terça-feira, 31 de março de 2015

AS BRINCADEIRAS DE ACADEMIAS NO SERIDÓ

Foto da net. Nas academias antigas não havia tantas asas e
nem a primeira meia lua.
Por: Ednaldo Luíz dos Santos.

O ESTUDO da geometria nos tempos idos do Seridó era em sua maioria mal visto nas escolas de ABC e bem quisto nas escolas da vida dos costumes sertanejos. A criançada estava mais atinada para uma matemática mais rápida e mais contagiante no que tange ao uso das formas geométricas. A ordenação desses usos merecia para tal composição uma elencação de regras e de arquitetura de planta de um desenho que mais parecia um Cristo crucificado do que um reles desenho que se avistava às vistas da molecada como um robô de braços abertos. Para a tradição local era o formato de um caixão e que se jogasse muito podia transmitir um mal agouro para a família de quem estava jogando. Dizia-se que talvez fosse pela forma de tal que os moleques só viviam se pegando no tapa ou nos palavrões atiçando o ódio, a avareza, a inveja, o mal olhado, as pragas e sentimentos de vinganças para os perdedores e trapaciadores.
Em Caicó, mesmo com isso incrustado no imaginário popular, tal geometria era praticada a solta. Aproveitava-se os tempos de invernos onde o chão ficava lavado e amenizado pela florença poeirenta para desenhar tal geometria que ficou conhecida por todo o Seridó de outrora como ACADEMIA, diferente da maior parte do país que denomina de AMARELINHA.
No sentido restrito da explicação seridoense, a academia consistia num desenho geométrico planificado por quatro quadrados, dois retângulos, um círculo e duas metades de um círculo, a mais simples. A mais complexa detinha quatro retângulos dentre as formas já citadas.
No sertão seridoense, quando o chão pedregulhoso ficava bem molhado pelas torrentes d’água que lavavam o Seridó, a molecada no auge de sua folga de peraltice atinava logo para a procura do aproveitar o clima frio e o ar limpo para reunir a cambada ora pra tomar banho nos poços d’água, ora pra brincar nos terreiros umedecidos. Se a molecada atinasse para a brincadeira de academia logo se mostrava um líder que já pegava um pedaço de pau e começava a riscar o chão molhado e às vezes embabujado pelo tempo. Os riscos tinham que ser linheiros e as formas geométricas alinhadas de tal forma que respeitasse as leis da geometria exposta. Assim os quadrados deveriam ter lados iguais e os retângulos dois lados diferentes. E o circulo ser de uma volta completa.
Rapidamente se reunia uma cambada de meninos e meninas todos ávidos para brincar de academia. Sem maiores demoras todos iam procurar um CACO que ia desde um caco de vidro, de cerâmica, de azulejo ou de telha. Se o caco fosse plano o jogador levava certa vantagem, pois ele ia cair e não ia pular para linha da academia.
A academia era riscada no chão contendo a primeira casa com duas UREA de cada lado, mais duas casas acima, depois duas ASAS, a asa 1 e a asa 2; acima da asa tinha o GOGÓ ou pescoço e logo após a LUA ou cabeça.
A vez de quem iria começar era decidida ficando um pouco distante da primeira casa e jogando, de cada em cada jogador, o caco por cima da cabeça. Se um dos cacos caísse na primeira casa o jogador que o jogou seria o PRIMA. Depois o segundo teria que acertar a segunda casa para ser o que chamávamos de SIGA. E assim por diante.
Decididas as posições a primeira criança começava jogando seu caco na primeira casa e tinha que pular só com uma perna só as outras casas todinhas. Quando chegava nas asas a pessoa podia abrir as duas pernas e pisar com os dois pés. Quando a criança primeira percorria as casas todas sem errar o caco nas casas ela podia fazer casa, que consistia em ficar de costas para a academia, jogar o caco e se acertasse numa casa tal criança ficava sendo a dona da casa e marcava-se um X na casa conseguida. Ninguém podia pisar na casa do outro, só as vezes com uma permissão, o que era raro. Ganhava a brincadeira quem conseguisse marcar o maior número de casas.
A criança com o maior número de casas seria na próxima rodada o prima e as demais em sequencia de casas. A criança que fizesse as três primeiras casas já ia dificultar para a outra que iria ter que ter um bom salto nas canelas para alcançar a casa distante. Se uma criança fizesse a casa no gogó, a outra teria que arrudiar por fora do gogó para completar a sequencia de casas da academia.
Era mais trivial na época das brincadeiras academias se ver somente no período de chuva, pois a terra ficava bem molhadinha e os desenhos tomavam forma no chão sem o perigo do vento apagar. Havia também o CACO ABENÇOADO que era aquele que quando jogava caia logo numa casa sem dá um pulo pra cima e nem sair fora da casa. O caco bom era aquele que não saltava no chão quando jogado.

As academias trouxeram muitas alegrias para os seridoenses de outrora e tanto era uma forma de se fazer ginástica no chão, como de aprender coisas essenciais nas escolas da vida. Ah, se voltasse esse tempo...

XEIXO DE PEDRAS

POR: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Foto da net.
UNS montes de xeixo de objetos sólidos de várias formas e de vários tamanhos superlotam uma mão cheia. São os pedaços minúsculos de rochas que foram deterioradas pelo tempo. São em sua composição dotadas as migalhas de uma união carbônica de ser, que se atracam átomo por átomo e que formam o xeixo.
Uma vez formado, o xeixo serve como atrito para parar algo rolante; serve como sedimentos para diminuir áreas escorregadias; ou para jogar nas casas do povo, como se faziam os malévolos do Seridó de outrora.
O xeixo dado um matuto que anda arrastando o pé, ele promove um ritmo sonoro de estalos que já denuncia quem vem se aproximando da casa ou do quarteirão. Não falta um pilherio a dizer: “lá vem um burro chegando!”
Mas o xeixo também é inimigo de bêbados sem aprumo nas pernas, pois lhe vergonta um calço e esborracha o marmota no chão.

O xeixo se faz no sertão seridoense, porque um dia o sertão já foi mar. E sendo mar o xeixo é aceito e aplaudido pelos amantes da ecologia curiosa. Em outras palavras: xeixo é um desleixo de um solo mal pisado.     

O ALTO DA SEPARADAS

QUANDO as meninas são adolescentes neste bairro tão altivo, e é o que acontece na maioria das vezes com os primeiros namoricos, elas tendem a se mostrar vulneráveis e ao mesmo tempo alienadas com a idéia de beleza exposta pela praga corrosiva da televisão que repassa para a cabeça de muitas adolescentes a idéia de um “príncipe encantado”, aquele que irá amar de corpo e alma e para sempre. E logo nas primeiras fases de namoricos muitas nem se quer sabem traduzir o que é o amor. Ou mesmo não sabem a importância que tem essa palavra de sentimentalismo para a vida do ser humano. Muitas são adeptas de novelas como “Rebelde” e “Malhação”, ou de outros programas que mexem com a inocência dessas aprendizes e as fazem viver um mundo sem contexto, mas com pretesto.
E assim, logo no primeiro beijo, muitas já vão dizendo “eu te amo” sem ao menos saber se ama realmente...é o viver do agora, da alienação do presente, do capitalismo. E o pior que também tem muitos adolescentes homens que também participam dessa ilusão e por conseguinte, constroem uma união conjugal de faz de contas, de provações de responsabilidades sem antes ter havido um ensinamento.
Talvez não sejam culpas deles. Talvez seja culpa de modismos que foram criados desde as manifestações contra regimes militares que surtaram depois da Segunda Guerra Mundial. Ou talvez sejam culpas de leis que asseguram “liberdades” limítrofes. Ou talvez dos pais mesmos que não preparam a juventude para se responsabilizar e saber procurar uma companhia certa e conviver por muitos tempos.
Percebe-se que muitos casais jovens que tentam se “ajuntar” hoje em dia tem pouca durabilidade de união e logo se separam para viver novamente aos cuidados dos pais. É o que a gente observa nos cenários de muitos ex-casais do Alto. Decorre de uniões frustradas e de fugas impensadas um separamento medonho quando se olha para a rotina ou até mesmo para a intenção em contraponto em prol do capitalismo. No alto predomina uma verdadeira teia de mulheres separadas, mais do os homens. E o bom é que não são mulheres adolescentes, são adultas e sofredoras de sentimentos.
Em cada rua do Alto pode ser trivial ver no mínimo uma mulher separada. Isso nos possibilita a refletir sobre esse tipo de ocorrência e a perceber o quanto o mundo está virado. As pessoas passaram a ser mercadorias de usos descartáveis e por qualquer razão impensante, qualquer ato ou qualquer dizer, vem logo a apalavra na boca “vou me separar de você!” E não pense leitor que isso é bom não, já que se o casal tiver filhos, quem padece no final são eles que ficam divididos pelo amor, pela brandura e pela educação.
São separadas por natureza e vivem a caminhar sem um complemento para sua vida. Parecendo insatisfeitas, moribundas, deprimentes e sem um pouco de noção para a reconstrução de uma nova fase de vida. Pensam que já adquiriram experiências para a vida toda. Muitas ficam com traumas de novos relacionamentos e começam a desfechar desagrados ao relacionamento alheio.

O Alto por assim dizer deveria ser chamado de Alto das  Separadas, mesmo que não sejam todas as mulheres separadas, mas convivem com elas.

NA PENUMBRA DO RIACHO

POESIA: NA PENUMBRA DO RIACHO
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Foi marcada com zoada
Uma tropa de cambada
Foi beber em demasia
E trouxeram a tiracolo
Uma moça boa de colo
Pra fazer a cantoria.

Os dois músicos e um Meta
Um batera mais um poeta
E um rapaz quase casado
Foi mamãe e foi avó
Foram primas com xodó
Até titias com agrado.

Um cabrocha sem coragem
As fêmeas foram à margem
Com tanta curiosidade
Só uma fêmea ficou lá
E uma mãe que quis estar
Na troça da liberdade.

Levaram cana brejeira
E costela de primeira
Pra fazer caldo do bom
Levaram belo “que-suco”
Um pé-duro de trabuco
E viola pra fazer som.

Uma panela entirnada
Triangulo na retaguarda
As baquetas e um tambor
Levaram colher e acento
Um isqueiro pro esquento
Copo, cerveja e isopor.

A sede do grupo era
Contemplar toda quimera
Nos escuros da beleza
Acender uma fogueira
E fazer a bebedeira
Na penumbra natureza.

Também era pra dispor
De um gesto fornicador
Produtor de um baitolismo
Em busca da liberdade
Fez levar a Sociedade
A querer o Energilismo.

E a panela foi fervendo
E o grupo todo bebendo
Fazendo forte algazarra
Os animais se assombraram
E os espíritos mostraram
A tentação de uma farra.

E beberam a vontade
A bonita mocidade
Com suco de uva boa
A boca da noite veio
E chegou sem aperreio
O contrapor da coroa.

Mas tudo se avizinhava
A costela cozinhava
Para um caldo se fazer
E depois do caldo pronto
Espectros chegaram junto
Pra tirar gosto e beber.

Mas os santos do terreiro
Trouxe isprito zambeteiro
Na fogueira do despacho
Cabrochas desmunhecando
Tanto macho se agarrando
Imorais do cambalacho.

O Seu Meta iniciou
Seu cadáver esmagou
Com um monte de maníaco
Pegaram então o Batera
Esmagaram feito fera
Com um porte demoníaco.

Depois pisaram caminho
Em busca do bom cantinho
Cuja farra se findava
Mas a moça emachada
Provocou tal camarada
Com o jeito que falava.

E teve de ser benzida
Pois a trupe de atrevida
Começou molhando gente
Todo mundo ensopado
Com o corpo bem molhado
Revoltou família em mente.

E tudo isso foi visto
Artisticamente escrito
Pelo poeta bom de facho
Se os ispritos não me engana
Foi a última carraspana
De penumbra em um riacho.


Feito dia: 21/ 01/ 2015.

NA TAPERA DO TRIUNFO

FOTO DE DÉBORA JAIANE
AQUELA construção tipicamente nordestina de brandura simplória e denunciante de cenários humanos era um ponto ímpar e majestoso entre imagens de delírio natural. Era a tapera degustosamente hospitaleira que abrangia uns 20 a 30 espectros de plasmas racionais. Não denotava ser a tapera um cubículo cavernoso e de assombramento pessimista. Não se notava uma tapera ríspida e arisca a presença de seres eloqüentes a crendice divina. Era ela a barca que arcava o despertar de macumbros desejáveis.
Estava ela ali encravada no limpo do Olímpio aguardecido com líquido tão querido no sertão seridoense. O líquido que por sinal é extraído das entranhas do solo desertificado e salpicado com a acidez do sal exterminante. Enquanto que o dragão de quixoteano fica a se amostrar girando e girando no sobe e desce da penetração solar.
E a tapera ficava no baixio planificado por entre a Caatinga adentro portando-se como moradia de filmes giratórios onde a câmera num giro de 360º poderia captar a imagem mais redondante que já se viu nesse cenário. Uma tapera não feita de taipa, mas encaliçada com grossos paralelepípedos de barro e vestida em sua nudez de sólida roupagem de cal grudento. O telhado fazia um topo de inclinação piramidal onde no escudo da cumeeira a água se fazia cachoeira em tempos de aguagem divina.
Bem de fronte um juazeiro frondoso atraia os espíritos vivos a contemplar uma visagem natural mesclada com o aroma inigualável das colinas rameiras.
A tapera era no seu potencial composta de nove subdivisões que alojavam os plasmas inquietantes. De prontidão, ela estava preparada para suprir a carência degustante no tocante ao possuimento de três compartimentos de preparações de banquetes, mesmo que para tal a simplicidade optou pela flama de fuligem para dar mais um gosto de combustão aos petiscos com poluição que acorria nos lares dos sertões de outrora.
Na recepção a percepção dos visitantes era acomodada por duas salas de retângulos desiguais em suas medidas, sendo a do meio quase parecida com a forma geométrica de partes iguais e a segunda em comprimentos desproporcionais as larguras.
O espaço de nudez libertária era em retângulo e as paredes quando a epiderme encostava produzia um calafrio gostoso de resfriamento contrastante a paisagem de fora. Aqui havia um sumidouro dos excretos para que os viventes não tivessem a liberdade das evacuações ao ar livre. Nesse espaço a penumbra pairava e englobava os alojamentos dos anfíbios rãs de si mesmos e dos insetos cantadores das noites insinuantes.
O espaço da reprodução humana não era muito grande, mas ventiloso. Era quase da espessura de lados iguais.
Ao lado, em miragem a um planalto de elevação natural e que foi desbravado pela juventude da sociedade, estava grudado uma espessura retangular que servia para guardar a produção significante ao combate da famigerada necessidade vital ao povoamento dos solos ignotos seridoenses. Também abarcava as tralhas de uma tribo fatigante que de luas em luas habitava aquele recinto desabitado.
Por fim, bem na fachada, condecorava-se um espaço discursante e apreciador das miragens naturais. Era um espaço quadril onde uma cobertura se sustentava com quatro forquilhas de tijolos em pilares. E no restante desse espaço havia uma área livre para o lazer refrescante.
Na lateral dos armazenamentos predominava um coxo de tanque que represava o líquido para a espécie vaccum sugar a seiva que suportava a sequidão causticante. Era de praxes na aurora matinal se ouvir os tilinados dos bangalôs nas chacoalhadas que os animais faziam quando eram perturbados com os zumbidos dos insetos prediletos dos sapos.
 A tapera para os termos afins se mostrou como um lar fecundo e triunfante das liberdades de uma tribo de contrastes racionais. Ai, que saudades da tapera do Triunfo. 

BICHO SALGADO

POESIA: BICHO SALGADO
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Este bicho eu não quero
Pois me dá obesidade
Salpicaram a vontade
Com verdura bem salgada.

Nem que seja uma taiada
Que me possa conceder
Eu prefiro não comer
Nem pegar em coisa branca.

Minha posição é franca
Não como bicho salgado
Meu costume é estudado
Não vivo em vida contrária.

Já gostei da culinária
Mas agora fiz dieta
Me tornei sábio poeta
Magoado e deprimido.

Desprezado, corrompido,
De ferrugem em coração
Sal pra mim não presta não
Pois espanta meu cupido.

Feito dia: 28/ 03/ 2015.

PSINSINUANTE

EU GOSTEI DAS SUAS VESTES, menina pois são de uma exatidão sem maiores delongas um tanto sexy por sinal. Vi por entre as ribeiras dos beiramentos brechentos que havia uma insinuação de orgia ao bel prazer demasurado. Era senão uma psicologia afoita ao prazer incomensurável que causava de antemão um frenesi no coito para que não fosse interrompido.
Em outras palavras, sua pose de menina posta de inocente, mas em contraponto ao desejo fêmeo de ser, só me fizeram pensar em sumidouros frenéticos que de outrora suspirava-me de precaução. Sua beleza era de uma postura tão arisca e ao mesmo tempo temperada com o sabor das artimanhas. Vi que você não fazia aquilo de propósito, todavia havia segundas intenções.

E era naquele exato momento que você ao invés de ter prosseguido com o salvo conduto melindrou ao se retirar ao cubículo da solidão. Oh, como você psicologicamente falando encara a triste filosofia da solidão mórbida e desumana. Saia do cubículo e se mostre como uma altivez dos patamares amorosos!!!

O SOFRER DA VITRINE

Foto da net.
OLHANDO bem a espessura que se acha envolta dessa casca falida, usada e pisoteada por um arranchamento de fuga que mal bebeu a seiva da vida essencial, logo vem a cabeça do observador uma análise filosófica da viborante anarquia que depredou a imagem póstuma de uma roupagem que a muito tempo, cerca de um década de diferença e de espera, não excitou ou exitou um bem estar a flor da pele.
A busca por uma perfeição longe da imperfeição declarante não melindrou um sucesso para um todo sempre, o que ocasionou de fato um calabouço medíocre e inóspito à depressão humana. Construiu-se de prontidão todo um imaginário pensante no rol da felicidade sentimental, mas não calculou de medida uma exata posição do futuro indigno. O que ocasionou um montante de calafrio e sofreguidão generalizada a tal ponto que o encontro das almas não mais sugou a seiva vital.
Em confronto com o ninho que dissera ter, talvez ou quem saiba deveras tenha colocado, assim como uma rola que se engana na confecção de sua casa reprodutiva, uma galha de algaroba ou quem sabe jurema que salpicou de espinho o leito mórbido da razão vivente. Talvez o inconsciente tenha invadido o Jardim do Éden e colocado lá um ideário espinhento e inóspito de se viver.
Por isso que a vitrine reflete um submundo solitário, inabitável, onde a luz vivificante não pára para nutrir ás necessidades alheia, pois o meio da ilusão não é opaco e nem revestido de sonhos ou de chumbo. É um meio negro que retém a luz que vem de fora. E dentro deste entra dois feixes de luz diferentes: o primeiro é obscuro e sem perspectiva de um futuro de sentimentalismo exato; o segundo vem de uma mente sã, produtiva, amorosa e que oferece a proteção em longo prazo.

Mas se a vitrine só reflete aquilo que o querer ter do capitalismo almeja que se veja, jamais vai concertar o buraco de abandono e desespero que a luz fustigada lança em espectro para uma verdadeira alienação de um futuro sublime. A vitrine que não dá o braço a torcer! Que bom seria se trincasse ou se quebrasse para ela mesma voltar a estaca zero e poder concertar a sua vida de existência sem a perda da tamanha felicidade. Para a vitrine o desejo de quem a olha é pura exatidão do consumismo. Mas para o transeunte o que se ver na vitrine é uma paisagem que vai reinar aos olhos da vivência em proteção por um sentimentalismo real.

OLHAR DE GALEGA

POESIA: OLHAR DE GALEGA
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Que olha pra mim
E pensa um pouquim
Em só me amar
Que ver nos meus olhos
Verdades em escolhos
Que ver no olhar.

Que diz em paquera
Um amor de quimera
Posto que se fez
Com tantas missivas
Ações positivas
Que não teve vez.

Que quer se render
Para perceber
O quanto é amada
Mas foge de gente
É fraca de mente
Vivendo entocada.

Que vive na serra
Amando sua terra
Seu berço seu lar
Na barra materna
Saia da caverna
E viva o amar.

Que pensa em beleza
Em luxo e riqueza
Sem felicidade
Olhe sem esnobe
Pro filho de pobre
Que ama em verdade.

Que seu belo ventre
Viveu diferente
Uma triste invasão
Salgou sua vida
E você tão perdida
Viveu ilusão.

Que chora agora
A vida que embora
Viveu fracassada
E vive me olhando
Na certa pensando
Que foi tão lesada.


Feito dia: 30/ 03/ 2015.
POESIA DESTINADA A GALEGA DA SERRA DE OLHOS CASTANHOS QUE OLHAM-ME.

A MENINA QUE ALIMENTAVA OS GATOS

Foto da net.
ERA mais ou menos uns cinco gatos esfomeados pelo tempo humano e que se amontoavam debaixo daquela árvore mal frondosa. Era em tempos de dificuldades o momento mendicante pela sobrevivência malquista. Por entre os pilares vagava uma alma santa, tão santa que talvez era aloirada pelo composto atemporal.
A alma santa perambulava pela sombra da copa da árvore com uma veste de vestido emagrelado, mas exposto ao modismo de capitalismo. Teu sorriso era um tanto singelo e recheado com o aroma da caridade que muito cativava o olho binocular da inscrição alheia. Teu cabelo encaracolado mostrava um simplicidade tão irradiante que chega nos tinia os olhos esbugalhados ante a admirar tamanha proeza e beleza.
A caridade que se fazia moderada e de preocupação com a carência viva chamava tanto a minha atenção que fiquei com vontade de querer ser gato vira-lata... 

ELAS DANÇARAM PRA MIM!

PATATIVA do Assaré me socorra, por favor! E Fernando Pessoa, traga o seu Alberto Caeiro, para mim ajudar a lhe dá com a efervescência feminina que de uma hora para outra saíram da inibição dos olhares poéticos e se entregaram ao bailarismo de uma forma tão sedutora que os temas se entrelaçam e me lançam num labirinto sem saber em quem fustigar. O exibicionismo chega a ser tão excitante que me desconcentra e não consigo finalizar a obra que comecei.
Será a Valencia da união que gera a força ou é uma amostragem de leilão para ver quem capta mais a difícil missão de lançar o arque poético numa teia da desconfiguração a qual ficam os apaixonados da paixão. Estão querendo deveras estudar o poeta por uma de suas formas de inspiração: a magia do corpo feminino.
Mas quando me dispus a caminhar mais ainda pelo interior da feira-livre pude ver que as maçãs estavam maduras e prontas para o consumo, enquanto que as outras frutas como as laranjas e as uvas que são termos femininos dançavam pra lá e prá cá em bailados quando escorregavam em declives de uma banca frutífera. Haviam umas maçãs que eram virgens, pois ainda não havia sido degustada por um lagarta de plantão. E outras que foram pernoitadas por lagartas famintas que comeram seus miolos. E jamais elas eram de se jogar fora, eram vidas perfeitas para acalentar corpos moribundos de bichos anêmicos e elas bem sabiam disso.
Por isso elas ficavam em malabares excitantes fazendo as glândulas salivares produzirem tanto água na boca que chega a língua bailava no espaço comedor. Tais frutas de corpo feminino davam sua contribuição num sacolejo formidável.

Sabendo que não entravam nesse cardápio as frutas de nomes masculinos, como o mamão. Todavia o que estava mais a despertar meus instintos animais de cio provatório eram as peras e as maçãs, suculentas, quase não provadas pelas lagartas. 

DEDO NEGADO

POESIA: DEDO NEGADO
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

Você não levante o dedo
Me dizendo que não quer
Seja mesmo uma mulher
Que gere felicidade
Não sou a mediocridade
Eu tenho um bom coração
Esta sua posição
Só me deixa desconecto
Afeta meu intelecto
E me lança em tentação.

Você é apetitosa
Isso eu digo com esmero
Eu não tenho desespero
Eu espero ser feliz
Meu sobrenome é Luíz
Tenho um dom iluminado
Me chamam de Ednaldo
De mestre, doutor e chapa
Ninguém entende meu mapa
Sou uma tese de mestrado.

Balance esse dedinho
Em manobra positiva
Entre em minha comitiva
De musas irradiantes
Te olho por uns instantes
Fitando as suas formas
Quero ler as suas normas
Te amar em meu jardim
Fazer você ser de mim
Ditando suas reformas.

Não se junte com as outras
Que me deixa acanhado
Sou tímido, desajeitado,
Um produtor de facetas
Admirador de........
De todo monte bicudo
Desse jeito eu fico mudo
Sem fala e me tremendo
Bem no fundo te querendo
Com dedo negado e tudo.

Feito dia: 23/ 01/ 2015.


A LIMPADORA DE MESA


VOCÊ consegue limpar esta mesa com cuidado! É fruto mesmo do pecado diante do poder de sedução. Limpe bem limpado que estarei posto em pecado jantando a janta da santa. E se você com essa veste tão bela me oferecesse o cardápio deveras eu terei a honra das pompas de aceitar com muito gosto e apreço a transferência do apetite ao prato inteiro pelo deguste de um simples prato de comestível balanceado.
Realmente observando de longe teu cardápio é uma tentação tão vil que ninguém consegue parar de olhar.
Tua performance é de um torneamento incessante e formidável que qualifica a audaciosa fase do desejo. É no dizer popular uma tentação magnífica que corresponde à captura da fera observadora e convida-a a provar de um simples prato de consumo estabelecido de fronte a entrada triunfal.

Mas ela limpa sem sofreguidão e sem pestanejar de jururu. Limpa porque a clientela limpa que quer que seja limpado. Também não fosse a mesa de cimento que era a que dava mais trabalho, ela limpava de ver a cara e a clientela gostava daquela mesa.

sexta-feira, 27 de março de 2015

A LUZ DO LUÍZ

POESIA: A LUZ DO LUÍZ
POETA: EDNALDO LUÍZ DOS SANTOS.

MEU PROCESSO
EU NÃO INVENTO
MAS TENTO
O FOMENTAR.

SE O FOMENTEIO
NÃO ME ESCASSO
O TENHO EM MASSO
PARA DOAÇÃO.

E DOO COM JEITO
FAZENDO GRACEJO
UM FORTE DESEJO
DE DAR BEM ESTAR

E ESTANDO DE BEM
EU FICO FELIZ
POIS TENHO LUÍZ
DEPOIS DE EDNALDO.

FEITO DIA: 27/ 03/ 2015.

FAMÍLIAS POBRES ESTÃO TENDO MENOS FILHOS

SERÁ O CAOS DO BRASIL, POIS SEGUNDO O IBGE A POPULAÇÃO DO BRASIL ESTÁ ENVELHECENDO.

PORQUE as famílias pobres do Brasil estão querendo ter menos filhos? Apesar de terem programas como o Bolsa Escola e Bolsa Família?

Segundo a Agência Brasil " REDUÇÃO NO NÚMERO DE FILHOS POR FAMÍLIA É MAIOR ENTRE OS MAIS POBRES

Nos últimos dez anos, o número de filhos por família no Brasil caiu 10,7%. Entre os 20% mais pobres, a queda registrada no mesmo período foi 15,7%. A maior redução foi identificada entre os 20% mais pobres que vivem na Região Nordeste: 26,4%. Os números foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e têm como base as edições de 2003 a 2013 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quixadá - A dona de casa Ana Cleide Ancelmo da Silva, 35, viúva, mora com sua mãe e sete filhos na comunidade Engano, no distrito de Riacho VerdeFernando Frazão/Agência Brasil Quixadá - A dona de casa Ana Cleide Ancelmo da Silva, 35, viúva, mora com sua mãe e sete filhos na comunidade Engano, no distrito de Riacho VerdeFernando Frazão/Agência Brasil
O levantamento mostra que, em 2003, a média de filhos por família no Brasil era 1,78. Em 2013, o número passou para 1,59. Entre os 20% mais pobres, as médias registradas foram 2,55 e 2,15, respectivamente. Entre os 20% mais pobres do Nordeste, os números passaram de 2,73 para 2,01.

Para a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, os dados derrubam a tese de que a política proposta pelo Programa Bolsa Família estimula as famílias mais pobres do país a aumentar o número de filhos para receber mais benefícios.

“Mesmo a redução no número de filhos por família sendo um fenômeno bastante consolidado no Brasil, as pessoas continuam falando que o número de filhos dos pobres é muito grande. De onde vem essa informação? Não vem de lugar nenhum porque não é informação, é puro preconceito”, disse.

Entre as teses utilizadas pela pasta para explicar a queda estão os pré-requisitos do programa. “O Bolsa Família tem garantido que essas mulheres frequentem as unidades básicas de Saúde. Elas têm que ir ao médico fazer o pré-natal e as crianças têm que ir ao médico até os 6 anos pelo menos uma vez por semestre. A frequência de atendimento leva à melhoria do acesso à informação sobre controle de natalidade e métodos contraceptivos”.

A demógrafa da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE Suzana Cavenaghi acredita que o melhor indicador para se trabalhar a questão da fecundidade no país deve ser o número de filhos por mulher e não por família, já que, nesse último caso, são identificados apenas os filhos que ainda vivem no mesmo domicílio que os pais e não os que já saíram de casa ou os que vivem em outros lares.

Segundo ela, estudos com base no Censo de 2000 a 2010 e que levam em consideração o número de filhos por mulher confirmam o cenário de queda entre a população mais pobre. A hipótese mais provável, segundo ela, é que o acesso a métodos contraceptivos tenha aumentado nos últimos anos, além da alta do salário mínimo e das melhorias nas condições de vida.

“Sabemos de casos de mulheres que, com o dinheiro que recebem do Bolsa Família, compram o anticoncepcional na farmácia, porque no posto elas só recebem uma única cartela”, disse. “É importante que esse tema seja estudado porque, apesar de a fecundidade ter diminuído entre os mais pobres, há o problema de acesso e distribuição de métodos contraceptivos nos municípios. É um problema de política pública que ainda precisa ser resolvido no Brasil”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil

terça-feira, 24 de março de 2015

COMENTÁRIO DE LEITOR PARA ESTE BLOG

VEJA O QUE OS LEITORES DESTE ESPAÇO CULTURAL PRESCREVEM COM RELAÇÃO A ESTE BLOG:
Bah........ eu tive mais de 1200 notas de cigarro, faziamos aposta com elas...quanto tempo!!
Isto era em SC começo fim dos anos 70. Depois descobri que era feita em varios lugares do brasil. quanto tempo!!!! saudade!!!!!!!!11.

poxa gostei muuito do seu post, estava procurando a brincadeira pra mostrar pro meu filho, e acabei aprendendo um pouco sobre a brincadeira...voltei a um passado de otimas recordaçoes vendo essas imagens,brincavamos um pouco diferente , fazia um triangulo coloca no centro as notas em apostas, tomava ums boa distancia e jogava um chinelo de dedo no alvo, levava melhor quem tinha pontaria, e tirasse as notas do centro.

ESTES COMENTÁRIOS SÃO RELATIVOS A REPORTAGEM BRINCADEIRAS ANTIGAS DO SERIDÓ - AS BRINCADEIRAS DE NOTAS DE CIGARRO.

EU SÓ TENHO A AGRADECER POR FAZER O BEM PRODÍGIO DE INFORMAÇÃO REGIONAL A QUEM BUSCA ESTE ESPAÇO DE REFLEXÕES VITAIS. E CONTINUEM ACESSANDO O BLOG DO POETA DO SERIDÓ EDNALDO LUÍZ.