE O HOMEM PERDE A RAZÃO
A SUA CABEÇA ESQUENTA.

FEITO DIA: 09/ 11/ 2013.

HISTÓRIA DA CIDADE DE CRUZETA/RN

A HISTÓRIA DE UMA CIDADE SERIDOENSE ONDE OS RIOS SE CRUZAM:

POR: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.
 
Nobilíssima Ana Cristina de Medeiros Araujo, a quem eu quero chamar de Aninha, vosmicê que me mandou um e-mail na busca por informações da obra poética que se direciona a desapropriação da terrarada da esbéltica Cidade de Cruzeta por fluxo da captura incessante do líquido precioso para nós, não me tenho de antemão nenhum resquício de escrito de Literatura de Cordel referente ao assunto de sua descendência.
Você me disse por e-mail que um tio seu “disse que existe um cordel falando da DESAPROPRIAÇÃO DAS TERRAS e de um abaixo-assinado de 1930, onde os agricultores solicitaram ao presidente da república que mandasse pagar as indenizações atrasadas, pois o povo estava passando fome”, isso é um dado histórico e bastante peculiar tendo em vista a grande contribuição desses elementos e de outros para a História Geral da Cidade de Cruzeta/RN.
Digo-lhe que eu também estou nessa e vou fazer o famoso “preicurar” por esse cordel, já que sua família “ é bem grande e está querendo saber fatos do passado e uma coisa que nos interessa muito é sobre a construção do açude em Cruzeta, década de 20. Meu avô tinha umas terras no Sítio Salgado e foi desapropriado”. Não hesitarei na procura, mas você também pode entrar nessa busca começando primeiro a visitar alguns pontos de venda de cordel daí ou descobrir que poeta foi o autor dessa obra. Se eu achar aqui nas bandas de Caicó eu publico na íntegra neste blog. E veja que eu já comecei na procura auscultando um pouco de história da Cidade de Cruzeta:

Sabe-se que os primeiros habitantes de muitas terras do Seridó foram senão os índios do grupo dos tapuias tatairiús. E a Cidade de Cruzeta encontra-se gabada na história de seu povoamento com levantes incessantes dos índios Cariris e de uns que alguns escritos teimam em chamar de Caicós. Segundo o site da Wilkipédia e outro de turismo, foi somente depois da expulsão desses índios (na famosa Guerra dos Bárbaros-século XVII) que o Seridó, assim como as terras de Cruzeta foram povoadas pelas levas portuguesas. Daí, colonizadores do Estado da Paraíba, se embrenharam sertão adentro com comboios e mais comboios de gado Vaccum, onde chegando ao Seridó, do Rio Grande do Norte e da Paraíba, fixaram suas fazendas de criar e começou-se o povoamento do interior seridoense. “Mas para que esse processo fosse efetivado, concessões de sesmarias foram outorgadas a quem apresentasse petição em ordem. Funcionários do Reino, recém-chegados de Portugal iram recebendo as doações com a incumbência de ocupar as terras”.
A História cruzetense remete ao nome do primeiro português que logrou fazenda de criar em Cruzeta, sendo ele de nome Antônio Pais de Bulhões o emérito fundador da dita Cidade.”Vindo da Paraíba, ele chegou nas terras que hoje é a cidade de Cruzeta por volta do século XVIII, construindo sua fazenda à margem do Rio São José, num lugar que um beneficiado seu denominou ‘Remédio’ num dia de aflição em tempo de seca, ainda no século XVIII”. Um fato curioso que chama a atenção histórica é que esse tal de Antônio “viajou do Acari com imenso sacrifício até Camaratuba, no litoral, para comprar farinha – alimento básico -, mas não encontrou quem vendesse. Um escravo, todavia, sabedor do fato, cedeu-lhe a sua produção consentida, e não quis receber pagamento. Passada a seca, Pais de Bulhões retornou a Camaratuba, pagou a carta de alforria para seu amigo, trouxe-o para o sertão e deu-lhe no Rio São José, terra, casa e algumas cabeças de gado. Este ex-escravo chamava-se Feliciano José da Rocha e veio a ser próspero fazendeiro, o Capitão Feliciano”. Esse ocorrente se faz registrar na história da escravidão seridoense como um elemento de paradoxo em comparança aos escravos do litoral que sofriam agrúrios de maus-tratos. Disse-se também que o nobre preto Capitão Feliciano enricado sofria com as intempéries das secas nordestinas e quem lhe valia mais era senão o fazendeiro Antônio, que virou seu fiel amigo e escudeiro. “Em outro ano de seca, esforçando-se ele para salvar seu rebanho, e o de seu amigo, da fome e da seca, começou a cavar cacimbas no leito seco do rio: se não encontrasse água, seria uma calamidade; se encontrasse, teria o remédio. Encontrou. Daí a origem do nome Fazenda Remédio”. A esposa de Antônio era a portuguesa nomenclaturada de Ana Araújo Pereira. Daí a Cidade de Cruzeta ter em seus laços familiares embricadas nos sobrenomes de tradição como os Pereiras e os Medeiros.Estes últimos se atinam nos irmãos Rodrigo de Medeiros Rocha e Sebastião de Medeiros Rocha que vieram de Portugal para o Brasil, especificamente para o sertão nordestino. Sendo que um desses irmãos morou em terras de Cruzeta. “Os irmãos se casaram com duas irmãs: Sebastião com Antônia Barbosa e Rodrigo com Apolônia Barbosa. Rodrigo de Medeiros Rocha faleceu em 1757 e sua esposa ficou morando na Fazenda Remédio, com seu filho caçula, Manuel de Medeiros Rocha, até sua morte, em 1802”.
Desses Medeiros surgiu um Joaquim José de Medeiros (dúvida Aninha: esse será seu avô ou bisavô? Responda-me como comentário embaixo no final desse relato)que era filho de Rodrigo com Apolônia e teve de receber a Fazenda Remédio como herança. Essa fazenda pertenceu, “em 1766, a Bartolomeu da Costa Pereira e, em 1810, ao sargento-mor, Manuel de Medeiros Rocha. Esses dois foram os primeiros proprietários da Fazenda Remédio, que herdaram-na de Antônio Pais de Bulhões, sogro de Manuel de Medeiros Rocha e avô de Bartolomeu”. Segundo Câmara Cascudo (1980, p. 176), em “Nomes da Terra”:“a sede municipal (da Cidade de Cruzeta)assenta na Fazenda Remédio, espectivamente, com a morte destes, Luís Geraldo de Medeiros a herdou de seu pai, o senhor Berto Medeiros, que a deixou para seu filho, Joaquim José de Medeiros”.
O fazendeiro Joaquim José de Medeiros foi considerado pelos relatadores da história cruzetense como o fundador oficial do povoado Remédio, que mais tarde passaria a se chamar Cidade de Cruzeta. (o nome Cruzeta provém do cruzamento de três rios: do Meio, Quimporó e Salgado. Nome este idealizado por Joaquim das Virgens Pereira que tinha terras nesse cruzamento). Foi ele que por aflição e remédio para se livrar um tanto dos males da Seca doou grandes pedaços de terras para a construção do famoso Açude Público de Cruzeta. Na História, “em 1910, quando era Presidente da República Brasileira, o Estadista Dr. Nilo Peçanha e Governador do nosso Estado, o Dr. Alberto Frederico de Albuquerque Maranhão, teve lugar o estudo do açude que só dez anos mais tarde recebia o despacho para a sua construção”.
 
Mas para o açude ser construído precisou que alguns terras de sua extensão fossem desapropriadas e indenizadas. Entre essas terras estava senão a do avô de Ana Cristina Medeiros de Araújo (deveras descendentes dos Medeiros) que era possuidor de umas terrinhas no Sítio Salgado na instancia do Rio Salgado. Para Cledson Medeiros, em seu blog (http://www.cledsonmedeiros.com), “Muitas pessoas doaram pequenos lotes de terras, mas foi o Sr. Joaquim José de Medeiros que doou o maior lote. A construção do açude público de Cruzeta se deu através da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – INFOCS, depois DNOCS.
A obra seguiu a todo vapor no ano de 1922, e terminou em 1928. Em 27 de março de 1929 operários, engenheiros e o povo em geral assistiam ao empolgante espetáculo do primeiro transbordamento de suas águas”.

Depois do açude construído, foi o Senhor Joaquim José de Medeiros, proprietário da Fazenda Remédio, até o município de Acari/RN , “sede a qual o Sítio Remédio era vinculado, a fim de propor ao Prefeito Municipal que, simultaneamente aos trabalhos de construção do açude, se instituísse um povoado nessa região. O Senhor Joaquim José de Medeiros comprometeu-se no momento, em fornecer terras necessárias para as construções de casas para os futuros habitantes do lugarejo nascente. Essa doação seria ofertada ao patrimônio de uma capela que seria construída naquela época”, disse o site de turismo.
Foi aí que em 24 de outubro de 1920, a futura Cruzeta foi fundada, passando à categoria de povoado e depois para Vila em 18 de agosto de 1937. “Após um ano, a então Vila atestava seu desenvolvimento a partir da construção do Açude Público, o que proporcionou a passagem da condição de Vila para Distrito, pertencente à cidade de Acari, conforme o Decreto Lei Estadual 603, de 31/10/1938”. Mais tarde com a Lei Estadual nº 915, de 24 de novembro de 1953, publicada no Diário Oficial de 25 de novembro de 1953, deu-se a Emancipação Política desse Município, para orgulho e deleite dos cruzetenses. Ficou o lugarejo então sendo chamado de Cruzeta por influência da cruzada dos rios.Esta cidade se localiza na mesorregião Central Potiguar, mais precisamente na microrregião do Seridó Oriental, segundo projeções do IBGE. (dados projetados no site de turismo: http://www.ferias.tur.br/informacoes/7160/cruzeta-rn ).
 
Logo o Açude Público de Cruzeta foi o berço do povoamento da cidade, mesmo tendo sido antes e nesses tempos recentes o povo local agraciado com a cheias dos rios cruzetenses. Tal açude “encontra-se inserido nos domínios da bacia hidrográfica Piranhas-Açu, sendo banhado pela sub-bacia do Rio Salgado, que o atravessa em sua porção. Seus afluentes mais importantes são: Rio Quimporó e os riachos: Poço de Pedra, Cachoeirinha, das Lajes, Cajazeira, Saquinho, da Cachoeira e do Ingá, da Caiçarinha, Jardim e Perninha, do Navio, Pau d’Arco, Riacho do Meio e Logradouro. Na porção central, próximo à sede do município, encontra-se o açude de grande porte, o Cruzeta (35.000.000m3/público), alimentado pelo riacho São José. Os rios são temporários e deságuam no açude público.Desde a construção do açude público – Cruzeta, o povo que habitava o povoado e posteriormente a Vila dos Remédios, vivia da agricultura e da pecuária, mas, acima de tudo da pesca do manancial.
Durante décadas o povo cruzetense retirou das águas do açude a sua subsistência, tanto em peixes como na irrigação. Para tanto, os nativos da Vila ganhou o apelido de piabeiros em decorrência da enorme quantidade de peixes que era pescado no açude
”. (http://www.cledsonmedeiros.com ).
Eis aqui um tiquim da História de Cruzeta para saciar um pouco a sede de Aninha e de outros cruzetenses ávidos de conhecimentos de sua história. Agora resta a busca do citado cordel. (FOTOS DOS SITES CITADOS).